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rss  Vol. XVIII - Nº 303         Montreal, QC, Canadá - terça-feira, 02 de Junho de 2020
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Discurso para o Congresso do PSD

Discurso de um social-democrata açoriano, a proferir no próximo fim de semana, em Lisboa, no Congresso do PSD:

Senhor Presidente do PSD

Senhores congressistas

Acabo de chegar dos Açores, numa viagem de cerca de duas horas, que custou o dobro do que vocês costumam pagar de Lisboa a Paris.

A culpa é do Governo Regional, eu sei, que teima em proteger, a todo o custo, o monopólio da SATA, mas é também de vocês todos, do governo daqui, que há mais de um ano tem nas mãos este problema para resolver e não ata nem desata.

Vim de avião porque, infelizmente, ainda não é possível vir de barco, apesar das inúmeras promessas eleitorais para o reatamento do transporte marítimo de passageiros.

Se o cumprimento é lento, mais rápido tem sido a vossa saciedade em relação à riqueza dos nossos fundos marinhos e respetivo aumento da zona económica exclusiva.

Ou seja, para servir a população dos Açores, funciona a burocracia das gavetas; para explorar as nossas riquezas, é um ver se te avias de produção legislativa...

Este Congresso está a ser transmitido em direto pelas televisões lisboetas, mas se a televisão da minha terra quisesse transmitir este meu discurso, tinha de pedir autorização ao «chefe» de Lisboa, que por sua vez remeteria o papel para a Administração, e esta despacharia com o tradicional carimbo de «não autorizado por falta de cabimento orçamental».

Vocês prometeram-nos, no ano passado, uma nova televisão, um novo projeto, uma nova empresa, já fizeram uma carrada de estudos, mas a verdade é que continuamos a ver tudo mais verde do que as promessas do Maduro.

Sentados nos gabinetes aqui em Lisboa, vocês tiveram a ousadia de riscar do mapa tribunais e outras repartições públicas pelas ilhas fora.

Nós não percebemos, lá nos Açores, porque é que não fazem o mesmo com o Representante da República mais os seus inúmeros palacetes.

Vocês foram rápidos a pôr a coleção do Miró à venda, mas não fazem o mesmo com a Casa da Grená, a apodrecer na Lagoa das Furnas, adquirida pelo Estado no tempo do então monarca Mário Soares.

A gente também não percebe, lá nas nove ilhas, como é que os senhores congressistas deixam que o governo do nosso partido continue a injetar milhões no BPN, enquanto a Universidade dos Açores anda com uma mão à frente e outra atrás por insuficiência de verbas nas transferências do Orçamento de Estado.

O pessoal insular, sempre ostracizado pelos poderes desta Lisboa, habituado a enfrentar as tempestades ciclónicas do meio do Atlântico, não entende como é que o primeiro-ministro e presidente do nosso partido tem dinheiro para contratar uma catrefada de gente para atender telefones em S. Bento, mas já não o tem para adquirir os prometidos radares de meteorologia para as ilhas.

Os açorianos não percebem como é que o nosso parceiro, Paulo Portas, vai com extensas comitivas à China, Rússia e Dubai para vender o nosso património, mas não usa da mesma rapidez e eficiência para resolver com os americanos o problema da Base das Lajes.

Senhores congressistas

Companheiro Passos Coelho

Eu sei que o Sr. não gosta dos Açores.

Mas a gente vai fazer o mesmo que o PS de Carlos César fez a Sócrates.

Quando o Sr. for lá, vamos recebê-lo de braços abertos.

Vamos tomar um copo na esplanada do Central, na Matriz de Ponta Delgada, para todo as televisões filmarem e ficar o registo para os nossos tempos de antena.

Depois... damos-lhe com os pés.

Se calhar já em maio, nas europeias.

Osvaldo Cabral

Crónica
Acabo de chegar dos Açores, numa viagem de cerca de duas horas, que custou o dobro do que vocês costumam pagar de Lisboa a Paris.
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