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rss  Vol. XVIII - Nº 301         Montreal, QC, Canadá - quarta-feira, 03 de Junho de 2020
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Morreu o maior!

Norberto Aguiar

Por Norberto Aguiar

Na viragem de cada ano, quase sempre, surgem acontecimentos nefastos. Umas vezes são terramotos, outras são enxurradas que tudo devastam e ainda noutras ocasiões são mortes de gente querida, muitas vezes com um raio de ação suficientemente alargado.

Foi a 5 de janeiro último que faleceu o Grande Eusébio, o maior futebolista português de todos os tempos e um dos melhores do Mundo, só comparável com Pelé, Maradona e poucos mais.

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Amalia Rodrigues e Eusébio, duas lendas do imagináriopopular português!

Sabia-se que Eusébio estava enfraquecido, doente mesmo, mas nada que fizesse pensar que a sua hora tinha chegado. De resto, Eusébio não era velho, pois faria 72 anos sábado próximo. Para um homem forte, em estatura e resistência, que teve uma vida de atleta, esperava-se que vivesse muitos mais anos. Não foi isso que aconteceu e, agora, estamos todos tristes que assim não tenha sido.

Eusébio da Silva Ferreira nasceu em Moçambique de mãe moçambicana e pai português. Depois de se ter iniciado no futebol em Maputo, sua cidade natal, o jovem, 19 anos, partiu para Lisboa para fazer uma carreira futebolística a todos os níveis sensacional. Jogou no Benfica, onde não só brilhou a grande altura como ajudou o clube a projetar-se a nível internacional. Ganhou honrarias individuais e coletivas. Foi campeão europeu e várias vezes finalista. Venceu a Bota de Ouro, a Bola de Ouro e uma série de Bolas de prata. Se não ganhou mais foi porque, no seu tempo, não havia tudo o que há hoje, como seja a «Bola de Ouro» a nível mundial.

Na Seleção Nacional, o zénite da sua carreira coincidiu com o Mundial de 1966, em Inglaterra, onde foi o melhor marcador da prova e seu melhor jogador. Também em 1972, na Minicopa do Brasil, Eusébio ajudou, com o seu talento, a levar a equipa das quinas até à final do majestoso Maracanã, no entanto perdida pela diferença mínima e obtida no último minuto para o Brasil.

Depois da independência de Moçambique, Eusébio escolheu, conscientemente, Portugal como sua pátria, apesar das críticas. No entanto e apesar disso, nunca renegou a terra onde nasceu. A dada altura, Eusébio fez mesmo de «ponte» nas relações entre os dois países.

Seja como for, Eusébio faz parte dos poucos heróis portugueses da contemporaneidade. Neste plano, ele estará à altura da Grande Amália, outra individualidade oriunda das gentes populares. Não admira por isso que toda a sociedade portuguesa, dos plebeus aos intelectuais, passando por todos os partidos na Assembleia Nacional, o queira no Panteão Nacional, precisamente ao lado de Amália e dos Manuel Arriaga, Teófilo Braga, João de Deus, Guerra Junqueiro, Humberto Delgado e outros que mais... Homenagem merecidíssima, acrescentaremos nós!

Eusébio deixou em lágrimas sua esposa Flora, suas duas filhas e restantes familiares.

Eusébio e nós

Infelizmente vimos Eusébio jogar já na sua curva descendente, quando foi aos Açores em digressão no princípio dos anos 70. Do resto, vimo-lo em documentários no «Cinema Lagoense», quando serviam de prelúdio ao filme da matiné ou soirée durante a minha adolescência em Lagoa... Ficava, como todos os cinéfilos insulares, pelo menos aqueles que amavam o futebol, extasiado com as suas proezas futebolísticas. Acho até, que foi a partir daí que sempre sonhei ser jogador de futebol. Do resto contarei noutra oportunidade.

Apesar de nunca ter imaginado isso, também tive a oportunidade de apertar a mão ao Rei! Foi no decorrer da sua primeira vinda a Montreal. Era eu o responsável do programa desportivo na Radio Centre-Ville. Depois de alguma polémica – com pano para mangas e que só por si merecia honras de artigo – Eusébio sempre veio ao nosso programa dominical de desporto. Alheio aos problemas, Eusébio mostrou-se de uma simpatia a toda a prova.

Tivemos uma segunda oportunidade de estar com Eusébio. Aconteceu na última ocasião que por cá passou. Veio na companhia do presidente Filipe Vieira. E o curioso é que desta vez o autor destas linhas se viu, sem querer, envolvido em nova polémica, agora não com os dirigentes do Benfica local, mas sim com o presidente do grande Clube lisboeta. Enfim, uma situação para esquecer... Ou para lembrar?

Uma terceira referência para assinalar que Eusébio da Silva Ferreira, o Rei!, também lidou com este jornal, manuseando-o, em Lisboa, sem que ainda hoje saibamos como o LusoPresse lhe chegou às mãos. (Possuímos registo fotográfico do momento.)

Destaque
Na viragem de cada ano, quase sempre, surgem acontecimentos nefastos. Umas vezes são terramotos, outras são enxurradas que tudo devastam e ainda noutras ocasiões são mortes de gente querida, muitas vezes com um raio de ação suficientemente alargado.
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