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rss  Vol. XVIII - Nº 306         Montreal, QC, Canadá - sexta-feira, 21 de Fevereiro de 2020
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Candidata por Verdun de Québec Solidaire

Rosa Pires – Uma mulher de princípios – Esquerda, Feminismo e Soberania

Raquel Cunha

Por Raquel Cunha

Rosa Pires faz parte da segunda geração de emigrantes portugueses, filha de mãe algarvia e pai nortenho, nasceu e foi criada em Montreal.

O seu interesse pela política vem desde cedo, o que a levou a inserir-se em diversos grupos do género. Atualmente concorre por Verdun às eleições de 7 de abril. O lusopresse quis saber mais sobre esta luso-descendente, o seu percurso e os projetos que apresenta.

O percurso

Estudou Ciências Políticas e Estudos Feministas e prepara atualmente um mestrado. A causa das mulheres e da emigração é para ela uma paixão na qual se empenha há mais de 18 anos. Por isso, é abertamente contra a Charte des Valeurs, proposta pelo atual governo do Quebeque. Foi membro ativo do comité etno-cultural Oui ao referendo em 1995 e fundou em 2013, com Jean Dorion, os Independentistas, defensores da laicidade, organismo do qual é vice-presidente.

No seu curriculum conta com experiências diversas, entre elas, a assessoria de dois ministros, nos anos 90, e é membro ativo do Centro de Ecologia Urbana de Montreal. Trabalhou com mulheres vítimas de violência doméstica e agressão sexual, para a sua integração e contra a relativa discriminação. Viajou por Moçambique onde cooperou com os sindicatos locais na difusão de atividades sobre o impacto da globalização.

Separatismo e Soberania

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Rosa Pires

O seu percurso prende-se com o seu envolvimento na política. Em 2007 abandonou o seu partido de longa data, o Partido Quebequense, por já não se sentir representada nele. Considera-se uma mulher de esquerda e acredita que o PQ há muito perdeu a bandeira esquerdista, culminando com a proposta da Charte des Valeurs. Para ela, este partido tornou-se totalmente eleitoralista, focado apenas nos votos, ignorando as comunidades e perdendo entre manobras políticas, as convicções que a fizeram filiar-se nele em primeiro lugar.

Por isso, nestas eleições junta-se a Quebeque Solidaire, partido no qual acredita e defende. Para ela este é o partido que pretende representar as comunidades e que mais visa os interesses do povo quebequense. Entre polémicas, é categórica, e pretende trocar a palavra separatismo por soberania. Separatismo, diz, serve para assustar e criar abismos absolutos nas mentes das pessoas, enquanto o uso do termo soberania implica uma gestão mais elaborada, de um contrato social. Para ela, o povo do Quebeque deve ser soberano e auto regular-se, com um governo independente que represente o seu povo, composto maioritariamente por emigrantes, francófonos, autóctones e uma minoria anglófona.

Esse ambicionado Contrato Social não se quer transformar num cheque em branco, mas num contrato expressivo da identidade quebequense, e que manterá sempre contacto com o Canadá, já que falamos de um Quebeque de grande tradição democrática e inserido num mundo global.

A Comunidade

Quanto à Comunidade Portuguesa, já esteve mais envolvida, e confessa-se agora sem tempo, entre as tarefas de mãe, estudante, trabalhadora e política.

Conhecedora do meio, preocupa-a a pouca escolaridade dos nossos jovens e o abandono escolar. Segundo ela, os portugueses, embora integrados e bons trabalhadores, não possuem uma elevada ambição, nem incentivam os seus filhos a irem mais longe, a sonharem mais alto do que os trabalhos mais rotineiros, que lhes dá para sobreviver, mas não inspira grande desafio intelectual nem deixa uma marca de visibilidade na sociedade. Sonha em ver portugueses escritores, na arte, no cinema e sobretudo nas salas das universidades.

Propostas eleitorais

Concorre por Verdun, não por nenhuma localidade dita portuguesa. Contudo, assume que não existe mais uma concentração de portugueses num só local, mas que estamos um pouco por toda a parte. Contudo, representará sempre a sua comunidade. Filha de misturas, tem irmãos de várias nacionalidades e acredita nessa diversidade cosmopolita como riqueza de Montreal, acredita pois na importância de defender as comunidades, sejam de que origem for.

Por Verdun, preocupa-a a dicotomia entre ricos e pobres e a inexistência de uma real classe média. Por isso, pretende focar-se entre outras coisas no problema do alojamento. A ideia é de criar mais alojamento social e cooperativas mistas, na tentativa de manter as famílias na cidade, e evitar a fuga para os subúrbios, fruto dos elevados preços dos imóveis e a pequena dimensão.

A ecologia é também outra das suas preocupações, e com Québec Solidaire propõe o plano de fuga ao petróleo, ou seja, de criar empregos ecologicamente limpos, duráveis e de reduzir o nosso consumo e dependência da indústria petrolífera, implantando entre outras medidas o uso do transporte publico elétrico.

Como único partido assumidamente feminista, a autonomia e valorização da mulher é outra prioridade, inclusive a sua inserção em áreas de trabalhos menos usuais, como na construção.

O crédito e as dívidas das famílias é também outra temática que recebe a sua atenção.

Pede aos portugueses que não votem de olhos vendados, uma vez que têm tendência a votarem sempre no mesmo, e aconselha aos indecisos, o uso do programa, bússola eleitoral, criado pela Radio-Canada, no qual ao responder uma série de perguntas, encontrará o candidato que mais se aproxima do seu perfil ideológico.

Seja qual for a sua convicção política, faça um favor a si e a Comunidade: não deixe de votar.

Entrevista
Rosa Pires faz parte da segunda geração de emigrantes portugueses, filha de mãe algarvia e pai nortenho, nasceu e foi criada em Montreal.
Rosa Pires.doc
yes
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