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rss  Vol. XVIII - Nº 305         Montreal, QC, Canadá - quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017
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Com o Dr. Ernesto Kahan

Um abraço de paz das Terras de Israel

Adelaide Vilela

Por Adelaide Vilela

Caros leitores, hoje levamos até ao V canto de leitura uma pessoa ilustre que manobra de maneira incrível a pluma que usa para surpreender pacificamente o povo de toda a terra, com a energia positiva e a bondade que lhe são peculiares. A vida que põe na literatura e na poesia traduz-se em dois dos mais nobres e belos sentimentos: a Paz e o Amor que expressa e partilha com o mundo que fantasticamente o admira. E quem melhor do que um Prémio Nobel da Paz para reconhecer e dar valor à cultura, aos tempos e à humanidade! «Oh, se as gentes pudessem entender que com o uso do amor, a herança seria muito maior que com o ódio. Ernesto Kahan, 2013».

Apraz-nos falar do Dr. Ernesto Kahan, como poeta, muito embora saibamos que é médico, professor universitário e investigador. Melhor dizendo, foi uma cascata de ouro dominante no desmantelamento da guerra nuclear, há uns anos a esta parte. Como poeta, foi nesta condição que o conhecemos. E para nós é tão mais fácil referir o amor e a paixão pela poesia do que detalhar a malvada guerra e seus conflitos sangrentos... Com estas últimas palavras já meus olhos (desbravados) enchem um rio de lágrimas ao pensar no que se passa atualmente mundo além, viajando até à Venezuela ou mesmo visitando a Ucrânia.

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Prémio Nobel em 1985.

Este Vate imortal nasceu na Argentina e vive há 50 anos em Israel. Ali casou e constituiu família. A sua poesia é romântica, bela, clara e profunda! Como uma ilha encantada, entramos nela e não dá para sair! Logo, a profundeza vulcânica e o azul do mar nos enlaça e mistura-nos com as ondas, aliás, com as palavras poéticas, belas e pacíficas do Dr. Ernesto Kahan, as suas poesias.

Na verdade, levamos até Vós a vida e obra do médico e escritor que tivemos o privilégio de entrevistar. A priori, o nosso interlocutor manda um abraço para a comunidade lusa de Montreal e deseja a todos felicidades e muita paz.

Como e onde o conhecemos:

Tal como o Dr. Ernesto Kahan também nós somos emigrantes – ambos cumprimos fielmente nosso destino – como viajantes pelo mundo: sem perder o mar, secar o rio, viajar no céu ou deixar morrer o coração. Foi num evento Literário, na Universidade Autónoma do Estado de Morelos, no México, em fevereiro de 2005, que nos encontramos. No mês de outubro de 2008 participamos igualmente no VII Mega Evento Internacional e Nacional de Poetas, Leoncio Buenos, na Universidade de Callao, em Lima, Peru. Nestes ou noutros eventos, o Dr. EK confidenciou-nos que sentia uma grande atração pela língua de Camões. Logo aumentou a nossa ambição e curiosidade ao decidir conhecê-lo melhor com a finalidade de trazer até aos leitores este homem heroico e humanista. O Dr. Ernesto Kahan conta ao nosso jornal que começou a escrever poesia quando cumpria o serviço obrigatório militar no seu país natal, na Argentina: «A única forma que tinha para libertar o meu estado de ânimo. Logo nasceu em mim uma espécie de diário escrito em verso». Segundo nos disse, já então estudava medicina e o tempo não lhe sobrava muito devido ao exercício desta profissão que requer tempo, cuidado e muito estudo, que absorve um ser humano em todo o sentido da palavra. «Nunca deixei de ler poesia, por ser um dos meus encantos». Confessa o nosso amigo médico cuja ênfase é dada na estrutura desta sua atividade literária que é a poesia, muito embora escreva Narrativa e Ensaio. Escreveu outras obras, tais como livros sobre ciência médica, pesquisa e investigações em inglês. Colaborou e organizou congressos científicos que lhe valeram muitos e valiosos títulos ao longo dos anos, quer como médico, quer como escritor e investigador.

Dr Kahan pomba.jpg

Depois de várias perguntas quisemos saber qual é a sensação quando se escreve uma coisa diferente da outra. A resposta não se fez esperar: «Para mim o escrever é uma atividade diária que se implementa com disciplina, é como um trabalho o qual organizo previamente com método bem definido, cujo objetivo, tema e mensagem fazem parte da metodologia. Há muito tempo que não me enleio com musas. Como é óbvio, os meus temas sempre me apaixonam e deixo-me levar por eles transportando-me emocionalmente».

O nosso estimado médico é um poeta universal, brilhantemente e com graça diz que está noivo da literatura hispanoaricana. Mas afirma «Que em todo o mundo se escreve sobre poesia, com toda a liberdade para o criador, para o poeta». Na sua opinião há escritos de que gosta e outros não. No entanto aprecia, admira e lê muitos estilos de literatura. No ponto seguinte atreve-se a provocar admiração e dúvida respeitando a todos!

Noutro ângulo, Ernesto Kahan afirma que há muito tempo se supõe que o pacifismo é o adormecimento das classes sociais até ao progresso da humanidade. Isso que podia ter sido certo no passado perde vigência no presente, devido à existência de armas de destruição massiva que põem em perigo a vida no Planeta. Por isso devemos trabalhar educando-nos para a tolerância. Aqui o papel do poeta é fundamental e é bem aceite, como a pomba que transporta a palavra, a paz pelo mundo além. Pois é caro leitor o nosso querido interlocutor diz bem, que a poesia seja um romance consigo mesmo é dizer que: «As pombinhas transportam pouco as palavras mas os poetas levam aos ombros um grande desafio, – são mensageiros e guardiãs da língua mãe – para enriquecê-la e manter viva a chama da nossa condição de seres humanos, sociais, em comunicação cultural».

