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rss  Vol. XVIII - Nº 306         Montreal, QC, Canadá - sexta-feira, 10 de Abril de 2020
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Cartão vermelho nas europeias

Osvaldo Cabral

Por Osvaldo Cabral

As eleições europeias do próximo dia 25 de maio vão resultar, com toda a certeza, num cartão vermelho à classe política europeia e interna.

Só um cataclismo ou um inusitado masoquismo popular poderia contrariar uma tendência e um sentimento cada vez mais visíveis na nossa sociedade.

O descontentamento face às políticas europeias dos últimos anos e o descrédito da classe política farão com que a esmagadora maioria dos eleitores nem sequer ponha os pés nas secções de voto.

A maneira como as instituições europeias reagiram à crise no nosso país e as medidas que nos obrigaram a adotar só podem merecer o previsível desprezo eleitoral.

Mas não é só.

É, também, a nível interno, o modo arrogante como o governo de Passos e Portas aplicou essas medidas, sacrificando sempre os mesmos, e sobrecarregando, sem dó nem piedade, as famílias mais desprotegidas, como os idosos e pensionistas.

Os dois exemplos mais recentes, que envergonham a classe governante, são sinais do despudor e desleixo que atingem os ministérios lisboetas.

Como é que num país onde imperam cortes de salários a quem ganha uma miséria, se decrete um salário de 13 mil euros para um gestor do futuro Banco de Fomento?

Como é que um governo, que não concede visto por inteiro a um idoso para gozar a sua pensão de reforma por que lutou durante toda a vida, dá um «visto gold» a burlões chineses para se instalarem no nosso país?

Que país é este em que tudo o que é alta finança envolvida nos piores crimes de burla e corrupção não vão a julgamento porque os seus casos prescreveram ou a justiça atrasou-se na recolha de provas?

Esses juízes, reguladores e políticos deviam ser, pura e simplesmente, banidos do respetivo sistema.

É verdade que Passos e Portas não são os culpados da crise. Mas são o rosto da persistência das medidas que aplicaram e são os responsáveis pelo agravamento da austeridade, para além de manterem as gorduras do Estado que tinham prometido combater.

Nos Açores, vamos pelo mesmo caminho.

Temos um governo sem dinheiro que se limita a suspender as obras prometidas pelo governo anterior, que mantém uma defesa cega às habituais clientelas e amizades partidárias, um parlamento a abarrotar de gente que não sabe legislar e que se envolve em trapalhadas provincianas, uma oposição amorfa e preguiçosa, e uma sociedade civil paralisada pela dependência do subsídio e do funcionalismo.

A geração política atual é uma tremenda desilusão e o descrédito que se apoderou das populações é revelador de que a democracia, 40 anos depois, está doente e sem cura à vista.

O Inquérito Social Europeu, um estudo que é realizado de dois em dois anos pelo Instituto Universitário Europeu em cerca de 30 países, concluiu que há um profundo desencanto com a classe política e a governação, sobretudo nos países onde é notória uma maior desigualdade, como o nosso.

Pedro Magalhães, politólogo e investigador do Instituto de Ciências Sociais, que colaborou no estudo, dizia no fim de semana ao «Expresso» que «Portugal vive neste momento histórico o ponto mais baixo de satisfação com o funcionamento da democracia».

Estes novos dados, segundo Pedro Magalhães, «ajudam a perceber de que é feita esta insatisfação, e indiciam que há um défice democrático muito acentuado na avaliação que é feita à capacidade do regime para assegurar o combate à pobreza, a igualdade do ponto de vista económico, e perante a lei».

Não é para menos. Toda a gente sente esta clivagem entre políticos e cidadãos, que resulta num divórcio entre as instituições políticas e os eleitores.

O poder da regeneração está nas mãos dos próprios políticos, porque são eles que fazem as leis que sustentam o sistema, mas todos sabemos que, nestes últimos anos, o caminho legislativo tem sido trilhado a favor de interesses instalados.

Numa democracia perfeita, a abstenção não tem razão de ser.

Mas numa democracia cancerosa, com um sistema eleitoral partidocrático e oligárquico, a abstenção é um sinal a ter em conta, tão forte como o voto em branco.

No dia 25 de maio, os políticos que ponham os óculos e façam a leitura correta.

Crónica
As eleições europeias do próximo dia 25 de maio vão resultar, com toda a certeza, num cartão vermelho à classe política europeia e interna.
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