logo
rss  Vol. XVIII - Nº 301         Montreal, QC, Canadá - terça-feira, 02 de Junho de 2020
arrowFicha Técnica arrowEstatutos arrowPesquisar arrowContactos arrowÚltima hora arrowClima arrowEndereços úteis
Partilhe com os seus amigos: Facebook

Recalibrar a Autonomia

Osvaldo Cabral

Por Osvaldo Cabral

O léxico político ganhou um novo termo, a propósito da «recalibragem» das pensões.

Pois então falemos a linguagem deles, a ver se esta classe política – que às vezes tende para o paleolítico – entende as nossas preocupações.

O nosso sistema democrático vai fazer 40 anos e uma das suas maiores criações foram as Autonomias Regionais.

Passado este tempo, que é mais do que uma geração, faz todo o sentido que essas Autonomias se regenerem, que sejam encaradas pelos poderes centrais sem mais preconceitos, alargando-se a sua área de intervenção autónoma em todos os setores da vida pública regional.

O que está a acontecer nestes últimos anos é um retrocesso enviesado, cujo maior exemplo está na atuação do Representante da República, figura que vive no tempo da pedra lascada.

Como lembrou em tempos Álvaro Monjardino, «a Autonomia democrática ganha na Constituição de 1976 possibilitou aos povos insulares uma ampla autoadministração e o poder de criar direito próprio», não se podendo esbanjar, quase quatro décadas depois, este legado, que se tornou património político nacional.

Foi interessante assistir, por estes dias, à unanimidade dos partidos políticos, na região, em defesa deste direito regional.

Mas, precisamos de um pacto mais duradouro, que possa estender-se a outros assuntos onde estamos a ser esbulhados, como são os casos das finanças regionais e locais, da universidade, da RTP-Açores, da Base das Lajes, o nosso mar, e por aí fora...

Uni-vos forças políticas!

E recalibrem a nossa Autonomia.

                                           ****

RTP – Mais uma afronta se prepara nos gabinetes de Lisboa às pretensões dos açorianos. Os novos Estatutos da RTP preveem para a RTP-Açores competências apenas em «actos de gestão corrente».

Ou seja, como até aqui, autonomia apenas para comprar pregos e parafusos...

Como se não bastasse, os crânios da RTP-Internacional, sentados no conforto dos gabinetes da Marechal Gomes da Costa, decidiram agora retirar o Telejornal dos Açores do horário nobre da programação nos Estados Unidos e Canadá, onde a audiência é praticamente toda açoriana, passando-o para a 1 hora da manhã!

Assim se gere uma casa ao sabor do umbigo alfacinha.

E assim se comprova a necessidade da RTP-A passar a ser transmitida, via satélite, naqueles países.

                                                   ****

SATA – Outra vez a SATA. De vez em quando os seus responsáveis teimam lembrar-nos que esta empresa vai sendo gerida como uma roleta russa.

Desta vez puseram à venda, num anúncio internacional, um dos dois aviões Dash Q200.

A coisa causou tanta estranheza, a tal ponto da SATA escrever um comunicado, esclarecendo que aquilo era apenas uma «auscultação do mercado» para «avaliação dos seus ativos».

A gestão da SATA já era motivo de gozo cá dentro. Agora quis internacionalizar-se...

A tutela parece adorar estas trapalhadas.

Ela devia pôr, também, esta administração no mercado internacional... para vermos quanto vale.

                                                 ****

LAJES – O Representante da República anda com a corda toda neste início de 2014.

Não se conhecendo nenhum pensamento desta personalidade (a única entrevista que deu foi em 2011 ao extinto «Expresso das 9»), veio finalmente pronunciar-se sobre o problema da Base das Lajes.

Segundo o embaixador Pedro Catarino, «os americanos têm de dar eles próprios outras utilidades à Base das Lajes», acrescentando que vê «com alguma preocupação o impacto da redução drástica dos efetivos do contingente militar dos EUA na Terceira».

Eu acho interessante que o Sr. Embaixador não tenha manifestado estas preocupações quando chefiou a missão portuguesa nas negociações para a renovação do Acordo das Lajes.

Para quem não saiba, Pedro Catarino foi, durante quatro anos e meio, embaixador de Portugal nos Estados Unidos, de quem não se conhece, no tempo todo, qualquer atenção para com a comunidade açoriana.

Foi nessa altura que chefiou a missão portuguesa para rever o Acordo das Lajes, que resultou no pior acordo de sempre, aquele que retirou tudo aos Açores para entregar às instituições militares no continente e à FLAD.

Estes políticos em fim de carreira deviam ser condecorados com... umas pantufas.

                                                          ****

RONALDO – Para a cerimónia ser perfeita, Ronaldo devia ter enfiado a Bola de Ouro nas fuças do patético Blater.

(«Correio dos Açores»; «Diário Insular»; Multimédia RTP-A; «Portuguese Times», EUA; «LusoPresse», Montreal – Quebeque.)

 

Crónica
O léxico político ganhou um novo termo, a propósito da «recalibragem» das pensões.
Recalibrar a Autonomia.doc
no
O tempo no resto do mundo

Arquivos

Acordo Ortográfico

O que é o novo acordo?

O LusoPresse decidiu adotar o novo acordo ortográfico da língua portuguesa.

Todavia, estamos em fase de transição e durante algum tempo, utilizaremos as duas formas ortográficas, a antiga e a nova.   Contamos com a compreensão dos nossos leitores.

Carlos de Jesus
Diretor

 
LusoPresse - 2020