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rss  Vol. XVIII - Nº 306         Montreal, QC, Canadá - sexta-feira, 21 de Fevereiro de 2020
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Seminário Internacional

A Imprensa de Língua Portuguesa no Mundo

Carlos de Jesus

Carlos de Jesus

Realizou-se no mês passado, do dia 18 a 19 de março, na cidade do Porto, um seminário sobre os órgãos de comunicação em língua portuguesa radicados no estrangeiro.

Como demos notícia nestas páginas e no programa da LusaQ.TV estivemos presente naquele encontro em representação do nosso jornal. Aliás esta é já a segunda vez que o LusoPresse se faz convidar para este ciclo de conferências, da última vez, representado pelo seu editor e chefe de redação, Norberto de Aguiar.

Desta feita coube-me apresentar uma comunicação sobre o título «Imprensa Portuguesa no Quebeque: do corta e cola ao profissionalismo» cujo conteúdo publicamos noutro local desta edição.

Estiveram ao todo representados 18 jornalistas, vindos de 12 países, de todos os continentes, do Canadá a Macau, passando pela América latina, pela África do Sul e por vários países da Europa. Pode-se dizer que o Canadá esteve particularmente bem representado pelos três jornalistas de Montreal, a Conceição Ferreira e o Alberto Feio do programa «Montreal Magazine» e por mim – passe o auto elogio – como diretor do LusoPresse.

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Em primeiro plano, Carlos de Jesus, diretor do LusoPresse, no momento de apresentar a sua comunicação.

Este encontro foi organizado pelo CEPESE – Centro de Estudos da População, Economia e Sociedade (um organismo satélite da Universidade do Porto) e pela ERC – Entidade Reguladora para a Comunicação Social (cão de guarda da ética jornalística em Portugal), em colaboração com a Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas. O encontro foi logisticamente apoiado pela Fundação Manuel António da Mota que pôs à disposição dos participantes a suas modernas instalações no Mercado do Bom Sucesso.

Os objetivos

O principal objetivo, para além da permuta de experiências pertinentes entre os presentes e de se fazer um levantamento geográfico e humano da comunicação que se faz cá fora na língua de Camões, foi o de se avaliar até que ponto Portugal – com a sua língua, a sua cultura e as suas exportações – poderia tirar proveito da diáspora lusitana para alargar a zona de influência da língua portuguesa, por um lado e, por outro, ver até onde os órgãos de comunicação de língua portuguesa no estrangeiro poderão promover a oferta turística, assim como os produtos e serviços dos exportadores portugueses.

Há já algum tempo que em Portugal se tomou consciência de que as comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo poderiam servir como alavanca para a promoção dos produtos e da cultura portuguesa, a começar pela sua língua. Todos estamos conscientes que apesar do português ser a sexta língua mais falada no mundo, nem Portugal, nem os outros países da lusofonia tiram proveito ou prestígio desse facto. É evidente que o Instituto Camões não consegue competir com um Goethe Institut e muito menos com um Lycée français. Não temos as redes, nem a organização nem os orçamentos que outras nações mais ricas se podem permitir. Por conseguinte é mais que justificável que se tentem os canais das comunidades emigrantes.

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A mesa de honra do seminário composta de Fernando Sousa, José Cesário e Carlos Magno.

Todavia, no que diz respeito à expansão da língua portuguesa, temos de constatar que os órgãos de informação cá fora dificilmente podem irradiar para além dos limites da sua zona de influência, isto é, os limites das comunidades onde se encontram estabelecidos. O caminho a seguir quanto a este objetivo, no meu entender, tem de passar pelos leitorados de língua portuguesa nas universidades estrangeiras. Nós não fazemos senão que pregar aos convertidos. Os poucos estrangeiros que temos como leitores são de facto alunos universitários que seguem cursos de língua portuguesa. E neste campo é urgente que Portugal invista o mais urgente e judiciosamente possível, porque senão, vamos ser ultrapassados pelos brasileiros e os alunos só aprenderão um sotaque, o que brotou do grito do Ipiranga.

Falta um elo

Quanto à promoção e apoio às exportações portuguesas, aqui sim, a imprensa portuguesa no estrangeiro tem um papel extremamente importante, como vários conferencistas sublinharam. É mesmo de lamentar que os exportadores portugueses e o próprio ICEP não se tenham ainda lembrado de utilizarem esta força adormecida que são os órgãos de informação portugueses e os seus obreiros. Sobretudo em locais onde não há representações do ICEP e até mesmo onde as há visto que os orçamentos de que dispõem não lhes permitem fazer grandes prospeções. O mesmo se pode dizer dos consulados a quem foi entregue esta missão e que padecem das mesmas carências.

