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rss  Vol. XVIII - Nº 307         Montreal, QC, Canadá - sexta-feira, 21 de Fevereiro de 2020
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O LusoPresse em Seminário no Porto

«Imprensa Portuguesa no Quebeque: do corta e cola ao profissionalismo» *

Carlos de Jesus

Por Carlos de Jesus

Texto da comunicação apresentada pelo diretor do LusoPresse no Seminário Internacional sobre a «Imprensa de Língua Portuguesa no Mundo», realizado na semana passada no Porto, sob a direção do Centro de Estudos da População, Economia e Sociedade em colaboração com a Entidade Reguladora para a Comunicação Social, sob o patrocínio da Secretaria de Estado das Comunidades e com o apoio da Fundação Manuel António da Mota.

Não se pode compreender a evolução do jornalismo sem se compreender a evolução da sociedade onde ele se insere. Isto é verdade em todas as latitudes, línguas e culturas, mas é particularmente verdade nas comunidades emigrantes onde a relação entre o jornal e os seus leitores se reveste dum caráter particular, o de servir de cimento à sua coesão e à sua sobrevivência enquanto comunidade condenada à assimilação. No caso da imigração portuguesa no Quebeque, há uma outra característica a tomar em conta, é o facto de esta província canadiana ser a única sociedade francófona na América do Norte, com todas as vantagens e inconvenientes que isso representa para as comunidades imigrantes que são uma minoria dentro de uma sociedade minoritária.

A emigração portuguesa para o Quebeque, em números significativos, começou a verificar-se no princípio dos anos 50, tendo-se consensualmente aceite a data de 1953 como o ponto de partida para designar a chegada dos primeiros contingentes de imigrantes portugueses ao Canadá e ao Quebeque. Em 2003, os 50 anos da comunidade portuguesa do Quebeque foram celebrados com vários eventos de relevo, durante os quais se procurou sublinhar – com bastante êxito – o contributo económico e cultural dos lusitanos imigrantes junto da sociedade de acolhimento.

No ano passado, por ocasião da passagem do sexagésimo aniversário, embora com menos relevo – isto é, mais voltada para si mesma – a comunidade voltou a celebrar o evento, através das suas associações, organismos e imprensa.

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A imigração portuguesa no Quebeque foi, durante as primeiras décadas, principalmente oriunda das regiões rurais de Portugal e, na sua maioria, de origem açoriana. Este facto explica a baixa escolaridade dos imigrantes portugueses e a sua dispersão pelos quatro cantos do Quebeque. Foi com a chegada dos imigrantes políticos que aparece, em 1958, o primeiro jornal de língua portuguesa, o «Luso Canadiano», fundado por Henrique Tavares Bello, o qual tinha uma linha editorial claramente anti-situacionista.

Com o início das guerras em África, o governo de Salazar decidiu contrapor outra voz ao «Luso Canadiano», e deste modo, sob a instigação do Consulado de Portugal em Montreal, com a colaboração de um dos seus funcionários, resolveu criar um novo jornal. Nasceu assim, no dia 25 de abril de 1961, o segundo jornal em língua portuguesa, que manteve uma linha pró situacionista até aos alvores do 25 de Abril. Entretanto, com a morte do seu fundador, o «Luso Canadiano» acabou por desaparecer. Vários outros periódicos foram entretanto criados mas quase todos eles já desapareceram. Hoje restam praticamente dois: A Voz de Portugal e o LusoPresse.

Os primeiros jornais

Todos os jornais na época dispunham de poucos meios técnicos para a sua feitura e todos eles estavam mais voltados para a atualidade em Portugal do que para a atualidade local. As notícias relativas à sociedade de acolhimento eram completamente ignoradas. A principal fonte de notícias era a própria imprensa portuguesa que chegava de Lisboa, por avião, mas mesmo assim com alguns dias de atraso.

