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rss  Vol. XVIII - Nº 306         Montreal, QC, Canadá - terça-feira, 11 de Agosto de 2020
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Carlos Leitão, da economia para a política

Inês Faro

Por Inês Faro

A poucos dias das próximas eleições provinciais, o LusoPresse entrevistou Carlos Leitão, na sede de campanha em Robert-Baldwin, Dollard-des-Ormeaux. O economista e candidato pelo Parti Liberal do Québec (Partido Liberal do Quebeque) está confiante na sua candidatura e falou da sua estreia na política, dos desafios que enfrenta e das perspetivas para estas eleições.

LusoPresse: A comunidade portuguesa já o conhecia como economista da Banque Laurentienne. Como é que surgiu esta possibilidade de se candidatar nestas eleições provinciais?

Carlos Leitão: Isto começou há cerca de um ano e por duas razões: primeiro porque a economia no Quebeque regrediu muito, sobretudo durante os primeiros meses de governação do Parti Québécois no outono de 2012. O clima de negócios deixou de ser tão interessante, houve muitos projetos de investimento que diminuíram. Foi nessa altura que comecei a pensar que com a experiência que tinha me poderia implicar. Trabalho há 30 anos na área financeira e nos últimos 15 tenho trabalhado como conselheiro/consultor na área financeira. Achei que esta seria uma boa altura para passar para o outro lado, o dos decisores políticos, para começar a pôr em prática o que já andava a sugerir há alguns anos. Depois no outono de 2013 quando começou a discussão à volta da Charte des valeurs québécoises (Carta dos valores quebequenses) pensei «agora é que é». Já conhecia muita gente do partido e foi nesse contexto que surgiram as primeiras conversações sobre a possibilidade de me envolver em política.

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LP: E como é que chegou até Robert-Baldwin?

CL: As coisas aconteceram muito rápido. O deputado desta circunscrição decidiu entretanto que não se apresentaria nas próximas eleições. Então aí as coisas começaram a ganhar forma. Como moro aqui ao pé, em Dorval era lógico que viesse para aqui.

LP: Que balanço faz da sua candidatura?

CL: A equipa do mandato anterior – também liberal, mantém-se. São pessoas com muita experiência – o anterior deputado está aqui há 20 anos, e tem-me ajudado muito. Esta é por tradição uma circunscrição liberal. Nas últimas eleições foi aqui que houve a maior margem de vitória de um deputado. Por isso, se perdesse, seria uma derrota histórica. Embora surpresas possam acontecer...

LP: O que é que justifica essa tradição liberal nesta circunscrição? Quem são os seus habitantes?

CL: Esta circunscrição é muito semelhante a uma circunscrição urbana de Montreal. Há 46 grupos étnicos só em Dollard-des-Ormeaux. Há várias igrejas, templos, sinagogas, etc. todos os grandes grupos étnicos estão aqui representados. É uma zona muito mais diversa e do que se pensa. Muitos dos nossos problemas, por exemplo, são os que se encontram em zonas como Côte-des-Neiges.

LP: Quais são as suas perspetivas com esta candidatura?

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CL: Em primeiro lugar queremos uma taxa de participação elevada. Esta participação poderia enviar uma mensagem ao resto da província. Dizer ao Quebeque que aqui no oeste de Montreal as comunidades imigrantes estão bem organizadas, estão interessadas pelo discurso político e têm um papel ativo na sociedade. Por outro lado, também tenho estado a trabalhar com outros candidatos com vista a eleição do maior número de deputados liberal aqui e na província.

LP: Quais são os grandes desafios locais de Robert-Baldwin?

CL: O desenvolvimento dos transportes coletivos é uma das prioridades, sobretudo o projeto do Train de l'Ouest, que é uma das promessas do partido liberal. Em segundo lugar é o financiamento do hospital Lakeshore General. A população têm crescido muito nesta região e precisamos de infraestruturas que respondam às necessidades de assistência à saúde. Depois também é preciso conjugar áreas de casas que valem 1 milhão de CAD e do outro lado onde há guetos, pobreza, discriminação racial, muitos imigrantes recém-chegados e muitas pessoas qualificadas que não conseguem encontrar trabalho.

LP: Nesse caso, qual é o papel do deputado?

CL: Ser o mediador entre o cidadão e o aparelho burocrático do Estado em questões como a imigração, a integração, a criação de emprego, etc. Dar a conhecer os programas do Estado – que muitas vezes as pessoas desconhecem. Por outro lado, também é preciso tentar atrair investimento para esta área. Nos últimos 3 a 4 anos a indústria farmacêutica tem desaparecido daqui – e era muito forte. Temos de tentar atrair outros grupos económicos que promovam a criação de emprego.

LP: Como é a sua relação com a comunidade portuguesa nesta região?

CL: Há muitos portugueses nesta região, embora dispersos. Existe a Associação Portuguesa de West Island, mas a comunidade aqui não está tão bem organizada como se vê noutras comunidades, sobretudo na integração de imigrantes recém-chegados, talvez por estarem em menor número. Mas têm apoiado a minha candidatura, tenho sido bem recebido. Acho que os portugueses estão contentes por terem um português que se implique em política ativa.

LP: Como é que se posiciona relativamente às questões que têm dominado o discurso político: o Referendo e a Carta?

CL: Sou federalista. Já temos um país e não precisamos de criar outro. Do ponto de vista económico seria uma aventura arriscada. Em relação à Carta partilho a posição do Partido Liberal. Não há grande urgência, não estamos a viver uma crise, é uma coisa que se pode fazer sem pressas e não seria preciso fazer uma lei formal para regularizar.

LP: Quais são a seu entender os grandes desafios económicos no Quebeque?

CL: A estagnação económica. Enquanto o resto do Canadá teve um bom crescimento, o investimento privado sofreu um recuo nos últimos anos, e quando se olha para o futuro e se não houver mudança de governo, corremos o risco de entrarmos num período de estagnação prolongada e pode acontecer até o que vemos que aconteceu em Portugal – sociedades desenvolvidas, com um alto nível de dívida. Temos de acelerar o crescimento económico através, por exemplo, de medidas de crescimento económico a curto prazo, nomeadamente através do investimento em infraestruturas.

LP: Este seu envolvimento na política provincial é a primeira batalha de outras, nomeadamente a nível federal?

CL: Sim, pode ser...

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A poucos dias das próximas eleições provinciais, o LusoPresse entrevistou Carlos Leitão, na sede de campanha em Robert-Baldwin, Dollard-des-Ormeaux. O economista e candidato pelo Parti Liberal do Québec (Partido Liberal do Quebeque) está confiante na sua candidatura e falou da sua estreia na política, dos desafios que enfrenta e das perspetivas para estas eleições.
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