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rss  Vol. XVIII - Nº 304         Montreal, QC, Canadá - sexta-feira, 21 de Fevereiro de 2020
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Uruguai

O Mar de Prata deixou morrer Carlos Páez Vilaro

Adelaide Vilela

Reportagem (texto e fotos) de Adelaide Vilela

Caros leitores, morreu o Grande Artista Uruguaio Carlos Paéz Vilaro, no lugar que amava, a famosa Casapueblo. Ali pintava e convivia com as ondas do mar e a prata do rio que beijava e namorava correntes e peixes, do fundo da Argentina até ao Uruguai. Mas será que a morte é o fim de tudo? Na nossa opinião perdemos o lugar na terra que nos foi «alugada» ou cedida por um certo e determinado tempo. O dia da partida chega como o ladrão. Lá vamos… Isso significa que não pertencemos mais ao grupo dos vivos. Pronto, acabou-se… E para onde vamos? Na minha recordada infância diziam-nos que os bons subiam direitinhos pela escada do Céu, os que se portavam mais ou menos bem, passavam pelo purgatório e os maus desciam às profundezas do inferno. A Bíblia Sagrada promete que os fiéis a Deus ressuscitarão e virão a governar sentados à direita do Pai. Esta é a nossa esperança, vermos na outra dimensão, Carlos Paéz rodeado de milhares de telas pintadas – com as belas cores do amor e de alegria máxima – que muito bem soube partilhar como homem e como artista, durante 90 anos.

Casa Pueblo, Uruguai.JPG

Carlos Páes nasceu em Montevideu no dia 1 de novembro de 1923 e faleceu no dia 24 de fevereiro na famosa casa que ele mesmo ajudou a construir, a Casapueblo. Viveu em Buenos Aires e aí se iniciou como artista plástico.

Foi na década de 40 que regressou ao Uruguai. Muito interessado pelas artes fez nascer no seu País, sobretudo na cidade de Montevidéu, alguns museus entre eles o de arte afro oriental. Em 1956 dirigiu o Museu de arte moderna da sua cidade berço. Foi também Secretário do Centro de Artes Populares, muito apreciado pelo povo. Chegou a ser considerado um artista único, simples, empreendedor (senhor de um trabalho excecional), com técnicas diversas e de uma beleza inigualável.

Com os pés bem assentes na comunidade afro uruguaya, durante anos participou em festas populares e pintava o que o povo desejasse, como artista plástico.

Antes de concluir este apontamento sobre o grande artista que tivemos o prazer de conhecer na Casapueblo, em Punta Ballena, Uruguai, queremos levar aos nossos leitores uma réstia de luz, um pouco de força, uma onda de energia de Carlos Páez Vilaro.

Do Grupo planeta poesia,  UHE.jpg
Carlos Paéz Vilaro, o grande pintor uruguaio. Em cima, a Casapueblo.

Corria o ano de 1972, o filho Carlitos viajava de avião, o mesmo transportava um grupo de jogadores de «Old Christians» e seus familiares. O avião caiu na Cordilheira dos Andes. Depois do desaparecimento da aeronave o artista mudou-se para o Chile para colaborar nas buscas intensivas. Arriscou tudo mesmo depois de terem suspendido a procura dos sobreviventes. Este pai recrutou voluntários, consultou videntes e finalmente o seu amado Carlitos foi encontrado vivo e ficou na história dos 16 sobreviventes do acidente de avião.

Num livro que escreveu o nosso Picasso uruguaio, o arquiteto, o escultor, ele que morou com os bichos na montanha, na esperança de encontrar o seu Carlitos, disse com os olhos da alma: «o meu filho figura entre os vivos». «Entre mi hijo y yo, la luna», é o título da obra.

Esta é a minha última homenagem a este grande Artista. Foi no Uruguai que o conheci, com um grupo de poetas do Brasil e dos outros cantos da Terra. Ali me estreei a falar espanhol e é com grande emoção que escrevo:

Gracias por haber amado a mi Portugal, así que ha sobrado amor y voluntad para aprender a su idioma. Adiós estimado Carlos Paéz Vilaro que su alma descanse en los brazos de Jesús.

Até sempre Leitores.

Reportagem
Caros leitores, morreu o Grande Artista Uruguaio Carlos Paéz Vilaro, no lugar que amava, a famosa Casapueblo. Ali pintava e convivia com as ondas do mar e a prata do rio que beijava e namorava correntes e peixes, do fundo da Argentina até ao Uruguai. Mas será que a morte é o fim de tudo?
Uruguai.doc
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