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rss  Vol. XVIII - Nº 303         Montreal, QC, Canadá - quinta-feira, 16 de Julho de 2020
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Editorial

Sondagens manipuladoras

Carlos de Jesus

Por Carlos de Jesus

Sob a capa do jornalismo profissional, nunca os noticiários foram tão manipulados como o estão a ser, de há vários anos a esta parte, mas sobretudo no terreiro da política quebequense.

No princípio desta semana, após a divulgação dos resultados da última sondagem sobre as intensões de voto dos quebequenses, em quase todos os boletins noticiosos – escritos, radiofónicos ou televisivos – os responsáveis das salas de redação, em quase todos os casos, fizeram questão de sublinhar que o Partido Quebequense tinha um grande avanço sobre os Liberais, ou seja de 40 contra 34 porcento, mas todos fizeram também questão de sublinhar que as intenções de voto da parte do eleitorado francófono eram de 50% a favor dos pequistas e de 24% a favor dos liberais.

Porquê esta insistência em sublinhar, a traço gordo, o grupo linguístico dos sondados? No dia do voto, tanto quanto ainda se é permitido crer, todos os votos têm o mesmo peso, independentemente da língua falada em casa.

Se se tratasse duma sondagem sobre a composição social ou política da sociedade quebequense, claro que distinguir-se as origens etnolinguísticas dos sondados tinha toda a razão de ser. Mas no caso vertente o objetivo era «apalpar» o pulso dos eleitores para se avaliar qual é o partido com maiores possibilidades de conquistar a maioria dos votos de todos os inscritos nas listas eleitorais, sem destrinça de língua, religião, cor da pele ou origem étnica.

O que há subjacente nesta irritante forma de análise das intensões de voto é de duas águas:

Na primeira, de forma objetiva e sem rodeios, pretendem levar a crer que só há um partido para defender os interesses do Quebeque, o partido com que os francófonos de raiz («les Québécois de souche, les pure laine») se identificam. É o partido do «nous». Os liberais, com o apoio minoritário dos francófonos, e o apoio maioritário das comunidades emigrantes e anglófonos são assim retratados, sub-repticiamente, como sendo o partido dos «estrangeiros», o partido dos «outros», «les autres».

Ora, as próprias sondagens mostram que apenas 50 por cento dos eleitores privilegiam, neste momento, o Parti Québécois. E a outra metade? Não é também representativa do eleitorado? Mas para esses «silêncio total, silence radio»! Não contam. São vendidos. São federastas. São inimigos da pátria.

A segunda questão subjacente é mais viciosa. É que alguns dos analistas que teimam em apontar a diferença das intenções de votos dos francófonos em relação aos «outros» são também conhecidos simpatizantes do projeto federativo canadiano e, por conseguinte, ao deixarem-se levar por esta onda etnocêntrica dão provas de que o «nacionalismo militante» se infiltrou em todos os setores da sociedade quebequense a ponto de os próprios federalistas embarcarem, voluntária ou involuntariamente, neste comboio xenófobo. Alguns fazem-no por solidariedade para com o rebanho. Outros, para não se verem apontados de ovelhas ronhosas ou, pior ainda, nem têm consciência de estarem a fazer o jogo do adversário.

Dizia-se no tempo de Salazar que a sua grande vitória tinha sido a de ter conseguido por um polícia no coração de cada português. O movimento separatista quebequense pode regozijar-se de ter conseguido por um «nationaleux» no coração de todas as redações do Quebeque! Mas não é com uma tal estratégia que eles vão conseguir fazer um «Québéquois» de cada habitante desta terra, muito embora seja esse o desejo mais profundo de cada um de nós, poder chamar a este torrão de terra o nosso «chez-nous».

 

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