Os jornais chegados de Portugal eram passados em revista, cortavam-se as notícias em função dos interesses editoriais de cada um, colavam-se os recortes em folhas de montagem e enviava-se a montagem à tipografia que se encarregava da sua impressão.

O material local estava reduzido ao mínimo, geralmente aos anúncios publicitários e a um ou outro editorial que passou a ser composto localmente quando apareceu o primeiro tipógrafo português na comunidade. Mas mesmo assim os custos eram exorbitantes, tanto mais que os jornais eram – e ainda são – distribuídos gratuitamente.

A situação modificou-se significativamente quando, após o 25 de Abril, se sente que a comunidade precisa de ser informada com mais objetividade e mais em cima dos acontecimentos. Eu, pessoalmente, aproximei-me do então diretor do jornal «Voz de Portugal», Armando Barqueiro, que já havia algum tempo tinha vindo a moderar as tendências situacionistas nos seus editoriais, e propus-lhe que fundássemos um novo jornal. Foi assim que surgiu «A Voz de Portugal», que embora sendo, de um ponto de vista jurídico, um novo jornal, se reclamou sempre ser a continuação do primeiro, a tal ponto que ainda hoje ele reclama ser o mais antigo jornal de língua portuguesa do Canadá.

Criámos então, em 1975, com outros sócios, uma sociedade editora com atividades comerciais de edição e publicação capazes de sustentarem os novos meios técnicos para a feitura da nova versão do jornal, a saber uma fotocompositora e um minicomputador. Passámos assim a imprimir um jornal com um conteúdo local muito mais importante e um novo visual.

Entretanto levei para o jornal um jovem e prometedor jornalista, o Norberto Aguiar, que se ocupava principalmente de desporto. Foi ele que procurou dar a Voz de Portugal» uma nova direção, fazendo deste jornal um órgão de comunicação da comunidade e não uma correia de transmissão das notícias que chegavam de Portugal, largamente apoiadas, no pós 25 de Abril, pelo terminal de telex que a Lusa alimentava 24 horas por dia.

Razões económicas levaram entretanto a empresa a cindir-se em duas entidades. Uma puramente comercial encarregada da tipografia e a outra, pela edição do jornal. Esta alteração levou-me a sair da gestão do jornal e fiquei apenas ligado a ele como jornalista eventual.

O jornal tomou então uma linha comercial muito acentuada, a tal ponto que as notícias locais eram menosprezadas porque «não davam lucro». Norberto Aguiar, sentindo inglório o seu combate em prol da atividade comunitária, resolve sair e criar o seu próprio jornal segundo uma linha editorial muito clara – fazer do jornal um órgão da comunidade e promover atividades afins, de ordem cultural e social, que inspirassem esta mesma comunidade.

O LusoPresse

Foi por estas razões que nasceu, há 18 anos, o LusoPresse, um jornal que tem vindo a marcar a vida cultural, política e social da comunidade portuguesa do Quebeque e cuja influência vai hoje muito para além das fronteiras geográficas da comunidade luso quebequense, graças à Internet.

Em 2006, quando se quebrou o meu vínculo com «A Voz de Portugal» pelo facto de este ter sido vendido a um outro grupo de interesses, resolvi aceitar o convite do Norberto Aguiar para dirigir o LusoPresse e dar-lhe a viragem tecnológica que se impunha, isto é, a de criar a sua edição eletrónica na Web, com o seu próprio site e passar a estar presente nas redes sociais, com o Facebook e o Twitter.

A composição do jornal, que já se fazia por computador, passou a beneficiar da rede Internet, tendo os jornalistas, revisores e tradutores passado a colaborar à distância. Outro elemento importante digno de ser realçado foi a contratação de jornalistas profissionais a que o jornal se pode abalançar nos últimos anos. Tradicionalmente todos os jornais viviam do trabalho voluntário dos seus colaboradores que, por carolice e amor à língua portuguesa, alimentavam o conteúdo local dos jornais.

