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rss  Vol. XVIII - Nº 302         Montreal, QC, Canadá - segunda-feira, 24 de Fevereiro de 2020
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DEZ ANOS SEM ALDÍRIO SIMÕES...

Histórias que o tempo não apaga

Por Lélia Nunes

 

Cronista da alma da Ilha, de Florianópolis, do carnaval, da terra, do mar, dos valores mais típicos da nossa gente. Este era seu chão e daí gerava a sua escrita simples e alegre. Ousado, teve coragem de valorizar o ilhéu nativo -- o «Manezinho» -- a identidade renascida e abraçada de forma incontestável. Com Aldírio Simões e sua paixão pela Ilha nasceu um novo olhar -- de respeito e reverência -- ao Manezinho que ele soube como ninguém colocar no seu devido lugar e dando a real dimensão da dignidade. Mesmo passados 10 anos de sua partida, Florianópolis não o esquece. Junto da saudade da sua presença amiga ficou um legado inegável representado por sua importante produção literária para quem se aventurar a conhecer a alma do ilhéu. Uma herança que permanecerá viva no correr das gerações como parte da nossa história cultural.

Histórias ou memórias que o tempo não apaga...

Apresentei ao jornalista Osvaldo Cabral, na época Diretor Geral da RTP-Açores, o projeto de gravar nos Açores o programa «Bar Fala Mané». A ideia foi acolhida com entusiasmo e o projeto previsto para ser realizado em junho de 2004. Aldírio ficou feliz. Tudo acertado para divulgar a boa nova no programa «Bar Fala Mané», na noite de sexta-feira, dia 23 de janeiro de 2004. No entanto, «o Bar» não abriu. Um dia antes, Aldírio Simões pregou-nos uma grande peça -- simplesmente levantou âncora da vida e partiu... Falar do Aldírio é como mexer num balaio de siris. Puxa um e vêm todos... Assim, puxo outra história. O aniversário da Fundação Franklin Cascaes em 29 de julho de 2002. Entre os convidados, os escritores Onésimo Teotónio Almeida e Leonor Simas-Almeida da Brown University, Providence (USA). Onésimo proferiu conferência na Academia Catarinense de Letras e, com a Leonor, participou das inúmeras atividades da programação de aniversário da Fundação. Aldírio Simões fez questão de entrevistá-lo no «Bar Fala Mané» que seria gravado na Praia do Sonho. Na última parte do programa seria oferecido um farto almoço e, no cardápio, músculo assado na panela. A entrevista foi ótima. Tudo resultou bem e chegara o momento de servir o esperado «músculo na panela.»

Aldirio Simoes.jpg

-- Professora Lélia, traz o Onésimo, o escritor açoriano. Vamos encerrar agora, fala o Aldírio.

-- Onde está o Onésimo? Cadê o Onésimo? Procuramos por todos os lados e nada. Minutos foram passando... Saímos a procurá-lo nas redondezas. Ao pé dali, coisa de uns 200 metros, uma família almoçava. O aroma do churrasco e as gargalhadas tomavam conta do sítio. Entramos. No fundo do quintal uma grande mesa em torno da qual celebrava-se um aniversário. Entre eles, e muito à vontade, estava o Onésimo todo sorridente a contar histórias. Doze anos depois (e dez da morte do Aldírio) pergunto ao Onésimo o que guardara na memória sobre este breve convívio com o jornalista Aldírio Simões na sua visita Florianópolis. Escreve-me Onésimo T. Almeida: "Foi assim. O Aldírio no meio de nós explodindo de vida e humor, alegria, wit, convivialidade suprema, tudo numa boa que um visitante como eu, caído sem paraquedas em Florianópolis, tomava como sendo de outro mundo a confirmar que, para lá do Equador, se não era verdade não existir pecado, ao menos tristeza não se enxergava. Foi rápido o encontro, a conversa na TV ou na rádio (já nem me recordo), a folia no parque, numa festa que as fotografias não registaram o nome, pois não vêm com legendas e a memória não consegue reconstrui-las. Trouxe comigo esses momentos, esses rostos, essas faces de sorriso rasgado e, de repente, tão de repente como me surgiu esse monumento de comunicação que era o Aldírio Simões, chegou a notícia de ele ter abruptamente decidido que era bastante, qualquer razão estranha lhe ditara ser tempo de acabar a festa da vida. Tudo um mistério que não entendi como não entendera antes de onde vinha tanto humor nem tão contagiosa maneira de estar neste mundo.»

Crónica
Cronista da alma da Ilha, de Florianópolis, do carnaval, da terra, do mar, dos valores mais típicos da nossa gente. Este era seu chão e daí gerava a sua escrita simples e alegre. Ousado, teve coragem de valorizar o ilhéu nativo -- o «Manezinho» -- a identidade renascida e abraçada de forma incontestável. 
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