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Ora, acontece que são os órgãos de comunicação os primeiros a conhecerem bem o terreno onde vivem as comunidades, a terem as suas redes de comerciantes e consumidores e são estes os primeiros utilizadores dos produtos portugueses. Mesmo para a oferta turística as empresas de comunicação social em língua portuguesa, como foi sublinhado por alguns participantes, têm um papel a representar, não só dentro das respetivas comunidades mas igualmente na sociedade de acolhimento, através de ações promocionais de que ambos, produtores e anunciantes tirariam proveito.

Infelizmente, apenas um único exportador português, consciente desta realidade, nos honrou com a sua presença neste seminário, foi o representante do «Licor Beirão», que embora esteja presente nalgumas lojas da SAQ do Quebeque, pouco mais faz para se dar a conhecer à nossa comunidade.

Para que deste encontro, em matéria de relações comerciais, saia algo de mais concreto, var ser preciso que uma agência relacionada com os exportadores portugueses saiba fazer a promoção da imprensa portuguesa no estrangeiro. Esperemos que o secretário de estado das Comunidades, José Cesário, que acompanhou atentivamente o desenrolar dos trabalhos e que soube finamente tirar algumas conclusões das comunicações apresentadas, utilize a sua esfera de influência para promover a criação desse elo de ligação, «le chainon manquant» entre a diáspora e os produtores em Portugal.

Muitas promessas…

Outro assunto que veio à discussão foi o de como se organizar, se tecer as relações entre os órgãos de comunicação sediados no estrangeiro.

No anterior encontro dos jornalistas portugueses do estrangeiro tinha saído uma proposta para que se criasse uma associação de jornalistas da diáspora. Visto que tal iniciativa nunca se chegou a concretizar – o que se compreende quando se tem em conta a disparidade, a distância, a diversidade e a diferença de meios logísticos que caracterizam cada comunidade – desta vez surgiram três hipóteses para se reinventar essa rede.

A primeira veio da RTP Internacional. O seu representante, na pessoa do diretor José Arantes, pouco mais avançou que dar a conhecer as novas grelhas de programação que têm em conta os fusos horários onde as emissões são captadas.

A segunda veio da Lusa, representada pelo seu presidente, Afonso Camões, que se ofereceu para por a plataforma já existente ao serviço da imprensa comunitária através duma «Cooperação sustentada». Também se ficou por boas intenções. O futuro dirá o que concretamente poderemos esperar deles.

A terceira, provavelmente a mais concreta, veio do senhor João Palmeiro, presidente da Associação Portuguesa de Imprensa, que hoje engloba um número importante de jornais, mas que inicialmente era a associação da imprensa regional, o mesmo é dizer que se trata duma organização com algum conhecimento do trabalho no terreiro e que se propõe alargar a lista dos membros à imprensa das comunidades. Como é que isto vai ser feito, quanto nos vai custar, quais os proveitos que vamos tirar, quais as aberturas a que essa adesão nos dará acesso, ficou por esclarecer.

A organização

Para finalizar uma palavra de aplauso para a organização, sobretudo para o Dr. Fernando de Sousa, presidente da CESEPE sobre os ombros de quem recaiu toda a organização do seminário e dos seus colaboradores. Uma palavra de agradecimento para o Carlos Magno, presidente do ERC, que nos brindou com um excelente e bem compendiado apanhado de «tags» e grafitis do qual só lamentamos que o não tenha ainda posto na Internet para prazer de todos. É um diapositivo de várias dezenas de slides, tirados de norte a sul de Portugal, por tudo quanto é empena ou parede e onde se expressa magnificamente o Portugal jovem e rebelde desde o 25 de Abril.

Uma palavra de agradecimento também para o senhor Rui Pedroto, presidente da Comissão executiva da Fundação Manuel da Mota que foi o anfitrião do evento e que nos proporcionou, não só as ótimas instalações para o encontro, como um agradável menu ao almoço e ao jantar durante a nossa estadia.

Destaque
Realizou-se no mês passado, do dia 18 a 19 de março, na cidade do Porto, um seminário sobre os órgãos de comunicação em língua portuguesa radicados no estrangeiro.
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