Esta evolução só foi possível graças à evolução da própria comunidade, que passou do estatuto de minoria invisível ao de reconhecimento por parte da sociedade canadiana pela qualidade humana e profissional dos seus membros.

Entre estas qualidades destacamos as proverbiais características dos imigrantes portugueses, como incansáveis trabalhadores, ordeiros, e facilmente integrados na sociedade de acolhimento, a tal ponto que por vezes se diz sermos uma minoria audível – por oposição às minorias visíveis – por causa do sotaque.

Com o crescimento da comunidade e o aumento da escolaridade dos filhos da segunda geração, os lusos quebequenses têm vindo a conquistar todas as esferas da vida social, artística e política, tanto a nível provincial como federal.

Uma comunidade em evolução

Os exemplos são inúmeros, mas realcemos alguns mais notáveis. No campo da saúde sobressai a figura do Dr. Horácio Arruda, Diretor Nacional da Saúde Pública do Quebeque e que é o porta-voz do governo que vem informar o público sempre que algum foco de epidemia se anuncia. No campo da economia, a do Dr. Carlos Leitão, considerado pela Bloomberg o segundo melhor economista mundial entre 2006 e 2008 e que se apresenta agora em política com grandes hipóteses de ser eleito e vir a ser o próximo ministro das finanças do Quebeque caso o Partido Liberal do Quebeque ganhe as eleições em curso. Ainda no campo político temos vários vereadores, presidentes de câmaras municipais e, mesmo a nível federal, temos a presidente do Parido Liberal do Canadá, secção Quebeque, a Alexandra Mendes que perdeu por uma unha negra o posto equivalente a nível pan-canadiano. No campo sindical sobressai Ken Pereira que se tornou num herói nacional por ter tido a coragem de enfrentar e denunciar os grupos mafiosos e a corrupção que infestam o mundo sindical. No campo desportivo temos entre muitos outros a campeã olímpica, Meghan Benfeito, o Mike Ribeiro, celebrado jogador internacional de hóquei no gelo. No teatro, citemos a Paula de Vasconcelos, diretora da companhia teatral Pigeons international, criadora e encenadora dum número sem conta de peças de teatro e dança, atualmente com uma peça em cena num dos teatros de vanguarda de Montreal, a qual será apresentada em junho deste ano no Teatro São Luiz, em Lisboa; no mesmo campo temos a Isabel dos Santos, que chegou a acumular o seu papel de vereadora municipal de Montreal e o de intérprete numa telenovela popular na televisão de Radio-Canada. No cinema, temos o Pedro Pires, realizador do filme premiado internacionalmente Triptyque, com Robert Lepage. Na música, salientamos o Alexandre da Costa, violinista emérito, vencedor do Musical American Artist of the Year em 2010. No campo universitário temos vários e ilustres professores cuja lista seria demasiado longa para os citar sem correr o risco de omitirmos alguns. No campo financeiro contamos com um organismo de primeira importância no impulso dado à comunidade, que é a Caisse Desjardins Portugaise, um banco cooperativo filiado na Caisse Desjardins, a mais importante entidade financeira do Quebeque. No campo profissional, já por várias vezes na imprensa canadiana tem vindo referido o facto de os portugueses fornecerem um dos mais importantes contingentes na Ordem dos Engenheiros. Embora não tão numerosos, a comunidade conta também com bastantes advogados, notários, contabilistas e pessoal médico. Podemos também referir que o único representante civil do Canadá no Conselho de Segurança Cibernética da NATO é um português de Montreal, nascido em Lisboa, o Dr. Tiago de Jesus.

Uma classe empresarial

No campo empresarial é de especial relevo o facto de termos vários gestores e homens de negócios de grande calibre que, embora não escondendo as suas origens portuguesas, são considerados pela comunidade de acolhimento como perfeitos quebequenses.

