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rss  Vol. XVIII - Nº 305         Montreal, QC, Canadá - domingo, 09 de Agosto de 2020
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Eleições no Quebeque

Eleições em data fixa? Não, merci!

Norberto Aguiar

Por Norberto Aguiar

Pauline Marois e o seu governo decidiram marcar eleições para o dia 7 de abril que aí vem. A razão dada foi a instabilidade criada pelos partidos de oposição ao seu governo, minoritário, como se sabe e, por isso, sem possibilidades de dirigir a província a seu belo prazer – facto que também acontece com todos os governos maioritários, diga-se em abono da verdade...

Não ligando ao que tinha decidido meses atrás, com o acordo dos outros três partidos, Quebeque Solidário, CAQ e Partido Liberal, quando legislou que as eleições, no futuro, seriam em data fixa, fosse qual fosse o partido no poder, Pauline Marois, o seu governo e o Partido Quebequense aparecem agora a dar o dito por não dito e a defender um novo ato eleitoral a dois anos da data estabelecida...

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Para os que são pela causa pequista, as razões são mais do que óbvias para justificar o ato do dia 7 de abril, visto os partidos da Oposição estarem sempre com a ameaça de fazer cair o governo...

Mas para os que são contra Pauline Marois e o seu partido, as eleições do dia 7 de abril não são mais do que uma questão de oportunismo flagrante, pois o governo continuava a ter condições para governar... Como crítica acerba avançam que a primeira-ministra urdiu uma estratégia favorável, através do descontentamento de uma grande parte da população para com os «Acomodamentos razoáveis», trazidos à ordem do dia pelo ministro Bernard Drainville.

E estamos nisto. Uns, que sim, que o Partido Quebequense não tinha outra maneira de regularizar as ameaças da Oposição quanto à continuidade do governo em função; a Oposição, por sua vez, alega que não havia necessidade de se recorrer a eleições quando ainda faltam cerca de dois anos para a data prevista, sobretudo num momento de morosidade económica, sabendo-se que um ato eleitoral provincial anda à volta de 80 a 90 milhões de dólares.

Outro dado importante chegou já depois de declarado o ato eleitoral. Falamos da vinda de Pierre Karl Péladeau. A sua chegada à cena política provincial e o seu «Eu quero um país para o Quebeque», veio transformar o discurso principal da campanha, que andava à volta da «Carta dos Valores Quebequenses» por banda do Partido Quebequense e da questão económica pelo lado do Partido Liberal...

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Amir Khadir, em conferêcia de Imprensa.

De repente, a possível separação do Quebeque tomou conta do debate durante alguns dias. Declarações de todos os intervenientes foram escalpelizadas e extravasadas, algumas até a merecer reprovação do público eleitor, nada interessado no sensacionalismo criado à sua volta pelos Médias quebequenses, mas também dos do resto do Canadá. Nessa escalada, PKP foi utilizado a preceito, ficando mesmo por focalizar se tem condições para ser um bom político... É que pode ser-se um bom administrador e empresário mas não necessariamente um homem capaz de gerir a coisa pública... Era disso – ainda é disso, em nossa opinião, claro está – que os jornalistas têm de questionar PKP: – Tem ele ou não as qualidades necessárias para ser um deputado ao serviço dos seus eleitores?... O resto não passa de sensacionalismo de meia-tigela.

Partido Liberal recupera?

Dado como ultrapassado pelo Partido Quebequense no momento de declaradas as eleições, afinal o que fez com que Pauline Marois se lançasse em campanha, o Partido Liberal, isto no momento de preparar este artigo, já é dado como líder nas intenções de voto pela população, com mais três pontos percentuais. Um revés enorme para Pauline Marois que não há muitas semanas liderava com mais de 4%.

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Pauline Marois, na Câmara Municipal, quando falava aos jornalistas.
Foto  - LusoPresse

O que foi que entretanto aconteceu? Os especialistas não sabem responder. Mas as razões devem andar à volta da viragem do Partido Quebequense, que antes se valia da «Carta dos Valores», que atraía a simpatia de muitos eleitores, sobretudo os de «souche», e que agora e de repente se vêm confrontados com a questão do estatuto do Quebeque no interior da Federação canadiana, isto é, com um novo referendo, um assunto que nesta altura não faz minimamente parte das suas preocupações...

A continuar assim e caso tenha boa prestação no debate de hoje à noite, Philippe Couillard arrisca-se a ganhar as eleições do dia 7 de abril, o que constituiria uma vitória sensacional, por inesperada.

Também a perder terreno está a CAQ de François Legault, um partido que, à partida para esta maratona, se pensou que poderia atingir um score próximo do último ato eleitoral, quando chegou aos 28%.

Finalmente, uma palavra para o Partido Quebeque Solidário, que nos parece poder aumentar a sua base de apoio em relação ao que já obteve em atos eleitorais até aqui.

Destaque
Pauline Marois e o seu governo decidiram marcar eleições para o dia 7 de abril que aí vem. A razão dada foi a instabilidade criada pelos partidos de oposição ao seu governo, minoritário, como se sabe e, por isso, sem possibilidades de dirigir a província a seu belo prazer – facto que também acontece com todos os governos maioritários, diga-se em abono da verdade...
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