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Procissão do Senhor dos Passos de Florianópolis

Património Cultural Imaterial

Lélia Pereira da Silva Nunes

Por Lélia Pereira da Silva Nunes

Quando o manto da noite agasalhou a Ilha de Santa Catarina no sábado que passou, a imagem do Senhor Bom Jesus dos Passos mais uma vez sairá em procissão pelas ruas da Velha Desterro. Uma tradição religiosa que se repete há 248 anos retratando a fé inigualável, marca identitária da alma do florianopolitano.

É uma das maiores manifestações da cultura popular de Santa Catarina, verdadeiro patrimônio espiritual de sua gente e um dos símbolos da cidade de Florianópolis, tanto quanto a nossa Ponte Hercílio Luz que com seus braços de ferro nos une ao continente desde maio de 1926. Por tudo que representa é um Bem Cultural de natureza intangível tombado pelo Estado como Patrimônio Cultural Imaterial de Santa Catarina. Está em andamento no Instituto de Património Histórico e Artístico Nacional, IPHAN/MINC, o processo de reconhecimento de seu inegável valor cultural. Assim, muito em breve, a Procissão do Senhor dos Passos estará inscrita no Livro dos Registros do Património Cultural Imaterial do Brasil.

A Procissão do Senhor dos Passos pouco mudou em seus 248 anos de realização, sob a organização da Irmandade do Senhor Jesus dos Passos, fundada no dia 1º de janeiro de 1765, tendo no quadro dos fundadores o madeirense Padre Marcelino de Sousa e Abreu e os açorianos Tomás Francisco da Costa, Manuel de Sousa da Silva, Manuel de Medeiros e Sousa e Manuel Vieira Maciel. Nos dias atuais a Irmandade desempenha um relevante papel na vida de Florianópolis. Sua atuação se destaca no exercício da caridade, na administração do Imperial Hospital de Caridade, construído em terreno doado pelo açoriano, da Ilha do Faial, André Vieira da Rosa.

No livro de Atas da Irmandade há o registro minucioso da primeira procissão realizada em 1766, dois anos após a chegada da veneranda imagem. Rituais simbólicos que atravessaram as dobras do tempo e continuam sendo celebrados – a Lavação da Imagem do Senhor Jesus dos Passos, três dias antes da procissão; a Missa e a Procissão do Carregador; a Transladação das Imagens e a Procissão do Encontro.

O Encontro das imagens do Senhor dos Passos, o Filho e Nossa Senhora das Dores, a Mãe acontece em frente à Catedral. O povo silencia, ouve-se o Sermão do Encontro. Dali as duas procissões se unificam e seguem em direção à Capela do Menino Deus, no Morro da Boa Vista, junto ao Imperial Hospital de Caridade onde permanecerá até o ano seguinte. Não sem antes, ao pé do morro, darem uma volta de 360° com a imagem do Senhor dos Passos, numa despedida aos fiéis e à Ilha.

Olhando aquele mar de gente em constante movimento, como as ondas do mar, não há como não reconhecer o seu maior significado para toda população que ali se encontra numa celebração de fé em comunhão com suas raízes seculares e sua história cultural.

Procissão do Senhor Jesus dos Passos, património cultural de Florianópolis é a cara da nossa gente.

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Crónica
Quando o manto da noite agasalhou a Ilha de Santa Catarina no sábado que passou, a imagem do Senhor Bom Jesus dos Passos mais uma vez sairá em procissão pelas ruas da Velha Desterro. Uma tradição religiosa que se repete há 248 anos retratando a fé inigualável, marca identitária da alma do florianopolitano.
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