É o caso da Linen Chest, 15 lojas de grande superfície das mais reputadas no ramo, onde os produtores portugueses de atoalhados, loiças, cobres e outros artigos domésticos têm um aliado na pessoa do seu diretor, um português. É o caso igualmente do distribuidor de vinhos do Porto, Emanuel Cabral, que criou a sua própria linha, o «Porto Cabral», que se tornou a marca de vinhos do Porto mais popular no Quebeque.

No campo empresarial há, no entanto, um setor que se tornou no mais importante veículo para a promoção da comunidade portuguesa, da sua cultura e dos produtos portugueses em geral, é o da gastronomia.

Temos, sobretudo em Montreal, e várias vezes confirmado por viajantes conhecedores, que a mais sofisticada gastronomia portuguesa que os estrangeiros podem apreciar fora de Portugal se encontra nesta cidade. Também temos muitas churrascarias que fizeram a reputação da cozinha popular portuguesa, mas é a presença de grandes chefes, inovadores, arrojados, confiantes no saber fazer da cozinha portuguesa que nos honram neste campo; é o caso da Helena Loureiro, autêntica estrela da culinária de Montreal, com os seus dois restaurantes, o «Portus Calle», no centro do chamado bairro português de Montreal, e o «Helena» no centro histórico do Vieux Montréal. É o caso do empresário Carlos Ferreira, proprietário de vários restaurantes entre os quais o «Ferreira Café», centro de atração de tudo quanto Montreal tem de jet-set e que é também um grande impulsionador da nossa portugalidade no seio da comunidade quebequense.

Com cerca de 80 mil indivíduos, 55 mil dos quais vivem concentrados na área do grande Montreal, com três grandes centros comunitários (Igreja de Santa Cruz, Nossa Senhora de Fátima e os Unidos de Hull), com várias dezenas de associações de cariz social, desportivo, folclórico ou musical, algumas das quais em sedes próprias com um valor patrimonial superior a um milhão de dólares, a comunidade portuguesa foi criando também um número considerável de empresas, nos mais diversos setores de atividade, de tal modo que se consegue hoje, graças ao apoio publicitário fornecido pelos comerciantes, tanto de dentro da comunidade como de fora, manter, além dos dois jornais mencionados, outras publicações periódicas, um anuário, dois programas de televisão e dois programas de rádio em língua portuguesa.

Projetos e deceções

Tem sido pois, no interior desta comunidade, que o LusoPresse tem vindo a evoluir. E, fiel aos seus objetivos iniciais, este jornal tem procurado, ao longo da sua existência, promover todo um leque de atividades para promover a nossa cultura, a nossa língua, as nossas tradições e favorecer a inserção social, económica e política dos seus membros no concerto da sociedade de acolhimento.

Para tal, o jornal tem lançado as mais diversas atividades. Uma das primeiras iniciativas foi a de criar um grupo de jovens, sobretudo daqueles que tinham passado pelas escolas de português ao sábado e assim dar-lhes a oportunidade de criarem uma experiência jornalística e de implicação social, ao mesmo tempo que procuravam praticar e melhorar o seu português. Foi um verdadeiro alfobre de grandes talentos que hoje enriquecem a comunidade de acolhimento e nos enaltecem. Nesse quadro enviámos, em reportagem, jovens jornalistas ao Brasil, à África e a Portugal.

Criámos depois a tradição de celebrarmos todos os anos o «Dia da Mulher». Este ano vai ser o décimo quarto ano. Para o efeito temos abordado os mais variados temas, sob as mais diversas formas. Ora em forma de simpósio, de mesa redonda, de conferência, com ou sem público, mas de modo a refletir a realidade da mulher portuguesa no Canadá. Já nos honraram com a sua participação personalidades da vida pública portuguesa, que se deslocaram a Montreal para o efeito, como a Dra. Maria Barroso e a Dra. Manuela Aguiar (esta por três vezes, uma delas como Secretária de Estado das Comunidades).

Outro pretexto para promovermos atividades extra jornalísticas, junto da comunidade, tem sido a data do aniversário do jornal, utilizando igualmente o mesmo formato do «Dia da Mulher», isto é, através de conferências, simpósios, mesas redondas, grupos de discussão.

