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rss  Vol. XVIII - Nº 309         Montreal, QC, Canadá - segunda-feira, 24 de Fevereiro de 2020
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Paisagem da Cultura do Vinho é Património

Lélia Pereira da Silva Nunes

Por Lélia Pereira da Silva Nunes

Do outro lado do Atlântico, latitude 38, está a Ilha do Pico, a segunda maior ilha do arquipélago dos Açores e quase do tamanho da nossa Ilha de Santa Catarina. Pico é a montanha que dá nome à ilha e domina absoluta tudo em seu redor. Força telúrica! Ergue-se majestosa, no Atlântico Norte, cheia de segredos, mistérios e sensualidade na sua forma que parece um mamilo imenso, rodeado por uma auréola de nuvens que se movimenta num suave bailar. A visão da luminosidade rósea das nuvens abraçando a montanha no entardecer é um espetáculo indescritível. Nesta Ilha «morena» ou «negra» de solo vulcânico é deslumbrante a paisagem da cultura da vinha desenvolvida na sua parte ocidental e classificada pela UNESCO no dia 2 de julho de 2004 como Património da Humanidade. Os muros geométricos dos «currais» de lava construídos em volta das vinhas para proteger dos ventos e preparar o plantio da videira cobrem uma área de 154,4 é como uma manta quadriculada e muito lembram o serpentear das taipas na Serra Catarinense. Sim, «da pedra se fez vinho!» Lá e cá o vinho é uma questão de sobrevivência e sempre será uma paixão nesta relação ímpar do homem e a natureza. Não é sem razão, que os municípios da Ilha do Pico são geminados a São Joaquim.

Quando os açorianos picarotos celebram os dez anos da extraordinária e belíssima Paisagem da Cultura da Vinha como Património da Humanidade nós, catarinenses, festejamos a excelente qualidade dos vinhos finos de altitude, reconhecidos nacionalmente, que a cada safra e a cada geração solidifica uma história de lutas, de desafio do homem no amainar o solo, plantar os bacelos, enxertar, corrigir falhas, assistir brotar os verdes rebentos, podar as parreiras, acompanhar a maturação e colher a uva no momento ideal. Depois, o vinho faz-se na vinha diz o dito popular.

Por tudo aqui dito, não reluto em afirmar que, em Santa Catarina, a Paisagem da Cultura da Vinha é Patrimônio dos catarinenses e a sua história revela essa longa caminhada na conquista de seu espaço socioeconómico, já que, no âmbito sociocultural, existe um conjunto de manifestações de cultura popular associadas à época das vindimas e identificadas na gastronomia, nas músicas e danças, nos usos e costumes do cotidiano que refletem a riqueza do património cultural de natureza imaterial.

Não poderia deixar de citar três nomes que fazem parte da história da vitivinicultura catarinense e cada um, no seu tempo, foram empreendedores na cultura da vinha, na produção do vinho e na sua comercialização. Da memória cultural destaco, do passado, Josaphat Lenzi, imigrante italiano trentino, que nos primórdios do século XX, na cidade de Lages, dedicou-se à produção de vinhos de excelente qualidade como o «Chianti Lenzi», cuja fama ultrapassou fronteiras. Do presente, o desembargador e escritor Edson Nelson Ubaldo que, em 1981, a partir de Campos Novos, foi pioneiro na produção de vinhos finos de altitude, com viníferas europeias, sendo agraciado com a Medalha Anita Garibaldi, outorgada pelo Estado de Santa Catarina. Inegável, também, a grande contribuição do empresário criciumense Manuel Dilor Freitas, fundador da Vinícola Villa Franccioni em São Joaquim, que acreditou e apostou num grande sonho – o desenvolvimento da vitivinicultura na Serra Catarinense. Numa grande cumplicidade e amor à terra serrana esses pioneiros, fizeram nascer do solo basáltico o néctar da vida – o vinho.

 

Crónica
Do outro lado do Atlântico, latitude 38, está a Ilha do Pico, a segunda maior ilha do arquipélago dos Açores e quase do tamanho da nossa Ilha de Santa Catarina. Pico é a montanha que dá nome à ilha e domina absoluta tudo em seu redor. Força telúrica! Ergue-se majestosa, no Atlântico Norte, cheia de segredos, mistérios e sensualidade na sua forma que parece um mamilo imenso, rodeado por uma auréola de nuvens que se movimenta num suave bailar. A visão da luminosidade rósea das nuvens abraçando a montanha no entardecer é um espetáculo indescritível.
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