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rss  Vol. XVIII - Nº 309         Montreal, QC, Canadá - quinta-feira, 16 de Julho de 2020
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Editorial

A corrupção das PPP

Carlos de Jesus

Por Carlos de Jesus

Face às recentes revelações dos inspetores de polícia da brigada «Marteau» – encarregada de inquirir sobre a infiltração do crime organizado no mundo dos negócios, mas sobretudo nas empresas de construção civil – o público, mais uma vez, ficou a saber para onde vai o dinheiro dos seus impostos – para o bolso de criminosos de gravata de alto coturno.

Com efeito, na passada terça-feira, diante da comissão de inquérito sobre a colisão e a corrupção das empresas de construção e o mundo político, dirigida pela juíza Charbonneau, o detetive Jean-Frédérick Gagnon veio explicar ao público como é que o antigo presidente e diretor-geral da SNC-Lavalin (uma das maiores empresas de obras públicas do Quebeque, com ramificações internacionais) e o seu vice-presidente pagaram 22,5 milhões de dólares em luvas a dois altos dirigentes da construção do hospital universitário anglófono da universidade McGill (CUSM) na sequência da obtenção fraudulosa do chorudo contato no valor de 1 300 milhões de dólares.

No quadro do seu inquérito, a brigada «Marteau» pode assim estabelecer que o antigo diretor do CUSM , Arthur Porter e o seu braço direito Yanaï Elbaz, receberam, cada um, 11,25 milhões pelos bons serviços prestados à empresa SNC-Lavalin, montantes que foram pagos a uma empresa fantasma nas Bahamas, Sierra Asset Management.

Do testemunho do detetive Gagnon ficámos também a saber que a empresa SNC-Lavalin, não só ganhou o contrato mas recebeu igualmente os planos preliminares da outra empresa concorrente, limitando-se a modificar os planos do estacionamento subterrâneo previsto inicialmente, por um estacionamento externo, em andares, que lhe permitiu economizar mais do que o necessário para pagar as luvas em questão.

Convém frisar que esta obra foi uma das primeiras obras construídas em parceria público-privada (PPP) o que, na base, servia a proteger os interesses do público, delegando na empresa privada a responsabilidade de bem gerir as obras e a sua manutenção futura.

Com efeito, neste género de contratos, o estado delega à empresa privada a construção e a conservação da obra de modo a que o erário público não se veja depois a mãos com trabalhos mal feitos que merecem uma constante reparação como acontece com as infraestruturas rodoviárias.

Se na teoria esta é uma solução económica para o estado, porque é que falhou tanto no caso presente?

Falhou por uma única razão. Porque à partida, para contentar todos os militantes anti PPP, o governo decidiu guardar uma parte importante da gestão daquele PPP, exatamente a mais vulnerável como estamos a ver, a do controlo da sua execução, pondo à frente dele gestores corruptos e corruptores que depois de se terem enchido os bolsos dão às de Vila-Diogo.

Para que as coisas funcionem como deve ser não se podem tomar meias-medidas. Ou o estado assume a obra total com os seus funcionários ou a entrega totalmente à empresa privada. Se o controlo estivesse numa segunda empresa privada e nela tivessem aparecido outros Porters do mesmo calibre o estado iria cair em cima das seguradores e dos fiadores das empresas ou mesmo da fiança deixada em depósito e os contribuintes não teriam tanto a despender com comissões e inquéritos policiais desta envergadura.

Mas enquanto os governos de passagem tiverem que agradar à esquerda e à direita, os bandidos vão-se esgueirando pelas frinchas.

 

Editorial
Face às recentes revelações dos inspetores de polícia da brigada «Marteau» – encarregada de inquirir sobre a infiltração do crime organizado no mundo dos negócios, mas sobretudo nas empresas de construção civil – o público, mais uma vez, ficou a saber para onde vai o dinheiro dos seus impostos – para o bolso de criminosos de gravata de alto coturno.
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