O mais importante foi há dois anos para celebrarmos o décimo quinto aniversário do jornal. Elaborámos um calendário que nos manteve ocupados durante todo o ano, com as mais diversas atividades sociais, culturais, políticas e desportivas, incluindo um ambicioso projeto que foi o de levarmos todas as associações a criarem um organismo de cúpula, com sede própria, cujo nome era «Casa de Portugal». Encontrámo-nos com todos os dirigentes associativos, promovemos mesas redondas em público, convidámos especialistas idóneos como consultantes, como o Prof. Dr. Victor Pereira da Rosa, da Universidade de Otava, que veio esclarecer, num debate público, as vantagens e inconvenientes duma tal iniciativa. Conseguimos, finalmente, reunir todos os presidentes de associações num hotel de Montreal, onde foi decidido que todos iriam convocar assembleias gerais de sócios para que o projeto fosse avante. Sempre insistimos para que tudo fosse feito com a mais completa transparência e democraticamente, tendo o jornal sempre sublinhado, ao longo de todo o processo, que apenas estava ali para apoiar os organismos e de modo algum querer substituir-se ou impor-se às associações comunitárias. Com a preocupação de que o processo fosse bem claro convidámos igualmente a Delegada do Conselho das Comunidades pelo Quebeque, a acompanhar-nos nesta diligência, facto que ela aceitou e correspondeu até ao fim.

Infelizmente o projeto acabou por abortar por razões que nunca nos foram comunicadas mas que julgamos conhecer. Não é demais afirmar que todos os custos envolvidos com este processo foram assumidos pelo LusoPresse, mas não estamos arrependidos. Esta foi a nossa forma de retribuir à comunidade um pouco do que ela nos tem dado.

Outro evento que também sobressaiu foi por ocasião do décimo aniversário onde foram realizadas as mais diversas atividades, com conferencistas convidados e discussões sobre os mais diversos aspetos da comunidade. O senhor Secretário de Estado das Comunidade, José Cesário, fez mesmo questão de estar presente na cessão de encerramento, o que muito nos honrou.

Mas a nossa participação na vida social, económica e política da comunidade não se tem feito só à volta dos nossos aniversários. A qualidade e o profissionalismo do nosso trabalho têm sido reconhecidos para além das fronteiras da comunidade. Foi no seio da nossa equipa que o Comité Consultatif de Radio-Canada veio buscar um conselheiro, assim como o jornal «The Gazette». Foi também com o LusoPresse que o principal jornal francófono da América do Norte, «La Presse», fez uma parceria para fazer uma reportagem em Portugal de lés a lés, por ocasião da Expo 98. Foi então publicado um «encarte» bilingue, naquele jornal e no nosso, com uma tiragem de 350 mil exemplares na sua edição de sábado.

Antes de terminar, quero sublinhar que ao longo da sua existência o LusoPresse nunca viu regateado o apoio e a colaboração de vários intelectuais portugueses, uns que nos cedem regularmente as suas crónicas, como é o caso do Prof. Onésimo Teotónio de Almeida, da Universidade Brown, ou do Prof. Victor Pereira da Rosa, da Universidade de Otava, que sempre que pode não nos nega o seu apoio e colaboração, e mais recentemente o caso de jornalistas reformados em Portugal que nos alimentam com material original.

Um dos aspetos que porventura passa mais despercebido do grande público mas que é de sublinhar quanto ao aspeto ético com que sempre temos vindo a publicar o LusoPresse, é que temos levado a nossa política editorial ao ponto de nos privarmos de boas receitas publicitárias quando o material proposto viola a nossa linha de respeito pelo leitor. É o caso dos anúncios de curandeiros, adivinhos e quejandos que recusamos sistematicamente.

