logo
rss  Vol. XVIII - Nº 302         Montreal, QC, Canadá - terça-feira, 14 de Julho de 2020
arrowFicha Técnica arrowEstatutos arrowPesquisar arrowContactos arrowÚltima hora arrowClima arrowEndereços úteis
Partilhe com os seus amigos: Facebook

Editorial

Curandeiros e quejandos

Carlos de Jesus

Por Carlos de Jesus

Muita gente acredita em horóscopos, em bruxas, em videntes, em curandeiros e em médiuns. Assim como também há muita gente que acredita que a terra é plana e que é o sol que gira à nossa volta e não o contrário ou que o homem nunca foi à Lua.

Já Rabelais, médico, padre e escritor do século XV dizia que «a ignorância é a mãe de todas as misérias» e mais tarde um político americano do século XIX, Robert Ingersoll, afirmava que «a superstição é filha da ignorância e a mãe da miséria».

Infelizmente não são só as pessoas pobres e incultas que vão atrás destas patranhas. Um caso bem recente é o de Steve Jobs, o fundador de Apple e um dos grandes pioneiros da informática, que, acreditando na virtude das mesinhas e nos milagres do pensamento mágico, acabou por morrer de um cancro no pâncreas, com apenas 56 anos de idade, tendo recusado até às vésperas da morte, os tratamentos da medicina oficial.

Há ignorância, há superstição e há fé. Mas há sobretudo muita gente crédula e outros tantos para tirarem proveito dessa credulidade.

Quando as sociedades funcionam normalmente, quando há pouco desemprego, quando há menos ameaças de guerras ou conflitos, quando a maioria dos cidadãos se sente em segurança e em paz, os curandeiros fazem menos negócio.

Mas quando surge uma crise, ei-los de volta ao assalto das páginas de pequenos anúncios, sobretudo nos pequenos jornais de província ou, no nosso caso, nos jornais étnicos.

O que é deveras confrangedor é que, em troco de um pequeno espaço publicitário pago, os editores desses jornais não tenham a mais pequena relutância em induzir os seus leitores em erro, caucionando, com a idoneidade que devia ser atributo da letra impressa, as mais grotescas e enganadoras promessas feitas por gente que não busca senão enganar o próximo.

Como se explica que haja gente que se deixe levar por promessas tão balofas como esta que vinha há dias publicada num jornal da nossa comunidade: «Posso-vos ajudar a resolver os vossos problemas. Trabalho, amor, afeição, fidelidade absoluta no casal, carta de condução, atrair clientes, sorte para encontrar trabalho, tratar impotência sexual, proteção familiar contra perigos, feitiços, álcool, curandeiro, sorte no jogo, etc.»

Infelizmente, a verdade é que há quem caia no logro. Porque se não houvesse, os ditos curandeiros não arranjavam dinheiro para pagar os anúncios. Temos mesmo conhecimento dum compatriota que gastou milhares de dólares com um desses vendedores da banha da cobra, para vir a descobrir que tudo aquilo não passava duma burla.

Tem sido um número sem conta as vezes que esses anunciantes nos têm batido à porta, prometendo pagar bem e depressa e a nossa resposta, amável mas firme tem sido sempre a mesma. Obrigado pela oferta mas os seus serviços não se enquadram dentro da linha ética do nosso jornal.

Não queremos servir de exemplo para ninguém, mas gostávamos que nesta matéria os nossos colegas fugissem igualmente da tentação do anúncio bem pago, ainda que não seja pelo respeito devido aos seus leitores.

Editorial
Muita gente acredita em horóscopos, em bruxas, em videntes, em curandeiros e em médiuns. Assim como também há muita gente que acredita que a terra é plana e que é o sol que gira à nossa volta e não o contrário ou que o homem nunca foi à Lua.
Editorial.doc
no
O tempo no resto do mundo

Arquivos

Acordo Ortográfico

O que é o novo acordo?

O LusoPresse decidiu adotar o novo acordo ortográfico da língua portuguesa.

Todavia, estamos em fase de transição e durante algum tempo, utilizaremos as duas formas ortográficas, a antiga e a nova.   Contamos com a compreensão dos nossos leitores.

Carlos de Jesus
Diretor

 
LusoPresse - 2020