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rss  Vol. XVIII - Nº 307         Montreal, QC, Canadá - sexta-feira, 28 de Fevereiro de 2020
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O escritor Rúben Correia em Montreal

O jovem escritor que sonha ser o 1° ministro de Portugal

Vitória Faria

Por Vitória Faria

No passado domingo dia 13 de abril, no Centro Comunitário do Divino Espírito Santo de Anjou, graças à colaboração do seu presidente senhor Carlos Almeida, que num curto lapso de tempo pode disponibilizar a sala e organizar um almoço, o LusoPresse teve o prazer de apresentar em exclusivo, assim como a LusaQ.Tv, o Rúben Miguel Pacheco Correia à nossa comunidade.

Quem é o Rúben Correia, de quem nunca tínhamos ouvido falar até este dia? É um jovem de 17 anos, com quatro livros publicados e uma montanha de sonhos e ambições, para a realização dos quais trabalha com ardor. É natural de Rabo de Peixe, nos Açores, onde vive com os pais, frequenta a escola secundária, toca guitarra da terra no grupo folclórico Gaivota, se reúne com os amigos como um jovem da sua idade e ainda arranja tempo para escrever.

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Na presença de Norberto Aguiar, Rúben Correia, um jovem cheio de maturidade, fala à plateia dos seus livros e da sua ambição de ser alguém na política regional ou nacional.
Fotógrafo Jules Nadeau - LusoPresse

Esta história algo inabitual começou numas férias em que visitou a Tunísia. O Rúben ficou fascinado com o país e, uma vez de volta a casa, pôs-se a escrever uma história cujo herói era um menino árabe da sua idade, isto é, com dez anos. Não revelou nada a ninguém e quando acabou o livro enviou-o por mail a várias editoras. Como não recebesse nenhuma resposta decidiu melhorá-lo e voltar a enviar. E um dia, ao regressar da escola, tinha uma resposta positiva duma editora de Lisboa. Contou então aos pais e, a partir daí, tudo se desenrolou rapidamente. O livro, que se intitula «Kamel e a Lâmpada Árabe» foi publicado em 2011, quando ele tinha 14 anos de idade.

Por essa altura já tinha escrito o segundo livro – «O Planeta Fogo» – uma história inspirada por uma aula de Ciências, em que o professor falou dos perigos da poluição. Assim, o que acontece é que o Sol explode e mata toda a vida na Terra. O livro quer-se uma apologia duma atividade responsável por parte dos habitantes do nosso planeta. Este saiu em livraria no ano seguinte e, em 2013, foi rodada uma curta-metragem tirada da história.

No final de 2012 foi publicado o terceiro livro «O Pinhal dos Segredos e outras aventuras no Natal», o qual procura ensinar que a quadra natalícia não é uma altura de receber presentes mas sim de partilhar, de festejar com os amigos e a família e, subjacentemente, uma crítica ao consumismo. Em 2013 saiu um quarto livro, o qual se insere dentro da coleção «Heróis à moda de». Trata-se de uma equipa de autores que escrevem com regionalismos para que tais expressões não se percam nesta era de mundialização, com um léxico no final do volume. Desta vez trata-se de «Heróis à moda dos Açores» e é escrito em colaboração com Humberta Araújo.

Evidentemente que o Rúben continua a escrever. Ele que já lia poesia da Sophia de Mello Breyner Andresen ainda pequeno, que andava sempre com os bolsos cheios de poemas que tinha escrito, agora o seu autor preferido é José Saramago. A partir de 2012 começou a ser convidado para ir apresentar os seus livros em Lisboa e foi recebido por diversas entidades, primeiro pelo Ministro da Educação, depois pelo Secretário de Estado do Desporto e da Juventude, pelo Dr. Mário Soares e, finalmente, pelo Presidente da República e pelo Primeiro-Ministro. Todos os postos de televisão portuguesa, assim como muitas estações de rádio também quiseram conhecer o precoce escritor. Ao longo das entrevistas acabou por confessar com toda a candura que o seu sonho é ser primeiro-ministro para melhor servir o país e contribuir para o bem comum. Contudo, como está habituado a apostar no esforço, já planificou a sua preparação, que vai começar com a sua próxima entrada em Direito, e depois completá-la com uma formação política. Àqueles a quem possa parecer pretensiosa a ambição de Rúben ele confessa que tomou por lema uma frase de Fernando Pessoa «Posso não ser nada e não ter tudo, aparte disso tenho em mim todos os sonhos do universo».

Nesta sua visita a Toronto, que já não é a primeira ao Canadá, o Rúben Correia visitou as escolas portuguesas da cidade, assim como algumas escolas públicas onde o português é ensinado. Falou dos seus livros e escutou as queixas dos alunos e dos pais pela falta de acesso a livros na nossa língua. Foi também essa a problemática que foi apresentada pela assistência no Centro do Espírito Santo de Anjou, na qual estavam presentes vários antigos e atuais professores de português das escolas de Montreal. Todos estavam impressionados com a maturidade do jovem escritor e com a sua firme determinação, sem nenhuma vaidade mas com um sincero desejo de servir. Claro que, como ele próprio confessou em resposta a uma pergunta direta sobre como era visto em Rabo de Peixe, disse por vezes ser malvisto, pois há sempre um grupo de «intelectuais» que pensam ser os donos da cultura açoriana. Embora tivesse trazido consigo alguns livros no caso de haver pessoas interessadas em adquiri-los, para nossa grande pena os volumes não chegaram para contentar todos os presentes. Tratava-se apenas do segundo livro, o primeiro estando em fase de impressão da terceira edição e o último esgotado. Prometeu voltar a Montreal mas desta vez com muitos mais exemplares e de todos os seus livros. Se forem todos como «O Planeta Fogo», que tivemos o prazer de ler e admirar as belas ilustrações, os nossos jovens têm garantidas umas boas horas de prazer de leitura, assim como os pais, pois o nosso coração de criança também é sensível às aventuras de Mateus e Arene.

Literatura
No passado domingo dia 13 de abril, no Centro Comunitário do Divino Espírito Santo de Anjou, graças à colaboração do seu presidente senhor Carlos Almeida, que num curto lapso de tempo pode disponibilizar a sala e organizar um almoço, o LusoPresse teve o prazer de apresentar em exclusivo, assim como a LusaQ.Tv, o Rúben Miguel Pacheco Correia à nossa comunidade.
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