logo
rss  Vol. XVIII - Nº 308         Montreal, QC, Canadá - quarta-feira, 12 de Agosto de 2020
arrowFicha Técnica arrowEstatutos arrowPesquisar arrowContactos arrowÚltima hora arrowClima arrowEndereços úteis
Partilhe com os seus amigos: Facebook

O futuro dos jornais nos Açores

Osvaldo Cabral

Por Osvaldo Cabral

Os jornais dos Açores enfrentam hoje desafios que vão afetar o seu futuro.

Alguns já encerraram e outros podem seguir o mesmo caminho se não alterarem a sua postura face à nova realidade da informação digital.

A imprensa açoriana continua a desenvolver a sua atividade assente na atividade tradicional do papel, confiante na velha audiência das assinaturas e num mercado publicitário cada vez mais frágil.

Esta estratégia centenária tem os dias contados.

O mundo de hoje já não está apenas no papel e a nova geração de leitores tem outros instrumentos para aceder mais facilmente à informação e ao conhecimento.

O papel não vai acabar, mas nunca mais será como dantes.

A sociedade digital que se está a construir, de dimensão global, fará com que a informação esteja cada vez mais acessível a toda a gente e em qualquer lugar.

Hoje, um habitante do pequeno Corvo está tão bem informado (ou talvez mais) como qualquer cidadão dos grandes meios urbanos.

Nos Açores não existe medição de audiências, pelo que é difícil objetivar a procura de informação em cada uma das ilhas.

Mas a participação, cada vez mais crescente, nas redes sociais, na aquisição de computadores e smartphones, na adesão aos serviços de internet, integrada nos pacotes das operadoras de televisão por cabo, fazem supor que o número de açorianos que acedem à informação noticiosa é cada vez maior.

Trata-se de uma tendência semelhante à que se vive no território nacional.

Durante o ano de 2013 os jornais com plataformas digitais e os canais de notícias no cabo aumentaram as suas audiências de forma exponencial.

O investimento na área digital já é considerável em todos os canais de televisão, que beneficiam de conteúdos com imagens em vídeo e do trabalho das suas imensas redações.

Mas os jornais também estão a despertar para esta realidade, não surpreendendo que, nos próximos tempos, aqui nos Açores, apareçam alguns que consigam aliar, também, os seus conteúdos à imagem.

É isto que revoluciona, hoje, as redações de qualquer jornal.

Serão cada vez mais notórias estas alterações aos conceitos tradicionais das redações dos jornais, que possuirão, para além do papel e esferográfica (agora computadores), câmaras de vídeo, pequenos estúdios e salas de edição, tal e qual como os grandes canais de televisão.

O jornalista do meu tempo, neste «Correio dos Açores», que saía da redação munido apenas de papel e lápis (mais tarde, gravador), terá de se dotar, daqui para a frente, de câmara de vídeo e portátil – computador ou smartphone – para enviar as imagens para a redação ou colocá-las de imediato na plataforma multimedia do jornal.

É a estratégia do futuro. Se os jornais dos Açores não aderirem a este novo paradigma, estarão condenados em pouco tempo.

Basta referir que mais de metade da população portuguesa – perto de 6 milhões – já utilizam a internet, com tendência para crescer todos os anos.

É uma média que transcende a do universo de internautas em todo o mundo, que se fica pelos cerca de 40%.

A extensão da rede de fibra ótica às ilhas das Flores e Corvo, as únicas que faltavam para completar o anel arquipelágico, e os investimentos que as operadoras de telecomunicações e de cabo estão a efetuar em todas as ilhas, são boas notícias para o setor da comunicação social açoriana.

Saibam os jornais adaptar-se a esta nova realidade digital e, certamente, terão muito mais possibilidades de expandir os seus negócios, agora a nível do arquipélago.

A própria utilização das redes sociais não deve amedrontar as redações. Pelo contrário, os jornalistas devem aproveitar o manancial dessas redes, cuidando-se, certamente, da natureza das informações e respetivas fontes.

A rede global Facebook, com mais de mil milhões de utilizadores em todo o mundo (o terceiro maior país do mundo), pode ser aproveitada pela comunicação social açoriana para estender a sua atividade e contacto com uma rede de leitores outrora impensável.

É o que já fazem os grandes títulos em todo o mundo.

No nosso país, quase metade da população (4,7 milhões) utiliza o Facebook com regularidade, partindo desta plataforma para outras, numa procura permanente, em cadeia, de mais informações e mais notícias.

Não admira, por isso, que o panorama entre a venda de jornais e de edições digitais esteja a alterar-se entre nós.

Ao longo de 2013 sucederam-se as quebras de venda de jornais, mas registaram-se aumentos interessantes nas edições digitais, como os casos do «Expresso» e do «Público», com mais de 7 mil e 4 mil assinaturas de edições em digital, respetivamente.

Em muitos países, o tempo médio que os cidadãos gastam, diariamente, na internet, já ultrapassa o da televisão.

É um hábito que também está a chegar aos Açores.

O acesso à informação através da rede móvel vai ser o futuro.

E os jornais dos Açores aderem à nova realidade ou ficarão reduzidos a uma audiência envelhecida e sem potencial de crescimento.

Pico da Pedra, no 94º aniversário do «Correio dos Açores».

Crónica
Os jornais dos Açores enfrentam hoje desafios que vão afetar o seu futuro.
O futuro dos jornais nos Aores.doc
no
O tempo no resto do mundo

Arquivos

Acordo Ortográfico

O que é o novo acordo?

O LusoPresse decidiu adotar o novo acordo ortográfico da língua portuguesa.

Todavia, estamos em fase de transição e durante algum tempo, utilizaremos as duas formas ortográficas, a antiga e a nova.   Contamos com a compreensão dos nossos leitores.

Carlos de Jesus
Diretor

 
LusoPresse - 2020