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rss  Vol. XVIII - Nº 307         Montreal, QC, Canadá - terça-feira, 31 de Março de 2020
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Florida: Um Estado dos Estados Unidos Sem Flores Nem Rosas!

Fernando Pires

Por Fernando Pires

Miami é um paraíso de Sol e Mar, com um grande espaço de praia muito interessante, e com muita areia e água clara e quente.

O mesmo não se pode dizer da cidade de Miami, perdoem-me aqueles a quem eu não agrado, mas pareceu-nos uma cidade fantasma, sem vida, nem gente em movimento, como noutras cidades urbanas, com pouca ligação de grande contacto social. Deu-nos a impressão que é um planeta para o futuro (próximo milénio?).

Fala-se muito da «Little Havana», pequena Havana, em termos de promoção publicitária, ou de boca em boca, sendo apontada como sítio turístico a visitar. Em termos de publicidade o mesmo não acontece com a «Little Haiti», que as agências turísticas não apontam como sendo de interesse turístico! É certo que em Miami Sul a língua espanhola é talvez tão utilizada como o inglês. Quanto à minha visita a «Little Havana», devo dizer que nada me impressionou. É um pequeno subúrbio que pode ser identificado como alguns subúrbios do «West Island». É uma espécie de lugar onde vi uns 30 cubanos jogarem cartas e dominó em grupos, como um passatempo de laser. São restos da cultura popular de origem cubana. Devo dizer que para além da sétima e oitava avenidas, que identificam certos hábitos culturais, o resto é publicidade comercial de uma sociedade incitando ao consumo. Ora da Florida do Key Oeste não posso dizer o mesmo. Aqui havia vida, e gente, e algum ambiente cubano, até eu seria capaz de aqui viver alguns tempos. Não foi por puro acaso que Ernest Hemingway decidiu aqui comprar casa e fixar residência. Não só quis ver Cuba por um canudo a 90 milhas de distância, como aí viveu alguns anos. Key Oeste tem um Porto de Mar esplêndido, uma vista maravilhosa, e não foi por acaso o sonho de um homem que tentou levar o comboio até lá, gastando milhões de dólares, e que o furacão de 100-160 km em 1935 desfez todas as estruturas desse caminho-de-ferro sonhado, acabando aqui o sonho com a morte do homem que imaginou tal projeto.

Também não podia deixar de visitar um dos muitos canais pantanosos que existem na Florida, e lá fui então para o percurso (no «airboat tours everglades») ver dois ou três aligatores e umas quantas aves. Nada de especial, era mais um «show-off business» que outra coisa. Talvez porque este organismo era privado. Segundo a minha mulher, havia um outro parque federal muito mais interessante.

Terminada a minha reserva de uma semana no hotel onde estávamos, a minha mulher foi permanecer com uma amiga ao norte de Fort Lauderdale. Eu encontrei outra boa pechincha num «Hostel», ou seja, um albergue da juventude de várias nacionalidades. Foi uma rica experiência com uma nova civilização de jovens com tabletes, talvez alguns com programas de ferramenta criptográfica. Eram quartos com seis camas, umas tarimbas; isto não foi novidade para mim, já numa outra vida, em França em 1959, partilhamos 8 tarimbas, quatro portugueses de um lado, e quatro argelinos do outro. Isto dentro de um vagão instalado na via-férrea que outrora teria servido de transporte de judeus para os campos de concentração de Hitler. Só que aqui neste Hostel havia condições de mais espaço, de higiene, e casa de banho. No vagão havia no centro apenas um fogão a carvão para cozinhar e dormir. Não podíamos estar sentados, os bancos, eram as nossas camas debaixo. No entanto convivi aqui com jovens dos cinco continentes, uma rica experiência que me pôs em contacto com treze nacionalidades. Havia um respeito mútuo entre jovens e pessoas mais velhas, compartilhando o mesmo quarto com seis camas, um sujeito do Missouri mais velho do que eu, e um hindu dos seus quarenta. Havia também casais que utilizaram este hostel, podendo optar por quarto misto, desde que as regras internas fossem cumpridas.

A avenida que mais me cativou em Miami Sul foi a avenida Meridiana, onde habita uma comunidade de origem judaica. A avenida Meridiana tem muitas árvores de um lado e de outro, que me encantaram. Árvores assim nunca tinha visto. Havia um corte nesta avenida pelo Parque Flamingo, que continua até ao Miami Beach Convention Center.

Depois de descrever todos estes pequenos detalhes, não posso deixar passar em silêncio um anúncio à entrada do Hall do Salão da Câmara Municipal de Miami Sul. Esta câmara anuncia sessões de dois organismos privados, de lésbicas e homossexuais, num espaço público. Não tenho nada contra a opção sexual destes grupos, têm todo o direito de o serem. O que me estomacou foi uma instituição pública, paga com o dinheiro dos cidadãos, albergar organismos privados! Para terminar, como bicho curioso que sou, sabendo eu que os motoristas de táxi são pessoas que melhor conhecem as cidades, aqui vai uma pergunta ao motorista de táxi: «Que pensa o Sr. de Miami? Dá-me impressão que é um paraíso de mar e sol.» A resposta veio logo. «Engana-se. Isto é um paraíso da especulação da finança imobiliária e da máfia, a riqueza controla parte do porto de mar e da cidade!»

Deixo-vos aqui, partilhando convosco esta minha rica experiência, esperando que possa ser útil a outros turistas visitantes.

Crónica
Miami é um paraíso de Sol e Mar, com um grande espaço de praia muito interessante, e com muita areia e água clara e quente.
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