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rss  Vol. XVIII - Nº 309         Montreal, QC, Canadá - sexta-feira, 28 de Fevereiro de 2020
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A SATA alugada

Osvaldo Cabral

Por Osvaldo Cabral

Vem aí mais borrasca na SATA.

O Relatório e Contas do ano passado, recheado de surpresas, ainda não foi divulgado e já se metem mãos à cabeça com os resultados do primeiro trimestre deste ano.

A SATA está a sofrer os efeitos dos imensos erros que cometeu nos últimos anos, com operações desastrosas, estratégias erradas e escolhas de administradores que revelaram uma incompetência mal disfarçada.

Se for verdade que o défice operacional do ano passado, somado à falta de pagamento das indemnizações compensatórias, rondar os 100 milhões de euros, vamos a caminho de mais uma dor de cabeça para a região.

Se for verdade que só no mês passado a SATA já recorreu, por 18 vezes, ao aluguer de aviões da White e da Euroatlantic, então não haverá buraco que aguente tamanho poço de ar.

Uma empresa que reforçou a sua frota, inventou novas rotas, aumentou o seu potencial laboral e até fez crescer o número de administradores, mas que perde cerca de 200 mil passageiros num abrir e fechar de olhos, não terá grande futuro.

Em 2010 o descalabro atingiu os 3,5 milhões de euros (1 milhão na SATA Air Açores e o restante na SATA Internacional), com as culpas atribuídas às «cinzas vulcânicas» e aos «pacotes de austeridade», coisas que não atingiram, pelos vistos, as outras companhias, inclusive a TAP, que apresentaram lucros.

Daí para cá tem sido tiro e queda, com um péssimo comportamento operacional e sem estratégia que se vislumbre no sentido de recuperar passageiros.

Este ano qual será a explicação?

Até aquela trapalhada, em que se envolveu o governo regional, para retirar 21,5 milhões de euros ao capital social da empresa, para «cobertura de prejuízos», ajudou a enterrar uma empresa que tinha demonstrado solidez há uma década e até era cobiçada por privados.

Por cada novo administrador que entrava na gestão da SATA, nascia um pacote de medidas geniais, à espera do milagre da ressurreição.

Só para lembrar algumas: retirar os jornais de bordo «para aliviar o peso e poupar no combustível»; anúncio do fecho de balcões e recuo na medida por forte pressão dos lobbies municipais; dispensa de um Airbus, que diziam estar a mais, e novo recuo; cobrança de 15 euros por passageiro que queira estender as pernas; criação do «extra seat confort» para quem quiser viajar com a cadeira do lado vazia; aumento de quase 400 por cento na cobrança por cada quilo a mais na bagagem; taxa pelo transporte de equipamento desportivo; «murro na mesa» do governo para acabar com a falida rota Lisboa-Funchal-Lisboa; rotas para o Brasil em concorrência com a TAP; operação Munique abortada; anúncios internacionais para venda de aeronaves que afinal era «só para saber o valor no mercado»; aumento das tarifas para os emigrantes, como acontece outra vez este ano, na altura do Santo Cristo e das Sanjoaninas, numa exploração desenfreada do mercado...

A SATA beneficiou do estatuto de «Operador Regular» para os EUA e Canadá, permitindo-lhe parcerias com a US Airways e outras companhias americanas e canadianas.

Fez disso uma grande bandeira e atiraram-se foguetes.

Por cada deslocação de um governante às comunidades, havia um discurso com a promessa de «novidades».

Resultado: nunca os açorianos residentes naqueles países viajaram tão caro nas suas vidas como agora.

Por cá, queixamo-nos todos do mesmo e não se vislumbra fumo branco para a proposta das novas obrigações de serviço público, fechadas a sete chaves nas gavetas do Ministério centrista da Economia, desde Maio de 2012.

E o governo regional não parece muito preocupado com isso.

Não se percebe como é que uma companhia, com novos aviões, mais eficientes e mais económicos, com o historial que possui, com a experiência dos seus quadros, com cerca de 22 mil voos por ano, não consegue estabelecer operações equilibradas e tarifas mais justas.

A turbulência a que vamos assistindo nos últimos tempos não augura nada de bom.

E se é para termos uma companhia que agora se dedica ao fretamento de aviões dia sim, dia não, o melhor é alugá-la toda de uma vez.

Crónica
O Relatório e Contas do ano passado, recheado de surpresas, ainda não foi divulgado e já se metem mãos à cabeça com os resultados do primeiro trimestre deste ano.
A SATA alugada.doc
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