logo
rss  Vol. XVIII - Nº 309         Montreal, QC, Canadá - sexta-feira, 10 de Abril de 2020
arrowFicha Técnica arrowEstatutos arrowPesquisar arrowContactos arrowÚltima hora arrowClima arrowEndereços úteis
Partilhe com os seus amigos: Facebook

Sam Norouvi na cadeia ICI

Um «produto de qualidade» e uma nova imagem das emissões étnicas

Jules Nadeau

Por Jules Nadeau

«Uma vez que começamos esta grande aventura de criar uma nova estação, queríamos mudar o estereótipo que as pessoas têm duma emissão étnica. Vai ser fluído, não vai ser bonito, sem nenhuma cor. Era preciso que fosse da mais alta qualidade. É o que temos presentemente. Não temos nada a invejar a nenhum teledifusor de Montreal. Às vezes somos mesmo superiores», explica com fervor Sam Norouzi em entrevista ao LusoPresse.

O vice-presidente e diretor-geral da nova cadeia multicultural ICI, faz um primeiro balanço do caminho percorrido. Desde que as comunidades encontraram uma tribuna televisual depois de 4-5 anos de ausência. Os três orgulhos de ICI? A qualidade das emissões, ter conseguido muito a partir de zero e trabalhar com produtores bem ancorados nas respetivas comunidades.

Cinco anos de preparação

Sam Norouzi.JPG
Nascido em Teerão, Sam Norouzi chegou a Montreal com 5 anos e fez todos os seus estudos no Quebeque. Foto LusoPresse.

«Não havia infraestruturas, donde foi preciso fazer tudo incluindo colocar uma antena no Mont-Royal. Começamos o trabalho no verão e acabamos no inverno. Bom transmissor: é possível captar o sinal de alta definição (HD) mesmo sem cabo nem satélite. Basta uma pequena antena numérica... Aliás, estamos muito contentes com o nosso grupo de produtores que responderam à chamada e trouxeram até ao ecrã a voz das comunidades étnicas de Montreal e do Quebeque», continua o jovem administrador no seu escritório da avenida Christophe-Colomb.

Quando a CJNT fez falência, ICI começou as conversações com o CRTC para obter a licença. Foram precisos quatro anos de «paciência» antes de ter a luz verde. Depois foi cerca de um ano de preparação intensa. Os primeiros programas foram difundidos a 11, 12 e 13 de dezembro último com alguns produtores que estavam prontos. Gradualmente! Não é necessariamente a melhor altura do ano para começar.

Pai e filho iranianos

Sam Norouzi nasceu em Teerão e fez a maternal em alemão em Regensburg (Baviera) antes de chegar a Montreal com cinco anos de idade. Da escola primária até à universidade, estudou no Quebeque. Apenas com 14 anos de idade, o pai pôs-lhe uma câmara ao ombro para o lançar na profissão. A filmagem e depois a montagem. Som, iluminação e realização.

Para ter a visão histórica, insisto em ir apertar a mão ao seu pai. Muito ocupado no pequeno gabinete envidraçado e visivelmente em forma aos 65 anos. «Vamos ao ginásio juntos!» Há 28 anos, com duas máquinas e uma câmara, Mohammad Norouzi montava e difundia da sua cave uma emissão em farsi. Para a Televisão Étnica do Quebeque (TEQ) – unicamente na Videotron. Os Portugueses também lá estavam com Carlos Querido, o pai de Pedro Querido da ICI, o que estabeleceu os primeiros contactos com o produtor Norberto Aguiar em setembro último.

Durante a nossa conversa na sala de conferências, um ecrã permite-nos observar a fabricação das decorações para as emissões em crioulo. «Já não é como dantes quando todos apareciam no mesmo pano de fundo. Com mais ou menos a diferença de um refletor. Agora todas as decorações no estúdio são virtuais.» Já não são precisos quinze designers de interiores. Toda a magia repousa no teclado do técnico. Viva a tecnologia fina! E um bom técnico como Paul Rudolph.

A cadeia ICI fala já uma quinzena de línguas. Os italianos têm uma grande equipa que faz quatro horas por semana. Em árabe e em espanhol são três horas. Uma produção em farsi para a coletividade iraniana desde março. Sem esquecer algumas línguas qualificadas de exóticas como o bengali (Bangladeche), o punjabi (Índia) e mesmo o berbere (Magrebe). Os próximos a se juntarem à programação são as comunidades haitiana, russa e chinesa (mandarim e cantonês).

Esperando que não seja apenas para lisonjear o representante do LusoPresse, Sam Norouzi diz-me estar muito contente com o programa português. «Como qualidade, o conteúdo é verdadeiramente um dos melhores que temos em ondas... É uma das emissões com que estamos mais contentes. Estão implicados na sociedade e creio que a comunidade também o sabe. As reações que recebo são muito positivas ao nível do esforço que a equipa da LusaQ põe na emissão, afirma ele, acrescentando: Daniel Pereira e Ludmila Aguiar parecem muito bem.» Neste mês, os lusófonos podem ver a segunda série da telenovela Bem-vindos a Beirais, uma produção recente da RTP. O único folhetim da ICI.

O logo verde da família Norouzi significa um «produto de qualidade» que não existe noutro lado para um público que tem o embaraço da escolha. Com o acesso aos canais do país de origem. «Mas o que é preciso é mostrar a realidade, a beleza e a riqueza do lugar em que vivemos. Por exemplo, eu sou iraniano. Nasci no Irão. Mas como Iraniano que vivo no Quebeque desde há 30 anos, sou muito diferente de um Iraniano que vive lá no país», conclui o elegante vice-presidente com um sorriso.

Enfim, uma importante inovação digna de menção. A partir de agora todos podem ir ao site da ICI para voltar a ver a programação já difundida. Por exemplo, visionar todas as emissões portuguesas desde o princípio (icitelevision.ca No seu telemóvel também. É bom para as famílias no estrangeiro: «Vão ver a minha entrevista gravada no Canadá!». ICI é visível em todo o mundo.

Entrevista
«Uma vez que começamos esta grande aventura de criar uma nova estação, queríamos mudar o estereótipo que as pessoas têm duma emissão étnica. Vai ser fluído, não vai ser bonito, sem nenhuma cor. Era preciso que fosse da mais alta qualidade. É o que temos presentemente. Não temos nada a invejar a nenhum teledifusor de Montreal. Às vezes somos mesmo superiores», explica com fervor Sam Norouzi em entrevista ao LusoPresse.
Luso Norouvi.doc
yes
O tempo no resto do mundo

Arquivos

Acordo Ortográfico

O que é o novo acordo?

O LusoPresse decidiu adotar o novo acordo ortográfico da língua portuguesa.

Todavia, estamos em fase de transição e durante algum tempo, utilizaremos as duas formas ortográficas, a antiga e a nova.   Contamos com a compreensão dos nossos leitores.

Carlos de Jesus
Diretor

 
LusoPresse - 2020