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Fazendo o dever de casa num Ano que começa atropelado...

Lélia Pereira da Silva Nunes

Por Lélia Pereira da Silva Nunes

Sim. O ano novo começou atropelado. Isso longe está de ser uma figura de metáfora. Afinal, 2014 não é apenas o ano da Copa do Mundo no Brasil é, sobretudo, um ano eleitoral. O circo está armado em função desses dois acontecimentos que abraçam o País do futebol e o Brasil maravilha que se apresenta na corrida eleitoral.

Decidi abrir o ano fazendo o dever de casa. Não, não se trata do célebre «ano novo, vida nova». Nada disso. Trata-se da minha inquietação com o efetivo apoio à produção literária, à difusão do livro e ao maior estímulo à leitura com a realização de projetos que desenvolvam o hábito da leitura ou a paixão de ler.

Infelizmente, a situação atual não é nada confortável. Nossos índices de leitura são baixos. É preciso com urgência absoluta mudar este cenário desolador. Basta verificar os últimos resultados do «Pisa» (Programa Internacional de Avaliação dos Estudantes) – que mede a cada três anos, o desempenho escolar dos estudantes de 15 anos de idade, dos países membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico/OCDE e de seus parceiros, nas áreas de matemática, ciências e leitura. O Brasil ficou na 58ª posição entre os 65 países participantes. O que não surpreende, haja à vista a inépcia do sistema educacional brasileiro. Não cabe agora buscar culpados, muito menos crucificar os alunos com perversas elucubrações. Pois, com certeza, se há um culpado não são os alunos.

O Brasil de Machado de Assis, Guimarães Rosa, Manuel Bandeira, Jorge Amado ficou com a 55ª posição do ranking de leitura. Pioramos em relação aos anos anteriores. Ou seja, quase 50 % da moçada que, com facilidade, domina as novas tecnologias de comunicação, o universo virtual e vive conectado é ruim de leitura, de interpretação de textos, não consegue dominar a Língua Portuguesa.

Se algo necessita ser feito, que cada um faça a sua parte e contribua para ombrear esta melancólica realidade. Walcyr Carrasco, o autor da trama «Amor à Vida» que diariamente chegava aos lares brasileiros, pelo visto tem paixão por ler ou resolveu fazer do folhetim global uma bandeira para estimular o hábito da leitura. Numa atitude incomum, os seus personagens comentavam a leitura de um livro e referenciavam o seu autor.

Vivo mergulhada em leituras, estou sempre escrevendo e publicando aqui e acolá. Todavia, creio que esta tarefa vai além do escrever sobre um autor e sua obra. Inclui assumir atitudes, fomentando projetos inovadores e realizando uma vigorosa e persistente difusão da criação literária.

Falar, comentar, dialogar sobre o prazer da leitura ou sobre a saída de um novo livro. Temos um desfile sem fim de nomes da literatura dos catarinenses e não só a serem divulgados. Lidos. Recomendados. Só para dar o arranque, quero citar e recomendar, veemente, alguns livros que estão na minha mesa neste momento. Edgar, do grande mestre, o açoriano Eduíno de Jesus. Dois contos preciosos na sua carpintaria literária. Integra a «Coleção Um Conto» da Seixo Publishers, 2013. Quando os bobos uivam: Fogo, espionagem e outros mistérios q.b., Lisboa, Clube do Autor, SA, 2013, de Onésimo Teotónio Almeida. Impossível deixar de ler este livro! Impagável contador de histórias, Onésimo Almeida usa toda sua verve hilária e perspicaz em narrativas gostosas, onde a realidade e a ficção se encontram (ou não). Casa de Máscaras, São Paulo, Iluminuras, 2012, de Péricles Prade, um virtuose da pena, da linguagem sedutora, da poética iluminada, «poesia de sutil transcendência» segreda Silveira de Souza. Tragicomédias d’Alcova, Florianópolis, Conceito Editorial, 2013 de Edson Ubaldo. Divertidos contos de alcova, uns imaginados, outros insinuam veracidade. Todos narrados com elegância, picardia e o bom humor serrano que caracteriza a sua literatura deliciosa. O Reino dos Esquecidos, Florianópolis, Insular, 2013, romance histórico do tubaronense Mario Morais que fascina o leitor na urdidura de seus personagens habitantes do mundo imaginário de Bravatá, sociedade idealizada, sonhada, liberta, parida em Santa Catarina onde milhares de açorianos construíram o seu admirável Mundo Novo.

Vocês já leram algum desses livros?

Afinal, o meu dever de casa está apenas começando...

Crónica
Sim. O ano novo começou atropelado. Isso longe está de ser uma figura de metáfora. Afinal, 2014 não é apenas o ano da Copa do Mundo no Brasil é, sobretudo, um ano eleitoral. O circo está armado em função desses dois acontecimentos que abraçam o País do futebol e o Brasil maravilha que se apresenta na corrida eleitoral.
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