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rss  Vol. XVIII - Nº 302         Montreal, QC, Canadá - sexta-feira, 03 de Abril de 2020
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Auten(tique)cidade

Onésimo Teotónio Almeida

Por Onésimo Teotónio Almeida

Escreve-me um açor-americano de Illinois (não se irritem comigo por causa desse «açor» em vez de «luso» antes de lerem o resto). Traduzo o e-mail cuja frase de abertura já vem, por sinal, em português (mais adiante virá a explicação):

Olá! Como vai? Chamo-me Austin Carvalho e sou de New Brunswick, Illinois. [«Carvalho» foi invenção minha para despistar o leitor e preservar a privacidade do subscrevente. Idem para a geografia indicada]. Passemos agora à tradução do cerne do e-mail:

Depois de visitar a Brown, fiquei deveras interessado nessa universidade [devagar, caro leitor, a ideia não é fazer autopublicidade!]. O meu entusiasmo levou-me de imediato a querer aprender mais nas áreas dos meus interesses mais específicos. Isso levou-me ao portal do Departamento de Estudos Portugueses e Brasileiros e depois ao seu CV. Foi impossível não notar que você é de S. Miguel. Que legal! [este Que legal! saiu-lhe assim mesmo em português, a demonstrar que o está aprendendo na versão brasileira, ou então com algum lusitano que vê muita telenovela daquele lado do mundo].

O meu avô também nasceu lá. Embora eu tenha o sobrenome dele, não cheguei a ter oportunidade de o conhecer porque faleceu antes de eu nascer. Por causa disso, tenho estado interessado em reavivar as minhas raízes portuguesas. Estou particularmente interessado em ouvir as suas opiniões sobre como é a vida nos Açores. Como é um dia normal por lá? Quais são algumas tradições e costumes especificamente açorianos? Em que diferem dos de Portugal continental? Que evolução sofreram ao longo dos anos?

Este ano também comecei a aprender português. Estou a tentar melhorar o meu sotaque. Atualmente soa um pouco a espanhol, pois tenho estudado essa língua. O que me poderia fazê-lo parecer mais açoriano? E o que torna o dialeto açoriano diferente de outros dialetos portugueses?

Desculpe-me todas estas perguntas, estou simplesmente fascinado com tudo isto.

Sinceramente [também escrito assim, em português]

Austin (que é a versão americanizada do nome do meu avô – Agostinho)

P.S. Tenho dois cães-de-água, um deles tem o nome de Azor por causa das ilhas.

Lá seguiram para o jovem recomendações bibliográficas (se não, no resto do mês não faria outra coisa além de responder-lhe às perguntas), mas ficou-me o bico-de-obra: como explicar-lhe a questão do sotaque? Que não há sotaque açoriano, ainda vá, posso informá-lo de que, quando se usa essa expressão, se refere geralmente o sotaque micaelense, o da minha querida ilha. O problema vai ser a escolha. Ensino-lhe o da Ribeira Grande, o da Bretanha, ou vou mesmo mais longe na saga da autenticidade e apresento-lhe o de Rabo de Peixe?

Se calhar recomendo-lhe os dois: o de Lisboa e o de Rabo de Peixe. Ficará tetralingue (ou tataralingue, como Saramago preferia – pelo menos escrevia tataraneto).

Na mente do leitor adivinho uma dúvida: Austin a tradução mais próxima de Agostinho? Claro! O ouvido dos pais do jovem eram afinados. Em micaelense, Ag’stim.

Ah! As vantagens do bilinguismo!

 

Crónica
Escreve-me um açor-americano de Illinois (não se irritem comigo por causa desse «açor» em vez de «luso» antes de lerem o resto). Traduzo o e-mail cuja frase de abertura já vem, por sinal, em português (mais adiante virá a explicação):
Ler-Fevereiro-2014.doc
no
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