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rss  Vol. XVIII - Nº 306         Montreal, QC, Canadá - quarta-feira, 26 de Fevereiro de 2020
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Será que Durão Barroso...

Se deve imiscuir na política interna das Nações Europeias?

Fernando Pires

Por Fernando Pires

A maior preocupação do Sr. Barroso deveria ser a defesa da humilhação que enfrentam os países à qual a Europa do Sul é votada, e da qual o Sr. Barroso é presidente do Executivo, assim como do Banco Central Europeu (da Sra. Merkel?), e da santa TROIKA, que impõem os seus poderes aos países europeus como Portugal, Grécia, Irlanda e Chipre.

Isto porque a intervenção exercida pelo poder da selvajaria da Finança Liberal Mundial, pesa sobre as desigualdades sociais, sobre os oprimidos e os miseráveis deste mundo. Não é que a primeira preocupação do Sr. Barroso é «que Portugal chegue à final mundial do Campeonato de Futebol»? Certamente, mas se perguntarmos a qualquer português comum como eu, qual deles diria que não gostaria que Portugal não chegasse lá?! Não há dúvida, que se Portugal ganhasse o campeonato mundial, seria uma ajuda para nós em termos de visibilidade pelo orgulho que temos de ser Portugueses. Mas, o País sofre atualmente da austeridade que lhe é imposta pelo PSD/CDS.

Ora o social-democrata Durão Barroso, deixa muito a desejar, quanto à sua neutralidade como funcionário tecnocrata da Comissão de Bruxelas, metendo a colherada em assuntos internos de um outro país. Foi o caso da sua intervenção sobre a independência da Escócia; caso que só diz respeito a esta região, e à Inglaterra. O Sr. Barroso não pode esquecer os poderes que o nomearam para tal função. Ou seja: os Tony Blair, G.W. Bush, José M Aznar, que, juntamente com ele, decidiram a invasão do Iraque na Base das Lages, nos Açores!

Esta intervenção do Sr. Barroso não deixou de despertar a atenção de países como a Espanha e o Canadá, que estão a contas com problemas de soberanias. Foi assim que o jornalista correspondente do jornal «Le Devoir» e a BBC, não hesitaram em criticar o Sr. Barroso por ter dito o seguinte: «Seria extremamente difícil, impossível, ver uma Escócia independente na Europa». Será que o Sr. Barroso já se julga Presidente do Parlamento Europeu?

Mas o futuro da austeridade portuguesa não se resolve com a visibilidade do País aos olhos das outras nações! Um dos grandes problemas da austeridade dos países da Europa do Sul, e não só esta região, são também as agências de notação, ou seja, as Moody’s, Fiche Rating, e Standard & Poor’s que atuam como uma mafia organizada em nome da especulação da Finança Mundial, baixando cotas aos países mais fracos!

Infelizmente o socialismo de Blair e a Social-democracia de Barroso, têm a mesma massa neurónica oportunista, de um ex-maoista e de um socialista anglófono que não percebeu patavina do verdadeiro conceito de uma filosofia político socialista da Europa!

Este Sr. Blair não teve escrúpulos, desde que deixou o poder, de passar ao serviço do Banco JPMorgan Chase com um salário de 2 milhões de libras, aproveitando a camaradagem política de Londres e do Médio Oriente enquanto primeiro-ministro.

A social-democracia do primeiro-ministro Passos Coelho e de um tal Relvas, sofrem da mesma doença, esse Sr. Relvas tinha ido para o Brasil, mas vem agora instalar-se no País com o seu negócio de consultadoria para satisfazer as toupeiras deste governo.

As multinacionais e o capital tomaram conta do planeta Terra, e estão a caminho da colonização do planeta Marte. Não foi por acaso que alguém disse um dia que se a merda tivesse valor, os pobres nasceriam sem cu.

Mas ainda há homens e mulheres que acreditam que é possível melhorar o mundo. Alguns são aqueles que ainda não puseram o «socialismo» na gaveta. É o caso da Europa «socialista» representada no Parlamento de Estrasburgo.

Um desses foi o deputado do PS francês que levantou a voz numa entrevista que deu ao jornal «O Público», quando afirmou que a Troika impôs medidas com «pistolas à cabeça dos países ajudados e sem controle democrático».

Também, ultimamente, o grande linguista e grande intelectual, Noam Chomsky, foi convidado pela livraria editora Bertrand para o lançamento de um dos seus livros, «Mudar o Mundo», que teve como tema «as grandes questões do século XXI». O seu livro foi escrito conjuntamente com David Barsamia. No discurso que aí fez, este escritor do continente Norte-americano, é dos que melhor conhece a realidade política do liberalismo selvagem mundial. Por isso não hesitou, declarando o seguinte: «O efeito das políticas de enfraquecer medidas de previdência social e reduzir o poder dos trabalhadores é a guerra de classes». Chomsky acrescenta ainda que isto «funciona muito bem para os bancos, para as instituições financeiras, mas para a população é terrível». Ao contrário de muitos outros intelectuais que há por esse mundo fora, este pensador, continua a não ser hipócrita, cínico, e cobarde, sendo como sempre foi, um livre-pensador! No que diz respeito «aos países mais fracos da União Europeia, estes são segundo ele, «as nações da Europa do Sul, que nunca conseguirão saldar a dívida», invocando assim como solução o crescimento para melhorar a situação. Finalmente, Chomsky conclui dizendo o seguinte: «Assim, essas nações afundam-se cada vez mais na miséria». Nós diríamos que um dos males das sociedades atuais é que se vive um período de remissão a olhar para o céu a ver se de lá vem alguma coisa, esquecendo que o homem Cristo, fazia política à sua maneira, chicoteando aqueles que comercializavam no templo, mas só isso não resultou! Platão deixou-nos esta filosofia piedosa e «utopista»; mais realista foi Aristóteles, que pensou que «é aqui e agora, que devemos agir, senão a política toma conta de nós, em vez de nós tomarmos conta dela». Ou estamos à espera que tudo se resolve por obra e graça do Espírito Santo?!

 

PS – No momento em que termino este texto, o socialista alemão Martin Schulz foi eleito Presidente do Parlamento Europeu, por 368 votos, com a participação de todos os primeiros-ministros socialistas europeus.

Ref.: Jornal «O Público» – Noam Chomsky, PS deputado, 19/02/2014.

Jornal «Le Devoir» – BBC, 21/02/2014.

Michel Chossudovsky -- L’Aut’journal – Mars/2014.

 

Crónica
A maior preocupação do Sr. Barroso deveria ser a defesa da humilhação que enfrentam os países à qual a Europa do Sul é votada, e da qual o Sr. Barroso é presidente do Executivo, assim como do Banco Central Europeu (da Sra. Merkel?), e da santa TROIKA, que impõem os seus poderes aos países europeus como Portugal, Grécia, Irlanda e Chipre.
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