Uma nova era

Recentemente, como prova da consideração, importância e do reconhecido profissionalismo de que temos dado provas, mesmo para além das fronteiras da diáspora, o canal de televisão «International Channel», convidou-nos a assumir a produção de um programa em língua portuguesa, disponível gratuitamente por antena e por cabo. Escusado será dizer que assumimos essa responsabilidade após longa reflexão. Desde novembro de 2013 a LusaQ.tv está no ar, com a mesma equipa do LusoPresse e mais alguns novos colaboradores.

Como mencionei no princípio, as comunidades emigrantes no Quebeque são minorias dentro duma minoria. 78% dos 8 milhões de habitantes desta província são de origem canadiana francesa o que faz com que esta sociedade, embora maioritariamente francófona, seja também uma minoria no oceano anglófono da América do Norte. Este facto tem repercussões sobre o uso da língua materna por parte dos imigrantes. Efetivamente, sobretudo na região de Montreal onde se concentra a maioria dos imigrantes e dos anglófonos do Quebeque, a dualidade linguística, francês inglês, faz com que a pressão sobre os imigrantes para que adotem no âmbito familiar e social o francês ou o inglês é bem menor do que aquela que se verifica nas outras sociedades mono linguísticas, onde a tendência para se abandonar a língua materna se começa a sentir desde a primeira geração de imigrantes. Esta característica do Quebeque faz com que a maioria dos filhos de imigrantes sejam trilingues, ou mesmo poliglotas, como é o caso dos meus netos filhos de uma mãe portuguesa e de um pai grego, cuja língua principal em casa é o inglês, o que é muito frequente nos casais mistos, e que vão à escola francesa, falam grego com os avós helénicos e português com os avós lusitanos. Tudo isto para concluir que é facto aceite que a qualidade da língua portuguesa falada pelos luso canadianos do Quebeque é ligeiramente superior à dos seus conterrâneos que emigraram para outras latitudes.

Antes de terminar, não posso deixar de mencionar o trabalho insuficiente dos correspondentes da Lusa no Canadá que, positiva e ostensivamente ignoram o nosso trabalho e o de todos os portugueses que por cá labutam em prol sua terra e preferem enviar notícias de «faits-divers» do que falar daquilo que é notícia da comunidade. O exemplo mais flagrante foi a notícia da Bloomberg sobre o Carlos Leitão, como segundo melhor economista mundial, que passou completamente fora do radar da correspondente da Lusa em Montreal e largamente noticiado pela imprensa canadiana at large.

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* Ao contrário do que tínhamos indicado na nota noticiosa do último número, sobre «Imprensa de Língua Portuguesa no Mundo» o texto desta comunicação não pode ser reproduzido por questões de ordem técnica pelo que o apresentamos aqui, na sua integralidade com os nossos pedidos de desculpa aos leitores.

Correção 1 – Ao contrário do que escrevemos na nota noticiosa sobre o encontro no Porto, as refeições foram oferta do Licor Beirão e o jantar do último dia foi pago pela empresa Douro Azul que explora os circuitos turísticos no Douro. A ambos os nossos agradecimentos e as nossas desculpas pela omissão.

Correção 2 – Em relação à mesma notícia, escreve-nos o senhor Abílio Bebiano da Agência AJBB, que considera que o seu trabalho e o da sua agência já são o «elo que falta» entre os jornais portugueses no estrangeiro e os anunciantes em Portugal e que no artigo lamentávamos que não existisse. Sem quereremos minorar o papel das agências de publicidade, o nosso fito ia mais longe que isso, mas aqui fica o reparo.

 

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Texto da comunicação apresentada pelo diretor do LusoPresse no Seminário Internacional sobre a «Imprensa de Língua Portuguesa no Mundo», realizado na semana passada no Porto, sob a direção do Centro de Estudos da População, Economia e Sociedade em colaboração com a Entidade Reguladora para a Comunicação Social, sob o patrocínio da Secretaria de Estado das Comunidades e com o apoio da Fundação Manuel António da Mota.
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