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rss  Vol. XVIII - Nº 305         Montreal, QC, Canadá - terça-feira, 11 de Agosto de 2020
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Dia Internacional da Mulher

Fado feliz em calorosa casa açorian

Adelaide Vilela

Por Adelaide Vilela

Caros Leitores, hoje é o dia em que nos apetece desafiar a arquitetura da nossa mente. Tais são as saudades da Terra-mãe que nos dão forças para acreditar e manter de pé esta ambiciosa missão. Inicialmente vamos até ao muro das lembranças para num gesto particular e genuíno deixar um «emblema especial», como mais-valia. Tem o sabor e o encanto da identidade portuguesa e dá por nome de FADO. E foi nesta doce língua de Camões que Montreal, longe da Pátria, acolheu o Fado, que foi duplamente feliz numa calorosa Casa Açoriana. Desta maneira podemos dizer e repetir que a identidade do povo se vê pelas suas raízes culturais e históricas.

É aqui que desejamos chegar. Qualquer emigrante longe da sua terra sente-se profundamente enraizado a todos os caminhos do passado. Somos gentes fiéis e resistimos a tudo ainda que haja dificuldades no que respeita às tradições e seus valores. Todavia e apesar dos contratempos conseguimos resistir, autênticos, até aos nossos dias, neste mundo tão globalizado e culturalmente diferenciado e moderno.

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A nova equipa do Centro de Anjou, chefiada por Carlos Almeida, ao centro.

Dizem que o Fado é um cartão-de-visita nas ruas de Lisboa, Alfama, Mouraria e Bairro Alto, e não se enganam. Naqueles bairros antigos da capital andou Maria Severa, depois de 1820. Ela foi a primeira mulher a dar nome ao Fado lusitano. Severa, morreu aos 26 anos de idade. Já no século XX, Alfredo Marceneiro foi uma das figuras mais carismáticas da canção nacional, ainda hoje os seus fados são apreciados por muitos. Assim como Amália Rodrigues, com a sua voz majestosa, de rainha, levou o fado ao mundo e rendeu brilho e orgulho à Pátria que a viu nascer e morrer. Todavia, nas últimas duas décadas muitos foram os fadistas que se revelaram e trouxeram novo impulso à arte do fado. Porque não sublinhar Marisa, Mafalda Arnaud, Cristina Branco ou Camané e tantos outros que alargam horizontes na arte de cantar o fado, como é caso de grandes fadistas e guitarristas que temos na comunidade portuguesa de Montreal, em Toronto e por tantos sítios do mundo onde pulsa Portugal... Ainda que do mar esteja arredado.

Amo a imortalidade de Amália Rodrigues mas digamos que: o Emigrante fadista trouxe a saudade e o nome de Portugal à comunidade que o acolheu. E quantas Casas de Fado há no mundo?

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O importante leque de artistas que subiram ao palco do Centro de Anjou

Fado feliz numa calorosa casa açoriana!

No dia 8 de março de 2014 – no Dia Internacional da Mulher – o Centro Comunitário do Divino Espírito Santo de Anjou, para enaltecer a rainha do lar, organizou uma excelente noite de fados. Para além da artista Jordelina Benfeito foram contemplados, com um convite para participar no serão, os artistas Luís Duarte e Jason Coroa e o guitarrista António Moniz. Mais tarde viria a juntar-se aos concertistas o Sr. Travassos munido da sua guitarra amiga.

A festa começou com um manjar digno dos deuses, bem apropriado, ou não se tratasse do sr. bacalhau «com todos», sem esquecer a sopinha verde à Jorge Simões e a sobremesa, um regalo. Nós que não jantamos depois das 18 horas, atacamos o peixinho e não ficou nada no prato. O presidente Carlos Almeida, que leva agora valores de chefe, entende de gastronomia. Estão todos de parabéns pelas delícias que vão apresentando semana após semana. Mandamos de igual modo, um molho de abraços às senhoras que serviram e aos maridos que as ajudaram naquela tarefa ingrata. O serviço foi cortês, rápido e bom.

