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rss  Vol. XVIII - Nº 304         Montreal, QC, Canadá - segunda-feira, 24 de Fevereiro de 2020
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Helena Loureiro e o Festival Montréal en Lumière 2014

Vitória Faria

Por Vitória Faria

Pela 11ª vez consecutiva Helena Loureiro participou no Festival Montréal en Lumière, isto é, desde que abriu o seu primeiro restaurante, o Portus Calle. Este ano, os seus dois restaurantes foram os únicos portugueses participantes do prestigioso festival. Como decerto todos sabem a vertente gastronómica é uma das mais concorridas. Pelo seu lado, o Festival comemorou este ano o 15º aniversário.

Tal como em anos anteriores Helena Loureiro teve um chefe convidado, este ano foi Margarida Cabaço, chefe proprietária do Restaurante São Rosas, de Estremoz. Entre ela e Helena há, para além duma grande amizade, muitas afinidades, como a de uma cozinha autenticamente portuguesa, feita com produtos de primeira qualidade, requintada e inventiva. Foi com este respeito do que de melhor tem a gastronomia portuguesa que Helena Loureiro conseguiu atingir o prestígio de que desfruta, não somente entre os portugueses, mas junto da clientela quebequense. Para o constatar basta ir comer a um dos seus restaurantes, seja no Helena, na rua McGill, no Vieux Montréal, seja ao Portus Calle, no Boulevard Saint-Laurent. É quase certo que vamos encontrar alguma cara conhecida da televisão ou do mundo artístico. Já lá encontramos Simon Durivage, Jocelyne Blouin, e vários outros.

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Margarida Cabaço, a chefe convidada, e Helena Loureiro, chefe proprietária dos restaurantes Helena e Portus Calle.
Foto  - LusoPresse

Os serões gastronómicos tiveram lugar no Restaurante Helena, nos dias 24 e 25 de fevereiro e nos dias 26 e 27 no Restaurante Portus Calle. Para começar havia um apetitoso «Sur la table» (pasta de fígado de aves, de chouriço e azeitonas temperadas) e o serviço iniciava-se com uma «Mise en bouche» de pezinhos de coentrada, cogumelos com camarões e uma sopa de tomate à Alentejana, que muito me fazia lembrar a da minha mãe, mas em mais requintado. Como prato principal, um bacalhau dourado com salada de coentros e aromas frescos, seguido de medalhões de vitela com ameixas e puré de maçã. Em ambos os pratos, havia aliado à sofisticada leveza que não escondia a origem lusitana, a originalidade da apresentação. Seguiu-se um queijo afinado do Alentejo servido com compota e frutos secos, uma bela forma de valorizar o queijo sem as tradicionais frutas que habitualmente o acompanham. Para finalizar a refeição, uma sobremesa de doces conventuais, tão leves quanto o podem ser esses doces tradicionais à base de gemas de ovos, aqui confecionados por uma chefe que teve o talento de os tornar quase etéreos. O ponto final em beleza, foi um vinho moscatel, não de Setúbal como ele é conhecido, mas da região do Porto. Delicioso.

Os vinhos servidos são uma produção alentejana da chefe Margarida Cabaço.

Mesmo se Helena Loureiro tinha razões de sobra para estar calma, não só pela presença amiga da chefe convidada, mas também pelo menu que ela sabia perfeitamente bem-sucedido, andou num rodopio constante, em todo o lado, a avaliar a satisfação dos clientes, atenta a tudo, com o seu eterno sorriso.

Mais uma vez a participação de Helena Loureiro no Festival Montréal en Lumière 2014 fez honra à gastronomia portuguesa, ao mesmo tempo que a chefe convidada Margarida Cabaço honrava a cozinha alentejana. Não conhecíamos a chefe portuguesa que é uma pessoa encantadora, duma grande simplicidade. Não sendo natural do Alentejo adotou-o há muito, visto que foi abrir o seu Restaurante São Rosas, em Estremoz. Falamos da possível dificuldade de trabalhar em Montreal sem os produtos alentejanos mas ela assegurou-nos tê-la contornado sem dificuldade pois aqueles de que pode dispor eram de grande qualidade. Confessou-nos gostar muito de Montreal que já tinha visitado em 2010 e de ficar deliciada com a espontaneidade dos quebequenses. Presenciámos os testemunhos de certos clientes que, à medida que partiam, vinham felicitar a chefe e dizer-lhe quanto tinham apreciado a sua cozinha, atitude a que não está habituada, embora já possua o seu restaurante há mais de vinte anos.

Falou-nos de como a cozinha em Portugal tem evoluído muito, passando de uma cozinha onde primava sobretudo a abundância no prato a uma mais delicada, sem ter perdido o que tem de genuíno e que é preciso preservar. Também me disse como a diversificação da agricultura alentejana foi benéfica, passando-se da quase monocultura do trigo extremamente empobrecedora dos solos, para uma maior variedade com ênfase na vinha, que deu origem a uma vinicultura duma qualidade que quase ninguém suspeitava ser possível. Isto foi muito benéfico para o Alentejo que se tornou conhecido e reconhecido pela qualidade dos seus produtos, para além da tradicional cortiça, naturalmente. Ela própria se dedicou à produção vinícola, produzindo belos brancos e tintos, não só para o consumo do seu restaurante mas também para exportação privada para restaurantes como os de Helena Loureiro. Além do «Margarida», belos rótulos esboçados por ela e que a irmã pintou, vinhos branco e tinto, há ainda o Monte dos Cabaços, um tinto que mostra que afinal tudo se tornou numa empresa familiar.

Para acabar, Margarida Cabaço fez-me uma pergunta inocente, se eu sabia a razão por que é que os doces conventuais – de que ela nos apresentou dois exemplos deliciosos – levam tantas gemas. Evidentemente que desconhecia a resposta. Confiou-me então que a razão é simples, é que as freiras utilizavam as claras para engomar os seus hábitos, e como detestavam deitar fora fosse o que fosse, inventaram todos esses doces maravilhosos que fazem hoje parte da rica tradição portuguesa.

Para além dos parabéns às duas chefes que nos proporcionaram este serão gastronómico, na bela decoração do Helena, não queremos deixar de mencionar a elegância da loiça (portuguesa) portadora da assinatura de Helena Loureiro.

 

Reportagem
Pela 11ª vez consecutiva Helena Loureiro participou no Festival Montréal en Lumière, isto é, desde que abriu o seu primeiro restaurante, o Portus Calle. Este ano, os seus dois restaurantes foram os únicos portugueses participantes do prestigioso festival. Como decerto todos sabem a vertente gastronómica é uma das mais concorridas. Pelo seu lado, o Festival comemorou este ano o 15º aniversário.
Helena Loureiro e o Festival Montreal en Lumiere.doc
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