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rss  Vol. XVIII - Nº 303         Montreal, QC, Canadá - sexta-feira, 21 de Fevereiro de 2020
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Os Euro barómetros da Cultura e o País!

Fernando Pires

Por Fernando Pires

Tal foi a conclusão de dados recolhidos a que chegaram várias personalidades ligadas ao «consumo de cultura».

Assim se podem tirar algumas interpretações da leitura de entrevistas publicadas nas páginas do jornal « O Público». Isto, segundo «diversos peritos e responsáveis na matéria», que se exprimiram sobre o assunto. Em causa está consumir ou não consumir cultura! Falta agora aqui saber, a que conceito de cultura os entrevistados e o Sr. Secretário de Estado da Cultura se referem. Cultura com C maiúsculo, ou c minúsculo? Será que o poder económico da cultura do capital das multinacionais que invadem as sociedades de hoje propiciam-nos condições de vida materiais para lhe podermos fazer frente a um saber cultural? E como fazer frente aos que comem tudo e não deixam nada? E que dizer também da alienação das massas com distrações das missas campais nos estádios de futebol, do hóquei no gelo, e do boxe? Será que os meios de comunicação das rádios e televisões controlados pelo poder e o dinheiro não tem culpas no cartório? Responder a tudo isto, dava tese de doutoramento. Como encontrar resposta se a preguiça mental e o divertimento das consciências não ajuda?

Atualmente existe uma certa elite intelectual carunchosa e cínica que quer andar sempre na crista da onda, e vai daí, tudo quanto vem de fora é bom. Decerto que assim não vamos lá. A criptografia da internet está a dar a volta a muita gente sem alicerces para aguentar a pedalada!

Mas será que o Euro barómetro das estatísticas do teclado do Executivo de Bruxelas do Sr. Barroso é que nos deve guiar para acompanhar o expresso do Euro barómetro de uma Alemanha que nem sequer tem uma lei sobre o salário mínimo? Que em Portugal, segundo Monteiro de Barros, o salário mínimo é de 485 euros brutos. Que dizer do primeiro-ministro Passos Coelho que dirigindo-se aos jovens lamenta não haver futuro para eles nos próximos 10-20 anos, mandando-os buscar outra Pátria? Desde que este governo está no poder já emigraram 200 mil portugueses. Que acesso à cultura pode ter a grande parte dos pobres do nosso País para consumirem cultura?

Neste caso já nem sequer podemos falar de consumo cultural. É certo que muitos cidadãos da classe trabalhadora portuguesa podem ir «uma vez por outra ao cinema, comprar um livro, ir ao teatro, ou a um concerto». Mas se eles preferem os estádios, que podemos nós fazer para os sensibilizar a estes hábitos culturais? Esse ditado de dizer que «de pequenino que se torce o pepino» tem muito que se lhe diga, e até me pergunto se tudo isto não deriva também no deixa andar.

Claro que «um fraco investimento, uma fraca aposta na educação e um baixo poder de compra» são pilares determinantes para não se poder «consumir cultura». Porque com o estômago a dar horas, lá dizia o Marx: «primo manjare dopo filosofare». E para que lado pende a Europa do Euro barómetro? Para o Norte ou para o Sul? Quem são os figurantes do Executivo da Comissão Europeia do Sr. Barroso para contabilizar estatísticas do consumismo cultural?

Quanto á intervenção nesta entrevista do escritor Graça Moura sobre o Euro barómetro não posso deixar de concordar com ele, quando afirma que: «a queda da quebra da leitura do consumismo cultural de leitura» só pode surpreender, aqueles que não o leem. Mas que faz sua o seu governo conservador para aumentar o interesse pela cultura?

E que faz ele agora no Centro Cultural de Belém pelo desenvolvimento cultural?

O investimento no ensino e na cultura não será possível com o desmantelamento da venda do património da Nação aos interesses privados. Exemplos: os Estaleiros Navais de Viana do Castelo são património do Estado desde 1944, agora a empresa Martifer, que tem um calote de divida de 333 milhões, quer mandar para a rua 300 trabalhadores, seguindo-se depois os CTT e a TAP. Oxalá que a RTP não faça também parte dessa coutada privada deste governo.

Quanto ao ditado popular citado pelo vereador da Câmara do Porto que diz que «de pequenino é que se torce o pepino»: a este ditado opõe-se um outro que reza assim «na casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão»!

E que dizer do ensino escolar? Mesmo hoje o jovem Emanuel Areias, de 17 anos (no blogue do jornal «O Público), já se deu conta que «o abandono escolar é precoce sem financiamento escolar». Para além de tudo isto não podemos deixar de dizer que vivemos numa híper modernidade na encruzilhada de uma nova civilização «tecnocientífica», agora atrelada a princípios da civilização da cultura numérica, com a rede informática de óculos da «GOOGLE GLASSE» à nossa espera em qualquer esquina do planeta!

Será que para as estatísticas do Euro barómetro, «consumir cultura» é o equivalente das agências de notação do mercantilismo financeiro?

Termino, assim, com uma citação muito realista do Presidente do Centro Nacional da Cultura, Guilherme Oliveira Martins, que também foi entrevistado sobre a entrevista do euro barómetro: «A cultura não é uma flor botoeira, é algo que está no centro do desenvolvimento».

Ref.: Texto jornal «O Público» – Porque continuamos a não consumir Cultura? Falta de Educação e dinheiro – 24/11/2013, 2/9/Dezembro/2013.

RTPi – Primeiro-ministro, discurso de Passos Coelho – 2/Dezembro/2013, na Associação da Juventude.

Diário de Notícias -- 28/11/2013.

«Le Monde Diplomatique» – N-716 La Traque Méthodique de l’Internaute Révolutionne de la Publicité.

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Tal foi a conclusão de dados recolhidos a que chegaram várias personalidades ligadas ao «consumo de cultura».
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