Pela noite adiante, nós mulheres tivemos direito a mais que uma serenata. Foi-nos servido em bandeja de ouro um portinho de honra gentilmente oferecido pelo Sr. Carlos Almeida e pela sua Direção. Rica ideia, a do sorteio para elas, coube o louvor a Isabel Coroa, um almoço no Restaurante Casa Minhota. Bom apetite! O Dia Internacional da Mulher foi divinamente bem passado.

Janson Coroa revelou-se no fado e foi o primeiro a iniciar a Festa do Dia das Mulheres. Com otimismo e desenvoltura interpretou um fado que nos deixou boquiabertos. Chegou o previsto com o imprevisto: o futuro do fado garantido por estas paragens. Apresentou ainda outra canção acompanhado pelo Luís Duarte à viola e por António Moniz à guitarra portuguesa. Pela qualidade que tem e a poesia na voz, este jovem se cultivar a língua um pouco mais garanto-vos que vai muito mas muito longe, tem uma voz de bradar aos céus.

Mas, antes de prosseguir, desejamos felicitar os homens da guitarra portuguesa, muito importante, aqueles que estiveram ao serviço de todos os artistas durante a noite de fados.

Trata-se de António Moniz e de Manuel Travassos. Qualquer dos dois há muito se tornaram ilustres guitarristas da nossa prol. Estabelecem uma relação sábia com as cordas da guitarra e assim conseguimos que por estas bandas a canção nacional tenha bela continuação e nome de relevo.

Duarte o rei do Fado

Ao pronunciar o nome Duarte, não se trata da Casa de Bragança, valha-nos aqui um autêntico rei do fado: o Luís Duarte! É um tesouro como falante da língua de Camões pois é um excelente artista. O fadista esteve no Centro Comunitário do Divino Espírito Santo de Anjou e fecha mais um capítulo positivo da história do fado, nesta cidade cosmopolita de Montreal. Nesta noite, no Centro, foi apreciado por todos, tocou bem, cantou melhor, foi muito aplaudido, teve graça, (como é seu apanágio) e ninguém desejava vê-lo partir.

Fez-se acompanhar da sua bela Rosy, que não cantou e foi pena que a flor não perfumasse em palco. Esperamos por ela e por ele na próxima vez.

 

Canta perfeito e a jeito

Jordelina Benfeito foi a terceira artista a apresentar o seu espetáculo. Não haja dúvida, já o aqui dissemos um dia e voltamos a repetir: esta princesa da Bretanha é uma artista com uma voz tal, parece que toda ela sobe pelas cordas da guitarra adentro. Alguns dos fados de Jordelina são alegres, outros são o oposto, escutamo-la como se estivéssemos na igreja, como foi o caso de «Conceição nome de Santa». Jordelina é uma artista que todos ficam com vontade de a voltar a ouvir. Quão bem lhe assenta o nome que lhe deu António Vallacorba, que Deus tenha.

Que a nossa Cotovia Açoriana volte a cantar muitas vezes nesta nossa comunidade, em companhia do seu esposo António que a acompanha com a maior candura, paciência e calma estampadas no olhar.

Santas são aquelas amigas que ali colaboram e participam tanto para enfeitarem as mesas como embelezarem o resto do salão. A decoradora foi a D. Octávia Pimentel e todas juntas embelezaram a preceito o lugar da Festa para que se tornasse um belo e artístico recanto de saudade.

Para concluir deixo pessoalmente um abraço amigo ao nosso artista-humorista, o Jimmy Faria, pelo excelente serão que nos proporcionou, pelo seu profissionalismo e boa vontade. Com o Jimmy reina a alegria na casa da simpatia.

Façamos da vida poesia e da poesia um fado!

Reportagem
Caros Leitores, hoje é o dia em que nos apetece desafiar a arquitetura da nossa mente. Tais são as saudades da Terra-mãe que nos dão forças para acreditar e manter de pé esta ambiciosa missão. Inicialmente vamos até ao muro das lembranças para num gesto particular e genuíno deixar um «emblema especial», como mais-valia. Tem o sabor e o encanto da identidade portuguesa e dá por nome de FADO.
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