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rss  Vol. XVIII - Nº 308         Montreal, QC, Canadá - sexta-feira, 28 de Fevereiro de 2020
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Editorial

A vergonha radio-canadiana

Carlos de Jesus

Carlos de Jesus

Nos tempos que correm «toda a gente» se levanta para reclamar contra os cortes do financiamento da Sociedade Radio-Canada (SRC). Entre os contestatários, o próprio proprietário da Québecor, Pierre Karl Péladeau, oportunista notório, que ainda há bem pouco tempo, isto é, antes de entrar na vida política, dizia que o financiamento do governo à SRC fazia uma concorrência desleal às suas empresas de televisão (TVA, LCN, TVA Sports, Ilico, Ma Maison, etc. etc.).

O menos que se pode dizer é que a SRC bem tem corrido atrás do que lhe está a acontecer. Em vez de ser uma empresa pública, independente e bem representativa do conjunto da população, completamente desvinculada dos anunciantes e apenas devedora aos ouvintes que a financiam com os seus impostos, Radio-Canada tem-se tornado num ninho onde só a elite do Plateau (la gauche caviar, écolo, nacionalista e pequista) tem direito de cidade.

Um exemplo flagrante foi-nos dado na terça-feira desta semana.

Face à informação dada pelo ministério da Justiça (1) negando a existência dum parecer jurídico validando a constitucionalidade do projeto de lei do ex-ministro Bernard Drainville sobre a carta da laicidade, um grande número de comentadores e analistas começou a reclamar a demissão do pai da dita carta.

Face a este movimento de contestação o agora simples deputado Drainville manteve-se silencioso, recusando dar entrevistas à imprensa para grande gáudio dos caricaturistas.

Acontece que na terça-feira, o jornal La Presse publica uma carta aberta de Gérard Bouchard, copresidente da Comissão Bouchard-Taylor, historiador, sociólogo, professor universitário, e irmão do antigo primeiro-ministro pequista Lucien Bouchard. É o que se pode dizer uma voz de peso e que reclama a mesma coisa, a demissão de Bernard Drainville.

Desta feita, Bernard Drainville aceita vir a terreiro para se explicar. Mas escolhe bem o interlocutor, ou melhor a interlocutora, Marie-France Bazzo, a animadora esquerdina do programa da manhã da Radio-Canada.

E ele a repetir a mesma lengalenga anterior que sim, que tinha avisos jurídicos, que tinha conversado com muita gente, com advogados, etc. etc., com total desprezo pelos pareceres públicos contrários dados pelo Bastonário da Ordem dos Advogados, a Comissão dos Direitos da Pessoa, a Comissão sobre a Condição Feminina, antigos primeiros-ministros pequistas, intelectuais e humanistas.

Claro que madame Bazzo, embora fingindo contestar algumas das suas pretensões, não lhe falou do conteúdo da dita carta do ministério e deixou-o, uma vez mais, deitar cá para fora o chorrilho de argumentos especiosos sem a menor contestação factual da parte da entrevistadora.

Até aqui a coisa não é grave. Afinal Marie-France Bazzo não passa duma animadora e não se lhe pode exigir a ética jornalística duma sala de redação.

Mas é aqui que a porca torce o rabo. É a própria sala de redação da Radio-Canada, a quem incumbe um sentido de reserva, de objetividade e rigor, que agarra nas declarações de Drainville e as passa a repetir, sem a menor contestação, sem o menor filtro, durante os seus boletins de notícias. Já era facto notório que a sala de redação da RC era simpática à causa pequista, mas que desça a este nível de manipulação da opinião pública, de reabilitação de um dos seus (Bernard Drainville era jornalista daquela estação) é simplesmente escandaloso.

Se é para isto que serve o dinheiro dos impostos dos ouvintes radio-candianos, então que se feche a estação.

———-

1) Reprodução da carta do ministério da Justiça sobre os pareceres jurídicos. Deixamo-la no original para que não haja dúvidas interpretativas.

Le 30 avril 2014

Madame Stéphanie Vallée

Ministre de la justice et Procureure générale, ministre responsable de la condition féminine et de la région de l’Outaouais

 

Objet : Avis juridique portant sur les aspects constitutionnels de l’ensemble du projet de loi n° 60 : Charte affirmant les valeurs de laïcité et de neutralité religieuse de l»État ainsi que d»égalité entre les femmes et les hommes et encadrant les demandes d’accommodement (« Charte de la laïcité »)

Madame la Ministre,

Je fais suite à votre demande quant à savoir si le ministère de la Justice a été sollicité par le précédent gouvernement pour rédiger un avis juridique portant sur la constitutionnalité et la légalité de l’ensemble du projet de loi no 60 sur la Charte de la laïcité, avant qu’il ne soit soumis à l’Assemblée nationale. Dans la négative, vous me demandez s’il s’agit d’une pratique habituelle.

Je vous informe que le ministère de la Justice n’a pas été sollicité pour rédiger un avis juridique sur la constitutionnalité et la légalité de l’ensemble du projet de loi, pour permettre d’en évaluer les risques de contestation devant les tribunaux. Habituellement, un projet de cette nature fait l’objet d’une demande de produire un tel avis écrit.

Toutefois, il a été porté à ma connaissance qu’un avis portant sur les orientations gouvernementales, préalables au dépôt du projet de loi, avait été produit par Me Henri Brun en avril 2013. Cet avis n’a pas été sollicité par le ministère de la Justice ni transmis au ministère de la Justice dans le cadre de l»élaboration du projet de loi.

Quotidiennement, les juristes du ministère sont consultés sur de nombreuses questions, par exemple l»égalité entre les femmes et les hommes, la liberté de religion et le recours à la clause dérogatoire. C’est ce qui s’est produit dans le présent dossier. Toutefois, comme mentionné précédemment, il n’y a eu aucun avis juridique formel rédigé par le ministère de la Justice sur la constitutionnalité et la légalité de l’ensemble des dispositions du projet de Charte de la laïcité.

Je vous prie d’agréer, Madame la Ministre, l’expression de mes sentiments les meilleurs.

Me Nathalie G. Drouin, Ad. E.

Fonte : www.fil-information.gouv.qc.ca

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Nos tempos que correm «toda a gente» se levanta para reclamar contra os cortes do financiamento da Sociedade Radio-Canada (SRC). Entre os contestatários, o próprio proprietário da Québecor, Pierre Karl Péladeau, oportunista notório, que ainda há bem pouco tempo, isto é, antes de entrar na vida política, dizia que o financiamento do governo à SRC fazia uma concorrência desleal às suas empresas de televisão (TVA, LCN, TVA Sports, Ilico, Ma Maison, etc. etc.).
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