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rss  Vol. XVIII - Nº 308         Montreal, QC, Canadá - terça-feira, 07 de Abril de 2020
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Padre José Maria Cardoso

Uma comunidade rendida ao seu apego!

Norberto Aguiar

Por Norberto Aguiar

O padre José Maria Cardoso foi alvo de uma grande manifestação de carinho por parte da comunidade que serve vai em 15 anos. E essa prova de amor que recebeu da comunidade católica portuguesa de Montreal foi dada em dois tempos. O primeiro teve como palco a Igreja Santa Cruz, onde a Eucaristia lhe foi dedicada. Já o segundo, de ordem profana, realizou-se na cave da Missão Santa Cruz, engalanada das suas melhores vestes, não fosse o homenageado o seu Homem Maior.

Com a igreja cheia, a missa de domingo, dia 26 de abril passado, para além do normal desenvolvimento religioso, sob a coordenação do conhecidíssimo padre António Araújo, também foi salpicada de sabores artísticos, onde houve um pouco de tudo, desde o dedilhar de violas e guitarras (José João, Liberto Medeiros, Paulo Gomes, Armando Loureiro...) até ao tradicional folclore, passando pelas vozes (Marta Raposo...) e música dos coros presentes. Tudo isto na presença duma plateia rendida ao seu pároco, acabado de comemorar os seus 25 anos de sacerdócio.

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No fim da missa, com as irmãs, agradecendo o amor e carinho por banda de todos os paroquianos.
Foto  - LusoPresse

Mas não foi só dos paroquianos santa-cruzenses que o padre José Maria Cardoso recebeu carinho e amor. Também os seus colegas padres, alguns que até passaram pela Missão Santa Cruz, quiseram prestar-lhe o seu afeto. E de todos, o mais distinguido foi o padre André Leblanc, que há 60 anos fundou a comunidade católica portuguesa na cidade. Apesar da sua adiantada idade, lá estava o vigoroso ancião no interpretar do seu papel. Mais tarde, no decorrer da festa profana, o padre Leblanc, como é simplesmente conhecido, não deixou de corresponder a todos aqueles que se lhe dirigiram.

Noutro plano, o destaque vai para o amor fraterno que recebeu o sacerdote aniversariante, e que veio lá do alto do nosso país, do Minho. Veio por intermédio das duas irmãs, Maria do Carmo e Ana Maria, mais a sobrinha Helena, qual delas estava mais feliz com tanto amor, carinho e afeto com que foi cumulado o seu mano padre. Isso mesmo nos disseram a Ana Maria e a Helena, para as câmaras da LusaQ TV e para o LusoPresse. «Estamos tão felizes pelo amor que sabemos estes paroquianos dispensam ao meu irmão».

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Com Marta Raposo, o fado a dois foi bonito de se ver.
Foto  - LusoPresse

Ainda na homília, já depois das palavras simpáticas e apropriadas do padre Araújo para com o seu conterrâneo, José Maria Cardoso haveria de considerar, qual fábula da raposa, o quanto é preciso, para se amar e ser-se amado o «unir» e o «prender». Foi o unir e o prender, como nos disse, que fez com que «esta comunidade tivesse crescido ao aceitar o desafio da unidade, trilhando o caminho da paz e do amor, quando cá cheguei há 15 anos». Mais adiante, o sacerdote vimaranense consideraria também que «fiz tudo para que esta comunidade em comunhão de esforços pudesse ser uma comunidade unida para poder ser próspera». E ainda depois, mas já virado para outra direção, que se espera – pelo menos os católicos de Santa Cruz – esteja ainda longe no horizonte, José Maria Cardoso haveria de concluir que a partida será tanto ou mais difícil do que a chegada...

A este propósito, interpelado por nós no final da missa em sua honra, o admirado padre esclareceria que «Não, não está definida. No entanto, um dia terá de ser, por benéfica para ambas as partes», rematou o religioso sobre a possibilidade de deixar a comunidade, ele que já percorreu paragens tão díspares como o Benim, em África.

