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rss  Vol. XVIII - Nº 306         Montreal, QC, Canadá - quarta-feira, 01 de Abril de 2020
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Editorial

Sejamos otimistas

Carlos de Jesus

Carlos de Jesus

Não temos artes divinatórias nem somos bruxos, mas o futuro, se ele se realizar como está a ser planeado pelos estrategas pequistas, vai trazer dias muito negros para o Quebeque.

O plano do Parti Québécois (P.Q.), já o dissemos aqui, é bem simples, mas vale a pena repetir. Trata-se de ganhar as próximas eleições com uma maioria na assembleia legislativa. Uma vez no poder vão impor a «Carta dos valores» sem concessões, nem derrogações, com o fito de a ver contestada num tribunal federal e assim «provar» que as leis canadianas são incompatíveis com os «valores quebequenses», o mesmo é dizer que vão pôr tudo em funcionamento para conseguirem criar «les conditions gagnantes» para mais um referendo sobre a independência do Quebeque.

Há mais de meio século que esta espada de Dâmocles está suspensa sobre a cabeça dos quebequenses e o ténue fio que a retém está prestes a romper-se. Já foram feitos dois referendos sobre a questão, duas vezes foram derrotados, mas mesmo assim não desistem, o que só prova o pouco fervor democrático que os anima. Esta persistência é tanto mais antidemocrática quanto os pequistas defendem com unhas e dentes que a separação se pode fazer com 50 porcento dos votos mais um, mas não aceitam a derrota por 50 porcento mais um.

Toda a campanha do P.Q. tem sido levada a cabo denegrindo os seus adversários, mas sobretudo o Partido Liberal do Quebeque (P.L.Q.). Tudo tem servido de lenha para incendiarem os fervores nacionalistas dos eleitores, e para isso, como já não bastasse o apoio descarado das salas de redação da Radio-Canada, do jornal Le Devoir, da emissão Bazzo TV, do apoio indefetível dos militantes pequistas a soldo da Québecor e de toda a classe «artística» que se pavoneia nos talk-shows, «ad nauseam», lançam agora a mão de velhos senis como Janette Bertrand para se concentrarem na «carta dos valores» que mais apelo faz à fibra nacionalista e assim desviarem as atenções do eleitorado da grave crise económica, mas sobretudo do dito referendo que, tenhamos em consideração, mais de 70 porcento dos eleitores sondados diz não desejar.

É neste número – o dos 70 por cento que são contra o referendo – e nos 60 porcento que são contra a independência que devemos por a nossa esperança.

Porque na sábia análise da situação que faz a grande maioria dos quebequenses, de que são objetivamente representativos os eleitores da cidade de Québec – que não obstante serem a cem porcento canadianos franceses de pura cepa, nunca apoiaram o P.Q. nem a independência do Quebeque – a grande maioria deste povo original, criador e pacifico, autêntico reduto gaulês no oceano anglófono da América do Norte, sabe pertinentemente que todo este plano maquiavélico não deverá passar na boca das urnas. De outro modo a economia da província, uma das mais pobres da confederação, mesmo tendo em conta a perequação que só neste ano pôs quase dez milhares de milhões de dólares nos seus cofres, iria sofrer ainda mais com a retirada dos investimentos privados assustados com a incógnita política em que o Quebeque iria soçobrar. E quem diz falta de investimentos privados diz desemprego, empobrecimento, fuga de capitais e de trabalhadores.

Não esqueçamos que a divisa do Quebeque é «je me souviens» e a grande maioria dos quebequenses, mesmo inconscientemente, há muito que a adotou nas suas decisões políticas. O facto de terem elegido no último mandato um governo minoritário do P.Q. foi mais uma prova do «flair» político que os anima. Sabiam que deviam sancionar o P.L.Q. por todos os escândalos de corrupção que marcou o seu fim de mandato, mas daí a elegerem um P.Q. maioritário desta feita vai um passo que a maioria não se arriscará a dar.

Os quebequenses têm consciência de quanto o regime federal os tem avantajado. Económica, política e culturalmente, não obstante todos os tonitruantes arautos «anti-federastas». A grande maioria dos quebequenses de cepa francesa é nacionalista e compreende-se esse nacionalismo, porque é graças a ele que se tem mantido o cimento agregador da nação francófona, sempre posta em causa pelas forças assimiladoras do mundo anglo-saxónico.

Ao longo da sua curta história, os canadianos franceses sempre souberam tirar proveito da sua condição de minoritários. Foi graças a essa sabedoria que souberam, num primeiro tempo, recusar o canto das sereias que os americanos lhes lançaram, por altura da guerra da independência, para que se juntassem a eles no combate contra os ingleses. Algo lhes dizia que mais valia aliarem-se aos ingleses do Canadá onde, na altura, a demografia, jogava em seu favor, do que virem a ser assimilados no grande «melting-pot» americano, como aconteceu com os «cajuns» da Luisiana.

E tem sido essa sabedoria, apesar de toda a exploração emocional levada por mão de mestre dos independentistas que eles sempre souberam tirar proveito da federação da folha do ácer.

Estamos confiantes que desta vez não será diferente. O rei vai nu e eles são suficientemente perspicazes para não se deixarem embalar pelo clamor elogioso da corte Marois.

 

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