Aqui aumentamos o ritmo da felicidade, como escritores e poetas, se nos ligarmos à Internet logo damos um salto aos quatro cantos do mundo. Razão tem o nosso estimado amigo lá em Israel, sempre com algo positivo a transmitir-nos: «Para os escritores e poetas a amizade virtual é uma nova realidade, quase de nosso interior e leva-nos a um voo de existência de círculos concêntricos de personalidades».

Um voo poético do Dr. Kahan:

Sem paz não haverá vida.

Sem paz, harmonia não haverá paz.

Sem tolerância não haverá harmonia.

Sem uma cultura de paz não haverá tolerância.

Sem uma cultura espiritual não haverá cultura de paz.

Sem educação não haverá cultura espiritual de paz.

Sem democracia não haverá educação.

Sem educação haverá dependência, guerra e dor.

O FINAL DA VIDA!...

Dr Kahan Em 1998 na Universidade de Callao Lima no lancamento do livro Palavras do Coracao oErnesto Kahan a esposa e Adelaide Ramos vilelaJPG
Dr. Kahan em 1998 na Universidade de Callao, Lima, no lançamento do livro Palavras do Coração. Na foto, o Dr. Ernesto Kahan, a esposa e Adelaide Ramos Vilela.

Por ter participado na organização pela paz e prevenção da guerra nuclear em 1985 foi-lhe atribuído o Prémio Nobel da Paz em Oslo. Ainda hoje é conhecido como um dos ativistas importantes na Terra, lutando a cada dia pela prevenção da guerra nuclear, pela igualdade e pela Paz.

Concluímos o nosso artigo dando a conhecer aos nossos leitores um pouco mais sobre o Dr. Ernesto Kahan. Não queremos utilizar uma linguagem cinco estrelas pois iríamos remar contra a maré, diria contra o gosto do nosso Poeta, sabemos que aprecia as coisas simples e belas, cândidas e verdadeiras.

Todavia, o curriculum vitae do Dr. Ernesto Kahan é composto de umas 50 páginas, fizemos um resumo simples e organizado para que os nossos leitores ficassem comodamente mais informados.

O Argentino, médico, poeta, professor universitário, é investigador e também possui um doutoramento honoris causa em literatura. Devido à ditadura emigrou para Israel no ano de 1976. Foi Professor na Universidade de Tel Aviv, Israel, e mais tarde viria a lecionar na Argentina, Patagonia-Argentina, UCE-Dominicana, Católica, Peru, UNAM-México e Salamanca em Espanha e ainda noutros centros académicos.  

Foi reconhecido como um dos mais importantes médicos de Israel e no mundo. Desde 1985 até 1997 desempenhou o cargo de Diretor do Departamento de Epidemiologia e Estatística do Instituto de Saúde Ocupacional na Faculdade da Universidade de Tel Aviv. Orientou e foi assessor nas investigações da cátedra de Medicina de Família desta Universidade, da Rede de Investigação de Pediatras de Israel.

Foi reconhecido mundialmente por ter uma visão analítica dos sistemas de atenção primária de saúde em Israel, nacional e internacional. Foi o Investigador convidado da Universidade de Washington (USA). Vice-presidente dos «Médicos contra a Guerra Nuclear», instituição premiada com o Prémio Nobel da Paz em 1985. Publicou 9 livros e mais de 200 artigos científicos em revistas de calibre internacional. As poesias do seu livro «PAXAPORTE» foram traduzidas em 11 línguas. O livro «Genocídio» foi traduzido em três idiomas e enaltecido nos festivais do livro na Mongólia, Alemanha, Espanha, Jugoslávia e Argentina. Autor selecionado em «15 Collection Vol. III, XII», e muitas outras publicações. É fundador de «Médicos pela Paz»: Israel, Uruguai, Chile e Bolívia.

Leitores, desde o início do mundo que as extraordinárias capacidades do ser humano se revelam. Pela minha parte não sei se existo... sim, existo (hoje), mais rica e feliz com a conclusão do meu trabalho resumido nos últimos pensamentos do Dr. Ernesto Kahan. Depois de lhe termos perguntado como lhe chegam até à alma ou à mente as palavras e como reage como médico e poeta, no meio da tristeza e do desânimo, caso tenha que agir no sentido de descrever uma situação e criar um momento de magia?

«A alegria e a tristeza são parte do mesmo e elas unem-se em nostalgia, em dor humana, em responsabilidade social. A necessidade de comunicar, o fogo sexual, e não vou porque apalparei a doença, a morte, o suicídio... O que nunca falta é a minha necessidade de contribuir pela Paz Universal.»

E com estas sábias palavras me despeço de Si leitor e do meu bom amigo, o Dr. Ernesto Kahan. Foi gratificante ter recebido tão importante figura no nosso Jornal. Descobrimos como belo é participar, dando as mãos pela Paz do Mundo; assim aprendemos com os nossos exemplos e com os sábios a fazer da vida poesia!

Entrevista
Caros leitores, hoje levamos até ao V canto de leitura uma pessoa ilustre que manobra de maneira incrível a pluma que usa para surpreender pacificamente o povo de toda a terra, com a energia positiva e a bondade que lhe são peculiares. A vida que põe na literatura e na poesia traduz-se em dois dos mais nobres e belos sentimentos: a Paz e o Amor que expressa e partilha com o mundo que fantasticamente o admira.
Com Ernesto Kahan.doc
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