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rss  Vol. XVIII - Nº 302         Montreal, QC, Canadá - sábado, 11 de Julho de 2020
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Quem não faz puto...

Osvaldo Cabral

Por Osvaldo Cabral

Há exatamente dez anos que a RTP mandou elaborar um projeto de re-estruturação do seu canal nos Açores.

Uma década de sonhos que jaz perdida algures numa gaveta da sede na Marechal Gomes da Costa.

Era uma re-estruturação de necessidade absoluta, devido à já degradação das infraestruturas e equipamentos do canal, englobada num plano para toda a empresa, denominado «Fénix II».

Antes, tinha sido aplicado o «Fénix I», que re-estruturou todos os restantes canais do grupo, incluindo a transferência da 5 de Outubro para a Gomes da Costa.

Foram investidos mais de 2 mil milhões de euros nestas fénixes renascidas, com novas instalações, novos estúdios e equipamentos de ponta, em Lisboa, Porto, Madeira, Delegações espalhadas pelo continente e ainda sobrou para «programas de cooperação» com os canais dos PALOP's.

O único canal que ficou a ver navios foi... a RTP-Açores.

Quando o atual Presidente da RTP veio, no final da semana passada, numa entrevista ao «DN», dizer que «há gente na RTP que não faz puto», lembrei-me logo das administrações e ministros destes últimos dez anos.

A reforçar a tese, o ministro Poiares Maduro veio esta semana anunciar que o aumento da CAV (Contribuição do Audiovisual, que os contribuintes pagam na fatura da eletricidade) é para re-estruturar os canais internacionais e lançar mais 4 canais temáticos!

Ou seja, há canais do grupo público que já vão na segunda e terceira renovações, já se pensa em mais canais, e a RTP-Açores sempre a marcar passo.

Esta gente devia ter vergonha.

Vergonha porque prometeram uma nova televisão, em nome do serviço público para os Açores, pago por todos nós, e não cumpriram.

Vergonha porque vamos todos – nós, açorianos – continuar a contribuir com o nosso dinheiro da CAV para re-estruturar outros canais em Lisboa.

Vergonha porque delapidaram o património do canal regional, nomeadamente ao venderem um dos edifícios da sede regional, em Ponta Delgada, no valor de várias centenas de milhares de euros.

O dinheiro «voou» para Lisboa, sem que fosse reinvestido um tostão nos Açores.

Administradores, ministros, deputados, partidos, não se insurgiram contra este «negócio» nem se preocuparam, durante uma década, em poupar umas migalhas para a renovação de um canal, que só não se afunda mais por persistência dos seus profissionais.

Administradores e políticos não fizeram puto!

                                                       ****

FUNDOS – Os Açores vão receber, até 2020, cerca de 1,5 mil milhões de euros, no âmbito do novo Quadro Comunitário de Apoio (QREN).

A verba vem incluída no envelope financeiro destinado a Portugal, que ronda os 21 mil milhões.

O Governo da República já estudou e anunciou como vão ser aplicados os novos fundos.

Nomeou, inclusive, um Grupo de Trabalho, coordenado pelo Presidente da Associação Industrial Portuguesa, José Eduardo Carvalho, que escolheu os 30 projetos mais prioritários para o país.

Integraram este grupo vários autarcas, gestores, empresário, operadores de transportes, engenheiros, professores universitários e outros especialistas em vários setores.

O maior partido da oposição, através do seu líder, António José Seguro, também foi chamado a dar o seu contributo ao acordo de parceria sobre os fundos comunitários.

Nos Açores, é estranho o silêncio à volta destes fundos.

O Governo Regional também já devia estar a debater, com a sociedade civil, a aplicação do novo QREN, analisando as prioridades de investimento na nossa região.

É bom que haja o cuidado de envolver toda a gente nesta discussão.

Para que não aconteça que estes fundos estejam ao dispor de uma cabeça só, para satisfazer amigos de grupos económicos ou clientelas políticas.

Houve grandes investimentos, como já se percebeu, que se revelaram um desastre para a economia regional.

É preciso agora corrigir o tiro e investir na criação de riqueza e empregos, sob pena de continuarmos a ver os nossos níveis de desenvolvimento a passo de caracol.

E isto faz-se com todos, envolvendo uma grande abertura, em vez de se tomarem decisões nos gabinetes fechados da política.

Crónica
Há exatamente dez anos que a RTP mandou elaborar um projeto de re-estruturação do seu canal nos Açores.
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