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rss  Vol. XVIII - Nº 308         Montreal, QC, Canadá - quinta-feira, 16 de Julho de 2020
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Do 25 de abril ao 24 de abril

Portugal não reconheceu ainda (oficialmente) o genocídio dos Arménios

Jules Nadeau

Por Jules Nadeau

No dia 25 de abril último, Portugal festejava o 40º aniversário da Revolução dos Cravos. A 24 de abril, outra data importante, os Arménios comemoravam o 99º aniversário do genocídio que causou a morte de um milhão e meio dos seus. Nem Portugal nem o Brasil não reconheceram ainda oficialmente o terrível acontecimento. Ambos não estão incluídos na lista dos 21 países (incluindo o Canadá e a França) que «passaram um decreto reconhecendo oficialmente os factos do genocídio».

No 24 de abril último, milhares de Arménios convergiram de novo para a colina parlamentar para marcar um «Je me souviens» («Lembro-me») da primeira grande limpeza étnica do século passado. A partir do Centro Comunitário Arménio (Ahuntsic-Cartierville), onze autocarros transportaram várias centenas de jovens e de menos jovens até à Tour de la Paix. Uma outra dezena de autocarros de Toronto. O genocídio perpetrado na época dos Jovens Turcos do Império Otomano estendeu-se durante um certo período de tempo, mas tudo começou no 24-25 de abril de 1915.

Discursos inflamados

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Os chefes religiosos, políticos e líderes da comunidade arménia condenaram em conjunto o genocídio de 1915 diante da Torre da Paz, em Otava.
Foto Jules Nadeau - LusoPresse

Ao chegar em frente do parlamento federal, a vigilância policial era muito cerrada. Os cartazes, as bandeirolas, assim como as bandeiras arménias, canadianas e quebequenses foram rapidamente desenroladas. De Montreal, a coroa de flores das igrejas arménias do Quebeque foi colocada por Berge Bartevian (um dos organizadores) no lugar de honra. O Padre Karnig Koyounian, prior da Igreja Sourp Hagop, tinha-me pedido no momento da partida: «Por favor, tire fotografias por mim!».

Depois, diversas personalidades tomaram a palavra. Em presença de alguns dignitários religiosos, todos de sotainas negras, o embaixador da Arménia fez um apelo vibrante. O mais notado foi pronunciado por Jim Karygiannis, ex-deputado liberal da região de Toronto, que se atacou violentamente aos Turcos da época otomana. Palavras muito duras também contra um grupo de turcos que decidiram, este ano, vir manifestar na colina parlamentar. Além disso, ainda a intervenção do Dr. Girair Basmadjian, presidente do comité nacional arménio do Canadá. A GRC vigiava os dois grupos separados por barreiras metálicas. Verdadeiramente deplorável que uma bandeira do Quebeque tivesse sido desenrolada pelos manifestantes turcos. Porquê esta desonestidade? Os Quebequenses denunciaram o genocídio. Desde 1998, que Montreal foi mesmo emparelhada com Erevan, capital arménia.

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O genocídio arménio começou nos dias 24 e 25 de abril de 1915 pelo Império Otomano. No próximo ano será comemorado o centenário deste triste acontecimento.
Foto Jules Nadeau - LusoPresse

Em seguida foi a marcha pacífica ao longo da rua Rideau. Os piões desta rua comercial pareciam surpreendidos pelo longo desfile de pessoas ao mesmo tempo barulhentas e determinadas. Mas disciplinadas. Felizmente, os slogans explicavam perfeitamente bem o significado da marcha. «Nunca mais haja genocídios!» «Parem de negar!».

Os Turcos negam tudo

Terceira etapa, como em 2013, foi o grande ajuntamento de cerca de 2 000 manifestantes no parque em face da embaixada de Ancara. Pelo segundo ano de seguida, manifestantes turcos agitando cartazes e bandeiras vermelhos esperavam-nos com o fim de contrabalançar o dia da recordação. Muita agitação e barulho pata tentar abafar os discursos dos Arménios. Mas como o nosso grupo era maior, a algazarra dos negadores não conseguiu abafar a mensagem. Também lá, grande aparato da GRC apesar da contenção exigida nos dois campos.

Os contra manifestantes ter-se-ão esquecido que na véspera (23 de abril), o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan tinha dado num comunicado em nove línguas os pêsames de Ancara aos «netos dos Arménios mortos em 1915»?

No nosso autocarro nº 21, que animava com humor Berge Bartanian, um pormenor me chamou a atenção: os jovens falavam principalmente o arménio entre si em vez do francês ou do inglês. É um facto que eles estudam em instituições (muito bem cotadas) como a Escola Sourp Hagop da rua Nadon (Ahuntsic-Cartierville).

Quem diz Arménios em Portugal pensa imediatamente no riquíssimo Calouste Sarkis Gulbenkian (1869-1955) que fez fortuna no petróleo. Todos os que visitam Lisboa, deviam consagrar uma manhã inteira ao magnífico museu da avenida de Berna onde estão recolhidos, entre outros, tesouros do Extremo-Oriente. E várias coleções extraordinárias. Inesquecíveis! Todos os Portugueses conhecem a importância da Fundação Gulbenkian na vida cultural do país.

Como me escreve (diretamente da pequena cidade turística de Yeghegnadzor da Arménia meridional) o meu amigo Antoine Terjanian, «eis uma prova tangível que a nossa amizade pelo povo português é de longa duração». Resumindo, no espírito de vanguarda do 25 de abril de 1974, os parlamentares de Lisboa estariam na altura de votar, depois de terem examinado as provas, uma resolução solidária e humanitária reconhecendo os factos do genocídio dos Arménios. Isto com o objetivo de evitar outros.

À espera de 2015, as comunidades das duas populações estabelecidas no Quebeque vão continuar a conhecer-se melhor pelas trocas ao nível dos jornais, da televisão ICI e das suas associações.

Enfim, tomo a liberdade de citar Antoine Terjanian que me fez esta confidência inesperada: «Além disso, tu podes dizer-lhes que sou um apreciador do fado e que estou constantemente a escutar Amália Rodrigues, Mísia, Mariza, etc...) E como bónus, desta última, ele acrescentou ao seu mail «Meu Fado Meu» melodia que «o deixa sempre arrepiado». Mesmo na sua pitoresca Yeghegnadzor.

 

 

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No dia 25 de abril último, Portugal festejava o 40º aniversário da Revolução dos Cravos. A 24 de abril, outra data importante, os Arménios comemoravam o 99º aniversário do genocídio que causou a morte de um milhão e meio dos seus. Nem Portugal nem o Brasil não reconheceram ainda oficialmente o terrível acontecimento. Ambos não estão incluídos na lista dos 21 países (incluindo o Canadá e a França) que «passaram um decreto reconhecendo oficialmente os factos do genocídio».
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