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Carlos Leitão,novo ministro das Finanças do Quebeque, também marcou presença na concorrida festa dos 25 anos de sacerdócio do padre José Maria Cardoso. Ladeiam-no sua mãe e respectiva esposa.
Foto  - LusoPresse

Já com a homília concluída, o padre José Maria, que se sabia fortemente requisitado para se apresentar na sala do subsolo da igreja, onde o esperavam todos os convidados e católicos em geral para um divertido almoço – ou jantar? – em família, não recusou ainda assim falar para o LusoPresse e LusaQ TV. Na ocasião fizemos-lhe algumas perguntas. As respostas vieram com a sensibilidade que o caracteriza, diretas e verdadeiras, como seja o contar como e quando optou pela vida de mensageiro de Deus. Também disse que a decisão não foi fácil de tomar. Não estabelecer família e deixar os entes mais queridos e amigos para integrar a família da Igreja, custou-lhe. A sua sinceridade não deixa dúvidas. Mas hoje, 25 anos depois, estamos certos que o padre José Maria Cardoso terá escolhido o (seu) bom caminho. A prova provada esteve na homenagem que lhe foi vibrantemente prestada.

Música, fados e mensagens

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Os cristãos da comunidade acorreram em grande número para celebrar com o seu amado pároco os seus 25 anos de sacerdócio.
Foto  - LusoPresse

A entrada do padre, que também é poeta e escritor – também canta fado nas horas vagas – na sala da festa deu-se debaixo de um coro de palmas. José Maria Cardoso entrou ladeado das duas irmãs, que se deslocaram a Montreal expressamente para o efeito. Logo que chegou à sua mesa, no centro da enorme sala, o padre José Maria voltou a ser alvo de enorme carinho. Um brinde foi proposto em sua honra. Mais tarde, no palco, rodeado de artistas, ele viria a agradecer todas essas atenções. Que foram sempre acontecendo no decorrer da tarde e prosseguiram noite adentro. A animadora, Elisabeth Martins, ia dando disso conhecimento, ora lendo uma mensagem de felicitações (José Cesário, Dom Duarte de Bragança, mesmo a fadista Cláudia Madeira, que havia horas tinha deixado Montreal com destino a Portugal...), ora chamando mais um artista ao palco para mais uma interpretação dirigida ao homenageado.

Não querendo deixar ninguém fora da festa, os artistas presentes, em número elevadíssimo, foram Jordelina Benfeito, Marta Raposo, Vítor Vilela, Carlos Rodrigues, António Melo, Susi Silva, Luís Duarte, José João, António Moniz, Liberto Medeiros, Paulo Gomes; as jovens Carminda Gama (cantou «Une Colombe») e Marie-Ketely Gomes, que a acompanhou ao órgão (também nos disse que toca piano, clarinete, ukulele); a Tuna de Ouro da Universidade dos Tempos Livres; o Rancho Folclórico Português de Montreal; um artista brasileiro, assim como dois violinistas de origem búlgara. Todos deram um pouco de si para abrilhantarem a festa de 25 anos de sacerdócio do padre José Maria Cardoso.

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Padres José Maria Cardoso e André Leblanc, ou o passado e o presente da comunidade portuguesa cristã.
Foto  - LusoPresse

No entretanto, assistimos ao momento mais carinhoso da festa quando a Marta Raposo chamou o padre José Maria para interpretar com ela o fado de Frei Hermano da Câmara, «Ser fadista foi o meu sonho». Foi bonito de se ver.

O resto da festa foi preenchido com o baile, a entrega de algumas prendas e algumas dedicatórias de pessoas amigas.

Note-se que entre os muitos convidados que participaram neste acontecimento comunitário se encontrava Carlos Leitão, o economista de origem portuguesa que desde há pouco tempo é o novo ministro das Finanças do Governo do Quebeque, sob a égide do Partido Liberal.

Comunidade
O padre José Maria Cardoso foi alvo de uma grande manifestação de carinho por parte da comunidade que serve vai em 15 anos. E essa prova de amor que recebeu da comunidade católica portuguesa de Montreal foi dada em dois tempos. O primeiro teve como palco a Igreja Santa Cruz, onde a Eucaristia lhe foi dedicada. Já o segundo, de ordem profana, realizou-se na cave da Missão Santa Cruz, engalanada das suas melhores vestes, não fosse o homenageado o seu Homem Maior.
Padre Jose Maria Cardoso.doc
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