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rss  Vol. XVIII - Nº 309         Montreal, QC, Canadá - quinta-feira, 09 de Julho de 2020
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Festas do Senhor Santo Cristo

Que venham muitos anos assim!

Norberto Aguiar

Por Norberto Aguiar

Não temos números. Mas podemos dizer, sem errar, que as Festas do Senhor Santo Cristo, de Santa Cruz, tiveram um ano fausto, com uma massa humana como já se não via há anos. Mas o que foi que aconteceu para que fosse assim? A boa temperatura? A vinda de um padre de São Miguel, terra do Senhor Santo Cristo dos Milagres, por sinal jovem e que até é natural de Montreal? Pode ser uma pista. Não foi, de toda a certeza, pelo elenco artístico contratado, já que as caras são por demais conhecidas (repetidas...) do público local...

A religiosidade

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As festas começaram, como sempre, na quinta e sexta-feira, com o Tríduo preparatório. Já no sábado, houve a habitual mudança da imagem do Senhor Santo Cristo, que da sua capela saiu para percorrer o parque da Igreja Santa Cruz. Recolhida, a imagem ficou exposta aos peregrinos. Seguiu-se-lhe a Eucaristia.

Entretanto, o arraial da praxe teve lugar. Atuaram, nomeadamente, a Filarmónica Portuguesa de Montreal e alguns dos artistas convidados.

Missa solene

Veio o domingo, Dia Maior das festividades e com ele a Missa solene, que esteve a cargo dos padres José Maria Cardoso, responsável pela Missão Santa Cruz, e Jason Gouveia, que também agiu, como convidado especial, como pregador da Missa em louvor do Senhor Santo Cristo.

O Templo está quase cheio. O ambiente é de grande religiosidade. Os fiéis «bebem» as palavras dos sacerdotes. Jason Gouveia vê-se que tem seguidores. O seu sermão é apreciado. O Coro do Senhor Santo Cristo, guiado por Filomena Amorim, também dá cor à Eucaristia. Os peregrinos correspondem aos apelos cristãos lançados pelos dois padres, que por sua vez são coadjuvados pelo Diácono –––––––––, as Senhoras Rosa Bernardo e Dulce Silva. Rodolfo Vilan, da Irmandade Arautos do Evangelho, também participa na Missa, ele que é de origem filipina, mas que fala um excelente português. «Aprendi a falar português no Brasil», dir-nos-ia simpaticamente.

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Entretanto, os peregrinos comungam em grande número e dão palmas à Palavra de Cristo. Já no fim da cerimónia, é pedida a participação na procissão. Os fiéis antes de abandonarem a igreja dirigem-se ao andor, exposto perto do Altar, para adorarem a imagem do Senhor Santo Cristo.

Passaram-se alguns bons minutos e a igreja ainda continua com muita gente. Há um vaivém constante. Agora chegam os homens para pegarem nas opas. Outros preparam-se para levar o guião. Ainda outros, chegam-se para carregar com o andor. Lá fora, no parque da igreja, as bandas de música (Filarmónica Portuguesa de Montreal, Banda do Divino Espírito Santo de Laval e Filarmónica Nossa Senhora dos Milagres) dão sinal de que chegaram, tocando as marchas da ocasião. O Hino do Senhor Santo Cristo também será tocado pelas três filarmónicas. De resto, no recolher da procissão, o padre José Maria haveria de as convidar a tocarem, em conjunto, o Hino do Hecce Homo.

