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rss  Vol. XVIII - Nº 302         Montreal, QC, Canadá - terça-feira, 07 de Abril de 2020
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E praxar os políticos?

Osvaldo Cabral

Por Osvaldo Cabral

Já aqui abordei, por mais de uma vez, a hipocrisia que é a classe política manifestar-se «profundamente preocupada» com temas que dividem a sociedade e, depois, deixar ficar tudo na mesma.

Na semana passada dei o exemplo da crescente abstenção eleitoral.

Agora temos as praxes académicas.

Pelo meio surgem, todos os dias, sinais da mais despudorada hipocrisia.

Vejamos as mais recentes.

A aprovação do referendo sobre a co-adoção e adoção por uma minoria de deputados, ainda por cima com disciplina de voto, que certamente não será realizado, é uma atitude hipócrita para que tudo fique na mesma.

Fazer uma grande festa com a redução do défice, quando é sabido que foi à custa das receitas do aumento dos impostos, penalizando os mais fracos, é pura hipocrisia política. Reduzir o défice assim, até a mais humilde Junta de Freguesia.

Quando Passos Coelho define o perfil do candidato presidenciável, a apoiar pelo PSD, recusando um «cata-vento de opiniões erráticas», e depois vem dizer que não se estava a referir a Marcelo Rebelo de Sousa, revela a mais requintada hipocrisia política.

O PS e o PCP, ao acordarem a formação de uma comissão parlamentar de inquérito aos Estaleiros de Viana, deixando de fora, subtilmente, o mandato das administrações de José Sócrates, é outra forma hipócrita de fazer política.

Vir dizer que os investimentos em ciência e tecnologia aumentaram com este governo, quando está à vista de todos a redução de bolsas individuais de doutoramento e pós-doutoramento, com cortes acima dos 40%, é mais uma hipocrisia.

Criar um «grupo técnico» para estudar e propor uma «reformulação da Contribuição Extraordinária de Solidariedade», é um eufemismo hipócrita, porque o verdadeiro significado da medida é escolher a fórmula constitucional para o corte definitivo das pensões.

Até no setor da Justiça, quando umas almas penadas vêm propor escutas e buscas aos jornalistas, por causa do segredo de justiça, é outra forma de hipocrisia. Quer dizer, não se vai à fonte, vai-se ao mensageiro.

Os exemplos desta prática política, em todos os quadrantes, são assustadoramente crescentes.

Revelam o caráter pouco digno que se respira no país político.

Voltando às praxes académicas, cuja discussão vai estar, novamente, na agenda política destes dias, deixem-me recordar mais esta hipocrisia da nossa classe política: em 2008 a Comissão de Educação e Ciência da Assembleia da República elaborou um grosso relatório sobre a violência nas praxes académicas, ouvindo várias personalidades do mundo do ensino, incluindo professores, reitores e alunos.

Destacadas figuras defenderam o fim das praxes ou, em alternativa, a criação de legislação que orientasse o fenómeno, com castigo severo às praxes violentas.

A dita Comissão, presidida, imagine-se, por António José Seguro, gastou tempo e tinta no laborioso relatório.

Sabem qual foi o resultado?

Zero!

Digam lá se não dá vontade de pegar nessa classe política e praxá-la na praça pública.

                                                 ****

PICO – A ilha do Pico, pela sua extensão, tem sido uma das mais martirizadas pelo setor da saúde.

Nenhum governante conseguiu, até hoje, encontrar uma fórmula racional e eficaz para resolver os graves problemas dos picoenses na saúde.

Surge agora a ideia peregrina de concentrar tudo na Madalena, esvaziando as unidades das Lajes e de S. Roque.

Tudo em nome da racionalização financeira.

Mas há orçamento para os complementos dos funcionários públicos que já ganham 3 mil euros e margem de manobra para estabelecer horários de 35 horas...

É outra forma de hipocrisia política.

Crónica
Já aqui abordei, por mais de uma vez, a hipocrisia que é a classe política manifestar-se «profundamente preocupada» com temas que dividem a sociedade e, depois, deixar ficar tudo na mesma.
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