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rss  Vol. XVIII - Nº 307         Montreal, QC, Canadá - terça-feira, 26 de Maio de 2020
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Os políticos comentadores

Osvaldo Cabral

Por Osvaldo Cabral

O caso entre José Sócrates e José Rodrigues dos Santos na RTP veio reabrir um debate interessante sobre o papel dos políticos nos espaços de comentário nas televisões.

Dos vários formatos em exibição, o de Sócrates é, na verdade, o que se presta a grandes confusões.

Se é um espaço de «opinião», o que faz ali o jornalista?

Não sendo uma entrevista, o jornalista torna-se dispensável. A sua presença, imposta pelas chefias, serve apenas para legitimar um formato sem contraditório, uma entrevista fingida, coisa única no panorama televisivo dos países livres.

O fenómeno já foi alvo de estudo e as conclusões dão que pensar: em todos os canais – generalistas e temáticos – podemos assistir a cerca de 70 horas de comentário político por semana, com a intervenção de 60 políticos na pele de comentadores.

A esmagadora maioria participa por razões de mera exposição mediática, mas os que dominam as audiências recebem boas compensações financeiras (segundo a imprensa, 10 mil euros por mês para Marcelo Rebelo de Sousa, 7 mil para Marques Mendes, 5 mil para Manuela Ferreira Leite e por aí fora... até José Sócrates, que não é remunerado, mas terá despesas pagas).

O palco privilegiado oferecido a estes «comentadores» torna-os influentes, mas é notório que não abandonam o seu ângulo partidário, quase sempre refletido nas suas opiniões.

Trata-se, portanto, de «informação» pouco isenta, com grandes doses de subjetividade e com motivações exclusivamente políticas no domínio da formação de opinião.

Rita Figueiras, uma especialista em Comunicação Política e que estudou o fenómeno, é perentória ao concluir que estes «comentadores» não são capazes de «gerar conhecimento», resumindo o ruído a uma «extensão da vida partidária», com a deslocação do «Parlamento para a televisão».

Outra especialista em televisão, Felisbela Lopes, pró-reitora da Universidade do Minho, também considera que «nós, telespetadores, olhamos para estes espaços como uma explicação da atualidade, quando na verdade se trata de uma interpretação ideológica».

Este «ciclo vicioso de comentadores» mata, à partida, o debate plural e sério que falta na sociedade portuguesa, limitando-se ao tradicional confronto partidário e, nalguns casos, com motivações pessoais de ambição política.

São os casos de Marcelo e de Sócrates, com este num registo de autoridade moral para se auto branquear e até insultar o entrevistador.

É o que dá convidar políticos para desempenharem papéis de ator no filme errado.

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PUXÃO DE ORELHAS I – Vitor Fraga no parlamento: «Eu próprio transmiti e dei indicações ao Conselho de Administração da SATA que qualquer operação fora da região que não fosse rentável era para cancelar (...) ».

Sobre lacunas nos horários de verão, Vitor Fraga garante que deu instruções à SATA para corrigi-las, «nomeadamente no que se refere às ligações à Terceira, Graciosa e Faial».

Coisa fantástica!

O Secretário da tutela a chamar, publicamente, de incompetentes aos administradores da SATA.

E na SATA – que há muito navega à bolina – ninguém bateu com a porta.

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PUXÃO DE ORELHAS II – Grande reboliço no seio do PS-Açores quando se soube que Vitor Fraga tinha contratado para assessor o filho do líder comunista Aníbal Pires.

Vasco Cordeiro, segundo rezem as crónicas, mandou cancelar o contrato.

O Secretário «desautorizador» deve ter pensado o mesmo que os «desautorizados» da SATA: não há motivo para ninguém bater com a porta...

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EMPREGO – Numa altura em que os Açores precisavam dos melhores especialistas em políticas de emprego, mandou embora Rui Bettencourt, um dos melhores entre os melhores.

Está a ser aproveitado em França, ao lado de Gilles Garel, um «guru» da Inovação, e de Jacques Lesourne, grande senhor do pensamento económico, que em conjunto escreveram vários capítulos do livro «La prospective stratégique en action», lançado no passado dia 12 de março, em Paris, numa sessão muito concorrida.

Rui Bettencourt veio aos Açores lançar, na semana passada, um outro livro, da sua autoria, onde faz uma excelente abordagem das ligações entre emprego e educação.

O governo açoriano, para se redimir, devia utilizá-lo como manual.

Crónica
O caso entre José Sócrates e José Rodrigues dos Santos na RTP veio reabrir um debate interessante sobre o papel dos políticos nos espaços de comentário nas televisões.
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