A procissão sai

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Abre o cortejo, o guião em louvor de Cristo. São cinco homens que se revezam na ação. Vêm as opas em duas filas, as crianças seguem ao centro com artefactos representativos da divindade. Clubes, ranchos e organismos fazem-se representar. Na composição da procissão há ainda as representações das Escolas Santa Cruz e Lusitana, os Romeiros de Montreal... Anuncia-se a inclusão de algumas entidades que... não damos por elas. As três filarmónicas «dividem» o espaço entre uns e outros. Sensivelmente a meio do cortejo seguem os representantes da Igreja, com relevo para os padres José Maria Cardoso e o seu jovem pregador convidado, padre Jason Gouveia (oficia em Ponta Garça, para quem não saiba). Imediatamente a seguir está o andor. Vários homens, com opas diferentes das restantes, carregam com o andor com a imagem do Senhor Santo Cristo. Também aqui se reveza o papel de cada homem. Logo de seguida há várias dezenas de pessoas que seguem em promessa. Algumas carregam um bom molho de ciros... Outros e outras seguem descalços. Depende da grandeza da promessa, muitas vezes feita em momentos de aflição. Fecha a procissão a Filarmónica Portuguesa de Montreal.

Com saída prevista para as 16h00, a procissão sai do parque da igreja e segue em direção à rua Clark, para norte, até à rua Villeneuve, logo descendo a rua St-Urbain, para chegar ao ponto de partida sensivelmente uma hora e meia depois. Enquanto prossegue na via pública, os carros polícias, atrás e à frente, velam pela segurança das pessoas, que são aos milhares pelos passeios.

Entretanto, chegada ao parque de Santa Cruz, a multidão preenche por completo o espaço e ruas limítrofes. Não há lugar para mais gente. Quem quer atravessar a rua para ir até ao Parque Jeanne-Mance, essencialmente canadianos, encontra dificuldades...

A procissão recolhe-se. No entanto, ainda há tempo para uma mensagem final dos párocos. E apesar de haver muitos peregrinos, faz-se silêncio para ouvir José Maria Cardoso e Jason Gouveia.

Padre cantor

O arraial, como todos os anos, começa logo com o recolher da procissão. Assim passaram a atuar os artistas convidados para o efeito. O Rancho Português de Montreal também marcou presença no palco. Mas quem surpreendeu foi o padre Jason Gouveia que, qual cantor, subiu ao palco e vai daí toca a impressionar a farta plateia presente.

Mas parte dessa plateia ainda hesitou. Então um padre cristão, como cantor, ainda por cima num palco ao ar livre?... Perplexos, muitos demoraram a corresponder ao incitamento de Jason Gouveia para que o acompanhassem no refrão ou dando palmas... Veio a segunda canção e a plateia já foi mais participativa. Na terceira e última, pareceu-nos que todos já queriam que o sacerdote cantor ficasse no palco por muito mais tempo. De resto, até poderia ser ele o maior animador do arraial, por não haver novidades, nem grande qualidade.

Depois de ter recebido, ao lado do palanquim, muitas pessoas para comprar o seu disco, e darem-lhe beijos e parabéns por ser quem é, Jason Gouveia haveria de convidar todos para a sessão de lançamento do seu disco, para nós desconhecido até então, na segunda-feira, no salão nobre da Missão Santa Cruz.

Por força da entrevista que devíamos fazer com ele para o programa de televisão LusaQ TV, tivemos de «arrancar» o padre Jason aos muitos admiradores, coisa que não foi fácil, diga-se em abono da verdade.

Finalmente, no interior da Igreja, de certa maneira afastado dos muitos peregrinos, foi possível conhecer um pouco da fascinante pessoa que é o padre Jason Gouveia, nascido em Montreal e batizado na Igreja Santa Cruz, mas desde os cinco anos a viver na ilha de São Miguel, onde se ordenou padre. Jason Gouveia, neste momento, é pároco da freguesia da Ponta Garça, concelho de Vila Franca do Campo.

Nota: não percam a entrevista que realizámos com o padre Jason Gouveia para a LusaQ TV e que vai para o ar segunda-feira, às 21 horas.

Religião
Não temos números. Mas podemos dizer, sem errar, que as Festas do Senhor Santo Cristo, de Santa Cruz, tiveram um ano fausto, com uma massa humana como já se não via há anos. Mas o que foi que aconteceu para que fosse assim? A boa temperatura? A vinda de um padre de São Miguel, terra do Senhor Santo Cristo dos Milagres, por sinal jovem e que até é natural de Montreal? Pode ser uma pista.
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