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rss  Vol. XVIII - Nº 305         Montreal, QC, Canadá - terça-feira, 31 de Março de 2020
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Serendipity é mais ou menos isto

Onésimo Teotónio Almeida

Por Onésimo Teotónio Almeida

 

Na vida as coisas não são branco ou preto, como as gentes da política querem pintá-las. Esquerda e direita eram. Foram. Tudo hoje é mais complexo.

Volto a António Quadros para contar uma história dele que teve belas repercussões, independentemente de ele ser de direita ou esquerda. Ou de eu não gostar da leitura nacionalista que ele faz de Pessoa.

Um dia, na praia de Sesimbra, um americano estava estendido na areia ao lado de um casal português. O homem lia um livro. O americano, curioso, meteu conversa. Que livro era aquele? Era de um tal Fernando Pessoa. E o seu leitor chamava-se António Quadros.

Conversa puxa conversa, o americano, que nunca ouvira falar de Pessoa, ficou cativado e quis saber e ler mais e mais. Já sabia espanhol muito bem. Era autor de traduções, muito conhecidas nos EUA, de Cervantes, Calderón de la Barca, F. Garcia de Lorca e Lope de Vega. Tinha o nome de Edwin Honig. Era também poeta e professor no Departamento de Inglês da Brown, colega do George Monteiro. 

O encontro levou Honig a interessar-se por Pessoa e, mais tarde, a ser o primeiro tradutor de Pessoa para inglês, em 1971.

Vários anos depois, foi ele que me cedeu a sua correspondência com Thomas Merton. Sim, o monge trapista que líamos nos anos 60 no Seminário de Angra (A Montanha dos Sete Patamares, em edição brasileira comprada no Sargento Ferreira, ao Alto das Covas). Merton traduziu poemas de Caeiro («O Guardador de Rebanhos»), a pedido de Suzuki, o introdutor de Zen no Ocidente. A história ainda mete o poeta Octávio Paz, amigo de Honig.

Mas isso tudo eu já contei num artigo – «Sobre a mundividência Zen de Pessoa-Caeiro», publicado na Nova Renascença, do saudoso José Augusto Seabra (estórias dele para outra ocasião) e integrado no meu livro Pessoa, Portugal e o Futuro, a sair por estes dias na Gradiva e que por isso não vale a pena repetir aqui.

E tudo isto por causa de um casual encontro de duas pessoas deitadas ao sol numa praia de Sesimbra.

Não conheço a Rita Ferro, de quem há dias li o primeiro volume do seu diário Veneza Pode Esperar, em que fala muito do pai, precisamente António Quadros – mas acho que ela havia de gostar de saber esta história.

Crónica
Na vida as coisas não são branco ou preto, como as gentes da política querem pintá-las. Esquerda e direita eram. Foram. Tudo hoje é mais complexo.
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