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O Parlamento Canadiano Como Identidade do Estado ou Simbolismo Religioso?

Fernando Pires

Por Fernando Pires

É Natal, dia 24 de dezembro de 2013: será que a identidade da decoração da entrada do Parlamento canadiano é realmente neutra?

Quem decidiu que a decoração à entrada do Parlamento canadiano deveria identificar-se com o pinheiro de Natal, imagem de um Pai Natal, São Nicolas do Norte?

Será que esta decoração é ditada pelo paganismo comercial nórdico ou pelo comércio do guardião do Parlamento canadiano, dado que este simbolismo é remoto dos tempos do paganismo vindo do norte? E que aconteceu ao bovino e ao jumento do presépio da Judeia? O Canadá explora atualmente um comércio de 2 381 milhões de «sapins» contra 4 000 milhões da mesma espécie na Dinamarca. Onde mora o laicismo religioso, que separa o espírito cívico e público da religião? O porquê de todas destas perguntas é se cada um é livre, ou não, na sua vida privada de ser crente ou não? Segundo nós como cidadãos, a Câmara dos Comuns não é uma identidade privada de qualquer partido. Então a questão é: que faz o pinheiro de Natal como representação simbólica religiosa, à entrada do Parlamento, como identidade neutra de Estado? Ora o dever e a função da Câmara dos Comuns não é desejar feliz Natal a cristãos ou não cristãos. A mensagem seria desejar feliz Natal a todos os canadianos. Mais subtil é «impor» indiretamente um «sapin de noël» à entrada da casa da democracia, que não devia ter nada a ver com a religião. Exceto no islamismo, com o alcorão dos muçulmanos, onde a religião está ligada ao poder. No entanto, o Egito não respeitou a democracia que elegeu um chefe religioso e os seus crentes, passando agora a serem julgados em nome da mesma democracia que não respeitaram. No que diz respeito à manha da raposa conservadora no Parlamento, isto é um princípio de campanha eleitoral para melhor fazer esquecer os tormentos nos quais está metido o partido do Sr. Harper.

«Feliz Natal a todos, mesmo aos não cristãos», assim decidiu o conceito ideológico do Partido Conservador em nome dos três deputados: uma sikh, um hindu e um judeu, tudo isto pela mão do ministro do Multiculturalismo, e com a bênção do chefe do Partido Conservador e Primeiro-ministro do Canadá!

Este conceito de «democracia» religiosa vestida com capa de pseudo neutralidade é um tapa-olhos (com se diz na minha terra) para inglês ver. A legislação parlamentar de Pierre E. Trudeau certamente que foi tenaz enfrentando o Quebeque estrategicamente nas suas revindicações, mas foi também ele que instaurou o direito de todas as minorias francesas do Canadá, e todos os direitos das outras minorias, evidentemente com o repatriamento da Constituição que não satisfez o Quebeque.

O conceito de Estado deste estadista não tinha nada a ver com o conceito ideológico do atual chefe conservador. Tinha como premissa um conceito mais democrático (mesmo se por vezes errou) que o atual chefe conservador, que ignora o respeito pela democracia mantendo um certo segredo a governar, ditando a ministros e funcionários o seu conceito autocrata de demagogo. São os cidadãos mais bem informados que tentam não o deixarem fazer ninho no seu beiral.

Contudo, quando visita outros países, leva uma pasta com conselhos sobre conceitos de liberdade.

O Parlamento canadiano não tem o crucifixo como símbolo mas tem o ícone da rainha de Inglaterra representativa do poder, mas mesmo a rainha não impõe o pinheiro de Natal à entrada do Parlamento de Westminster!

Concluindo, dizemos que melhor que ninguém como o caricaturista Garnotte do jornal «Le Devoir» representa as semelhanças entre a Assembleia Nacional do Quebeque com o símbolo do crucifixo e o Parlamento de Otava com o símbolo da monarquia da rainha do Canadá. Isto reflete bem a personalidade do chefe do Partido Conservador.

Ora os cidadãos canadianos que não se veem em qualquer conceito religioso (incluindo também o conceito dito ateísta) podem conseguir ser pensadores livres das amarras simbólicas dos deuses que perduram através dos tempos das lendas dos cultos!

Ref.: jornal «Le Devoir», 24/12/2013.

Wikipédia.

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É Natal, dia 24 de dezembro de 2013: será que a identidade da decoração da entrada do Parlamento canadiano é realmente neutra?
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