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rss  Vol. XVIII - Nº 309         Montreal, QC, Canadá - segunda-feira, 24 de Fevereiro de 2020
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O falhanço europeu

Osvaldo Cabral

Por Osvaldo Cabral

Os europeus vão domingo a votos sob o espetro da crise.

Não é só a crise económica. É, também, uma crise de valores políticos e de descrédito num projeto de solidariedade europeia que nunca passou do papel.

Tivemos, na prática, o exemplo destes últimos três anos, em que as instituições europeias se limitaram a usar-nos para os seus experimentalismos de «ajustamento», aplicando-nos uma valente dose de austeridade e restrições num tão curto espaço de tempo.

Chamar-se a isto «solidariedade europeia» é como deixar o meu vizinho a pão e água e ainda cortá-lo na torneira para «ajustar» o racionamento.

Já toda a gente percebeu que «esta» União Europeia é um grande falhanço e que ela se vai arrastando porque é alimentada pela gigantesca máquina que sustenta uma cáfila de burocratas insensíveis às dificuldades dos povos.

Em Bruxelas há quem se preocupe mais com o tamanho dos ovos do que com a dimensão da pobreza dos países periféricos.

Uma União Europeia que caminha para um quarto da população mundial, deixando um rasto de 27 milhões de desempregados, entre os quais 6 milhões de jovens, devia envergonhar os senhores engravatados de Bruxelas e Estrasburgo.

Sem querermos, tornámo-nos todos nuns eurocéticos.

Alan Sked, um dos mais fundamentalistas, deixou-nos esta síntese para reflexão: «É a União Europeia um Estado democrático? Claramente não. As principais decisões são tomadas em segredo. A Comissão é inimputável. Os comissários são normalmente políticos falhados nos seus países. O seu parlamento de opereta, que não possui uma oposição oficial, tem eleições em que a grande maioria dos europeus não vota. Mas quanto a decisões – diretivas, regulamentações – são tomadas em Bruxelas, já não podem ser revogadas por parlamentos nacionais».

Até nos Açores já percebemos isso.

No mais recôndito lugar da ilha mais afastada, lá no fim do mundo, as normas europeias é que ditam a nossa sobrevivência, em nome de um só país e da sua chanceler...

Mesmo com o maná de euros que derramaram no regaço regional, não soubemos criar riqueza suficiente para distribuir empregos pelos nossos jovens.

Criámos, à média por ano, três ou quatro elefantes brancos – edifícios, complexos, casinos, piscinas, museus, rotundas – nunca com menos de 10 milhões, mas empregos para os nossos filhos...

É por isso que, no próximo domingo, não será difícil adivinhar qual será a resposta dos eleitores.

Se mais de 70% deles ficar em casa, é sinal aterrador para a democracia representativa e um drama para a verdade política.

A campanha eleitoral foi uma pobreza franciscana. Fugiram dos temas europeus a sete pés, porque sabem que todos os políticos e partidos têm culpas no cartório nesta «construção europeia» com pés de barro.

Na noite eleitoral vamos ouvir os políticos, pela enésima vez, a queixarem-se da abstenção, a mostrarem o semblante carregado, a proporem uma reflexão profunda, mudanças no sistema e alargado ato de contrição.

No dia seguinte estará tudo na mesma.

Voltam a instalar-se nos seus gabinetes, reocupam os assentos da primeira classe a caminho de Bruxelas, escrevem meia dúzia de requerimentos para a estatística, e daqui a cinco anos repete-se o ciclo.

Até que um dia a Europa torna-se numa espécie de Ucrânia.

****

SATA – Outra doença, esta interna.

Já aqui escrevi dezenas de exemplos da pouca-vergonha que a SATA continua a fazer com os nossos emigrantes dos EUA e Canadá.

Ninguém concebe uma companhia nossa, de raiz açoriana, a explorar até ao tutano os açorianos da diáspora.

É o preço das passagens no Verão e no Natal, mas sobretudo a exploração medonha pelas Festas do Senhor Santo Cristo, Sanjoaninas e Carnaval.

Acabam de me relatar outro caso.

Um passageiro frequente pretendia um «upgrade» (passar da económica para a executiva) para a esposa, entre Boston e Lisboa, utilizando milhas do seu cartão.

A SATA pediu-lhe 20 mil milhas e mais 550 dólares!

Resposta, por escrito, do meu amigo: «A SATA deve estar a brincar com os seus clientes norte-americanos. Desisto, claro. Espero só que um dia outras companhias possam voar para os Açores».

E nós também!

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