logo
rss  Vol. XVIII - Nº 303         Montreal, QC, Canadá - quarta-feira, 03 de Junho de 2020
arrowFicha Técnica arrowEstatutos arrowPesquisar arrowContactos arrowÚltima hora arrowClima arrowEndereços úteis
Partilhe com os seus amigos: Facebook

Denver, cidade de doidos do desporto

Um fim de semana excitante: Avalanche sim, Broncos não!

Jules Nadeau

Do nosso enviado especial Jules Nadeau

«Situada no coração geográfico dos Estados Unidos, a cidade de Denver é incontestavelmente uma cidade de desporto, fez-me notar um dia Rich Grant, responsável do Centro de Turismo nesta cidade do Colorado. As grandes cidades vizinhas estão muito longe e os grandes desportos dispõem aqui de equipas fortes.» Não é por acaso que os Nordiques se mudaram para esta cidade das Rochosas.

No outro fim de semana, estava lá para dois acontecimentos de grande importância. O mais importante, o que dava mais que falar foi o Super Bowl com o jogo dos Broncos de Denver contra os Seahawks de Seattle. Nunca tinha visto uma cidade inteira tão orgulhosa de apoiar a equipa local. Viam-se camisolas cor de laranja em todos os bairros da cidade. As crianças e mesmo o pessoal do nosso restaurante chinês favorito, o Super Star, exibiam o número 18 do célebre «quart-arrière» Peyton Manning. Amigos nossos vieram do New Jersey para vir assistir ao confronto – qualificado de nacional.

Jules Nadeau DSC_0712.JPG
Apesar da falta de autorização de fotografar no interior do Centro Pepsi, algunsamadores de hóquei no gelo, mesmo assim, saem alegres, entre eles o jornalista do LusoPresse.

Pelo meu lado, além de observar de perto a febre futebolística, tive a oferta de uma série de bons bilhetes para assistir ao jogo do Avalanche contra os Sabres de Búfalo. Foi no sábado no Centro Pepsi, na véspera do Super Bowl. O meu primeiro desafio de hóquei em doze anos. Na minha tribo sino americana quebequense, era uma estreia para alguns de nós, adultos como crianças.

P. A. Parenteau em grande forma

Para nós, o interesse era duplo porque nas vésperas, sexta-feira à noite, o asa direita Pierre-Alexandre Parenteau, a sua esposa Elsa e o bebé estiveram lá em casa para celebrar o ano lunar do Cavalo. Donde, durante os três períodos do jogo, cada vez que o número 15 saltava para o ringue, nós ficávamos num equilíbrio instável, na beira do nosso assento. Quase tinha vontade de gritar: «Parenteau, go, go, go!» ou o equivalente em francês, mas abstive-me. O suficiente para fazer zunir os ouvidos dos Roy, Bordeleau e Cliche.

Para os potros, isto é, os Broncos, o ano do Cavalo começou com uma terrível prova. Desolador! Fomos ver o jogo em casa dum casal misto (Americano e Filipina) e era esta última quem gritava mais forte para que Denver deitasse ao chão os adversários. A humilhação foi total. Um resultado de 43-8 com vantagem total para Seattle. Mal tinha acabado de começar o jogo que o quadro numérico marcava já 2 a 0. O meu genro que tinha partido «festejar a vitória» antecipada com os amigos e com uma boa quantidade de cerveja (Denver ilustra-se com a Coors, a Molson e muitas micro cervejarias) voltou cedo para casa com o frigorífico portátil quase cheio. «Ninguém tinha vontade de beber um copo» acabou por dizer.

Jules Nadeau photo-4.jpg
O boné dos Broncos e as camisas-laranja do clube de futebol passaram a ser o uniforme de Denver no domingo do Super Bowl.

Era o contrário no Centro Pepsi (dotado dum estacionamento Toyota com espaços Camry e Prius) onde o Avalanche de Patrick Roy infligiu uma vigorosa tareia aos pobres dos Sabres. Um resultado de 7 a 1. Inútil dizer que a multidão de milhares de amadores sapateava de alegria. A equipa de Patrick Roy ganhou oito dos dez últimos jogos. A sua melhor ficha em 2013-14 desde a taça Stanley (2000-01). Inconscientemente, os espectadores do sábado deviam sonhar com o encadeamento de duas vitórias em menos de 48 horas. Sábado no hóquei. Domingo no futbol (americano). Mas nada!

Camisolas e bandeirolas

Para minha grande surpresa, alguns «Denverites» do estádio ostentavam a camisola dos defuntos Nordiques. Dois ou três homens exibiam o número 26 de Paul Stastny, de quem falei a 19 de setembro último, no número 294 do nosso jornal. Precisamente à minha frente um espectador trazia uma camisola vermelha com a inscrição «Baudoin». «É o nome do meu antigo colega da Universidade Laval, disse eu. Quem é esse jogador?» E o indivíduo a rir: «Não, é o meu próprio nome, respondeu-me este filho de um Acadiano da Luisiana.»

Nas ruas da capital do Colorado, nas bandeirolas penduradas por cima da rua, posso ver fotografias das vedetas do clube de hóquei. Parenteau faz parte da galeria municipal. Mas ao primeiro contacto, este jovem de Gatineau, apareceu-me como um tipo terra a terra que não se julga alguém. Um bonito rapaz de olhos azuis e cabelos encaracolados. O papá estava todo orgulhoso de trazer ao colo o pequeno Gabriel de 6 meses.

Entre Pepsi e Toyota, o acontecimento da LNH era evidentemente um assunto comercial. A propaganda publicitária pareceu-me contudo menos agressiva que a que me ensurdeceu no Centre Bell. A publicidade deixa-nos respirar. Outra observação, assim que o número 5 do Avalanche começou a boxar com o número 24 da equipa adversa, a assistência ficou literalmente eletrizada. O mega ecrã repetiu em grande plano a desgraciosa cena. Um amigo meu advogado disse-me que tais brigões seriam condenados a «um ano de prisão» se estivessem fora do ringue.

No momento de escrever estas linhas (numa cidade gelada e coberta de bela neve branca), o rádio começa a dar os resultados provenientes de Sotchi. Os desportos, não conseguimos escapar-lhes. Fenómeno de sociedade incontornável. (Não sou eu que vou ensinar isso a um Português.) E para concluir numa nota positiva, cito o meu genro que enunciava no outro dia esta bela consolação: «Em todo o caso, os Broncos honraram-nos chegando até à final do Super Bowl.» Bem dito! Sobretudo da parte dum «Denverite» nascido em pleno coração do Texas, onde o «homo texanus» não se contenta doutra coisa senão da vitória no combate. Como um cowboy se lançando contra um animal com cornos.

Desporto

Do nosso enviado especial Jules Nadeau
Denver cidade de desporto.doc
yes
O tempo no resto do mundo

Arquivos

Acordo Ortográfico

O que é o novo acordo?

O LusoPresse decidiu adotar o novo acordo ortográfico da língua portuguesa.

Todavia, estamos em fase de transição e durante algum tempo, utilizaremos as duas formas ortográficas, a antiga e a nova.   Contamos com a compreensão dos nossos leitores.

Carlos de Jesus
Diretor

 
LusoPresse - 2020