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rss  Vol. XVIII - Nº 308         Montreal, QC, Canadá - quarta-feira, 03 de Junho de 2020
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A política mal cheirosa

Osvaldo Cabral

Por Osvaldo Cabral

E pronto. Começou o foguetório com a saída da troika.

Era irresistível para o ego de políticos com o caráter de Passos e Portas, que passaram quase todo o mandato a atribuir culpas à troika pelas medidas gravosas que impuseram sempre aos mesmos.

Depois de tudo destruído, depois de tudo escaqueirado, depois de tudo arrasado, há tempo para o champanhe e para os sorrisos rasgados entre a única classe sobrevivente à hecatombe social que se nos abateu.

Triste sina a nossa, ainda a tempo de assistirmos a mais um espetáculo degradante de políticos que mentem compulsivamente, ao fazerem crer, com o mesmo descaramento de Sócrates, que um aumento de impostos não é nada disso, mas uma medida «amiga da economia».

Já aqui escrevi sobre esta nova dimensão da classe política atual, protagonizada por uma geração completamente falhada, onde impera a mediocridade e a impreparação a todos os níveis.

É um problema geracional porque também é muito sentido entre nós, nos Açores.

Nestas últimas décadas, tirando dois ou três casos, nunca mais tivemos políticos de grandes rasgos, firmes no caráter e honestos nas suas propostas.

Basta olhar para o parlamento regional, onde outrora vigoravam as competências técnica e política, em que sobressaía o chamado «grupo da Terceira», para dar lugar a uma pobreza franciscana de produção legislativa e oratória política.

O eleitorado açoriano é a paz de espírito e vai assistindo a estes sinais de degradação com a maior das benevolências.

O que se tem feito com os dinheiros públicos nesta terra devia envergonhar toda uma classe, já de si eleita por uma minoria dos que ainda vão votar.

E isto tanto vale para governantes, como para autarcas.

O caso das senhas de presença da Associação de Municípios de S. Miguel é apenas um sinal da podridão em que mergulhou a política destes tempos.

Autarcas que recebiam quase mil euros para estarem presentes por breves minutos numa reunião e que nunca se interrogaram ou duvidaram do pagamento abusador, deviam ser simplesmente banidos da atividade política.

Depois temos os inúmeros casos de dinheiros públicos atirados à rua.

O das obras da nova biblioteca de Angra é um dos maiores escândalos da nossa Autonomia, mas agora também ficamos a saber que a Câmara de Ponta Delgada vai pagar 600 mil euros ao gabinete do arquiteto Óscar Niemeyer pelo projeto do Museu de Arte Contemporânea que nunca foi construído nem nunca o será!

A confiança – que é a base do compromisso entre a política e os eleitores – anda cada vez mais perdida numa sociedade em que os valores da integridade e do mérito desapareceram da prática política.

Veja-se mais este caso da substituição da presidência da SATA, um rico exemplo da «via açoriana» em todo o seu esplendor.

Ainda bem que Jardim Gonçalves, Armando Vara ou Oliveira e Costa não vivem nos Açores, caso contrário já tinham sido nomeados para as nossas empresas públicas regionais...

Nisto de valores, até o mais alto magistrado da nação não resiste ao pagamento de favores e à inevitável política do amiguismo.

Condecorar amigos que contribuíram para uma eleição ou porque foram dirigentes de bancos públicos que dão prejuízo, é destruir, também, a base de confiança e de ética que deveriam presidir a qualquer eleito.

Como dizia o nosso saudoso amigo Jorge Nascimento Cabral, antes pobre e remediado do que «me(r)dalhado» toda a vida.

A política do nosso tempo tornou-se nisto mesmo: uma coisa mal cheirosa.

Crónica
E pronto. Começou o foguetório com a saída da troika.
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