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rss  Vol. XVIII - Nº 309         Montreal, QC, Canadá - quinta-feira, 06 de Agosto de 2020
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Comunicação, Informação ou Comentários de Texto Plagiado?

Fernando Pires

Por Fernando Pires

Deixei-me dizer que não sou um especialista da comunicação, nem tão pouco conseguirei esclarecer algumas questões sobre o assunto aqui tratado. No entanto, vou tentar dar algumas pistas históricas da comunicação e informação jornalística que influenciaram as sociedades e o início do desenvolvimento, e destes dois conceitos acima mencionados.

Se agora me perguntarem se sou um bom comunicador, eu direi que sou um dos piores comunicadores quando se trata de escrever, simplificando a linguagem para que todos possam compreender o texto! No entanto, é porque talvez a simplificação dos conteúdos informativos me arrepiam quando inundam de tal maneira a sociedade dos tempos modernos como exigência da informação, que temos que remar contra a maré.Daí talvez o dilema deste vosso escriba que entrou demasiado tarde na esfera da comunicação como autodidata, sendo agora por vezes difícil trocar em miúdos certas palavras. Mas se tudo é informação, nem tudo é comunicação.

A comunicação pode ser outra música, mais complexa que exige pesquisa e reflexão.

Contudo tentamos fazer todo o possível, não sabendo até que ponto os leitores estão dispostos a me lerem ou se fogem de mim! E porquê? Porque talvez não seja um bom comunicador não sei lançar a isca, e o «peixe graúdo», esse, é sintoma de uma certa elite cerebral, carunchosa, que morde a isca, mas às vezes se afasta. Lá aparece um ou outro, mas o cardume procura outro coral marítimo!

Deixemo-nos de metáforas e vamos tentar abordar alguns modestos pormenores sobre o enredo do assunto, deixando a tese dos dois conceitos como tese académica aos novos estudiosos na matéria!

A informação, a partir do século XIV, apareceu como comunicação escrita, tendo como seu criador o alemão Johannes Gutenberg. Foi também em 1517 que Martinho Lutero, num comunicado de informação fixado à porta duma igreja católica, reivindicou a separação dos poderes da igreja alemã da tutela do Vaticano.

Da revolução da escrita, nasceu também a impressão de livros, começando pelo primeiro livro bíblico impresso pela primeira vez na Grécia. A reivindicação de Lutero teve como consequência a classe dos agricultores alemãs se oporem contra a prepotência do Vaticano, dando depois início ao Protestantismo que hoje tem várias ramificações!

Entre 1760 e 1820-1840 a Revolução Industrial na Inglaterra, que se estendeu depois na Europa a partir de 1840, deu azo a um certo tipo de comunicação e informação; sobretudo nas classes mais instruídas com a filosofia das luzes, e com o aparecimento mais tarde de uma imprensa de jornais e panfletos que se propagavam por toda a Europa, a América, e não só. Depois da primeira e segunda grandes guerras mundiais, sobretudo da segunda, começaram a surgir novas técnicas da informação divulgadas por muitos progressistas dos países mais desenvolvidos, como foi o caso da Alemanha, da França, da Inglaterra, etc.

Até os anos 80, a informação começou a ser dominada pelos grandes monopólios da comunicação, que começaram a controlar jornais, revistas, edições de livros, a nível da escrita. Mas foi durante a segunda guerra mundial, que entrou em cena a comunicação oral com a rádio em força e a televisão.

E cá estamos hoje a contas com a Internet, que de uma certa maneira democratizou as sociedades «pondo fim» a um certo monopólio da cultura escrita. Contudo, deve dizer-se que hoje fazemos frente a outros monopólios mais modernos que se acapararam subtilmente da comunicação e controlam a informação, dando origem a uma trapalhada, que não se sabe se informa ou se desinforma?!

De modo que grande parte da comunicação anda no baile dos tabletes e muitas mensagens, passam a rasar a trave, sem conteúdos de goleada.

Dominique Wolton, um dos especialistas da comunicação, diz nos que quando se trata de assuntos de comunicação e informação política – «a política faz pensar». Tal não é o caso para muitos que vêm a política de forma partidária manipuladora, por vezes carregada de emoção ou oportunismo, como se isso fosse assim tão simples. Ora já antes, e hoje mais do que nunca, se anda embrulhado nos dois assuntos, ou seja, comunicação, informação, e mensagens. E é aqui, que quando se comunica ou informa, que precisamos conhecer a utilidade desta matéria para fazer a distinção entre demagogia ideológica, em termos de comunicação, ou mediocridade informativa esgaravatada em textos sem identidade; e, por vezes, obcecação sobre tal partido, só porque são contra tais argumentos que circulam na informação pública, sem que por vezes tenhamos um conhecimento aprofundado da exigência dos conceitos a aplicar.

Um exemplo: atualmente ainda se fala muito da «Carta dos Valores» e do partido agora no poder, como se isto seja algo que nos traz a peste da democracia. No entanto, o contexto para já ainda se presta ao debate. Mas o debate acabou, porque há pouca matéria na comunicação de qualidade para que muitos dos comunicadores estejam à altura de temperar as suas posições. Ora a posição principal, aqui, é uma posição de cidadão, e não de partidarismo. Dentro dos nossos limites o que podemos observar em relação à carta, não a carta dita de valores, mas a carta da língua, diríamos que uma implica a outra tendo a Carta para nós, supremacia. Apesar de tudo deve dizer-se que aqueles que são contra a lei 101 estão eles mesmos, sem se darem conta, absorvidos por ingredientes de valores religiosos tão subtis que primam sobre os valores da laicidade!

Para nós este governo deve primeiramente defender a língua, que é o nervo da soberania, como diria Pessoa. Referindo «língua=sangue» e não a carta de valores, isto porque o Quebeque está encravado no espaço norte-americano, rodeado por um elefante de língua inglesa (como dizia Pierre Elliott Trudeau), que atualmente engole a grande parte das culturas mundiais. Dentro desta nossa modesta opinião, penso que não tenho espaço para abordar outros aspetos que faltariam para melhor esclarecer o leitor. Contudo, há por aí pasquins na nossa praça que desinformam em vez de informarem, mandando pastar a análise crítica positiva que é saudável para a informação da democracia.

Concluo, dizendo que hoje as novas tecnologias têm tido uma grande influência

na evolução da mente dos cidadãos. Contudo, pergunto-me se não contribuímos também para um vazio dos conteúdos, «limitando a grande massa dos cidadãos» do acesso à informação com horizontes alargados, deixando para trás uma consciência cultural, política, social e religiosa, que deveria ajudar o cidadão a devastar esta floresta da criptografia?!

Ref.: Dominique Wolton – É Preciso Salvar a Comunicação.

Edição Flammarion, Paris 2005.

Montreal – 10-04-2014.

 

Crónica
Deixei-me dizer que não sou um especialista da comunicação, nem tão pouco conseguirei esclarecer algumas questões sobre o assunto aqui tratado. No entanto, vou tentar dar algumas pistas históricas da comunicação e informação jornalística que influenciaram as sociedades e o início do desenvolvimento, e destes dois conceitos acima mencionados.
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