logo
rss  Vol. XVIII - Nº 301         Montreal, QC, Canadá - segunda-feira, 24 de Fevereiro de 2020
arrowFicha Técnica arrowEstatutos arrowPesquisar arrowContactos arrowÚltima hora arrowClima arrowEndereços úteis
Partilhe com os seus amigos: Facebook

Laval deu vivas a 2014

Adelaide Vilela

Reportagem de Adelaide Vilela e fotos de Eduarda Branco

Foi num dia 31 que o relógio da torre de uma das igrejas do centro da cidade de Montreal anunciava, partilhando a minha dor, as quatro e meia da tarde. Laval dava então vivas a 2014, e neste dia mais um marco luminoso marcaria as veredas da minha existência.

Ainda a responsável por esta meia dúzia de linhas jazia numa cama do Hospital Saint-Luc, mais assustada que um ratinho que sai da toca, encontra um gato e logo pensa que viu um leão feroz. Confiante e bem-humorada, apesar da situação embaraçosa, penosa, quiçá mortal... pensava eu, lá vou conseguindo desmistificar o medo, contando com o equilíbrio da mente e do sentimento. Verdade se diga não deu para o susto.

Sra Adelaide, marido, Eduarda e Marco (1) (1).JPG
Adelaide Vilela, nossa colaboradora, com o marido e dois amigos.

Depois de uma panóplia de exames médicos, um Doutor com cara de sábio, vem anunciar-me que todos os medos e receios não tinham cabimento em virtude de noutro centro de saúde ter havido um equívoco na leitura de um certo scanner. «O pâncreas está como novo», disse o profissional de saúde pública. Tinha sido ali internada com uma infeção urinária e saí com a certeza de uma vida para viver: a minha, realce-se! A saúde é a ponte mais valiosa da nossa existência. Agora, sim, sentia-me pronta para atravessar do ano velho ao Novo, sem más correntes nem turbilhões de ventos inesperados. Acabou-se o que podia tornar-se na lei do mal, uma vez a vida vencida, uma morte anunciada... A festa estava já então na mira dos meus objetivos.

Já a caminho de casa tentamos obter um favor rápido de uma amiga mas foi-nos imediatamente recusado. Pensamos: a vida é demasiada curta para tanta pressa de chegar. Quantos são os que nunca chegam ao seu destino porque o percurso os atraiçoou? Afinal põe-se o próximo à margem apenas pela pressa de partir, ir e chegar primeiro, sem elevar o pensamento e ler nas maravilhas como estas que nos deixam grandes pensadores como o Dalai-lama: «Torne o resto da sua vida tão significativo quanto possível. Consiste apenas em agir levando os outros em consideração. Assim, encontrará paz e felicidade para si mesmo».

Susy Borges e marido Carlos da Sousa 4 (1).JPG
Susy Borges e esposo Carlos da Sousa

E lá vou eu e o meu Vilela a caminho da Associação Portuguesa de Nossa Senhora de Fátima de Laval para que, com outras vidas, alegres e divertidos penetrarmos energicamente em 2014.

Evidentemente, da cama do hospital para a festa não deu para marcar pontualidade mas podemos revelar, em absoluto, que ficamos bem sentados, ao lado de umas simpáticas famílias açorianas. Não se admirem, portanto que, desta boa disposição nasçam palavras positivas e belas...

Esta passagem de ano à portuguesa foi organizada pelo Sr. Tony Santos, presidente na Associação Portuguesa de Nossa Senhora de Fátima de Laval e pela empresária Lina Pereira, responsável por «Eventos especiais e decoração». A cozinha abriu-nos rapidamente o apetite. Se formos a ver, o culpado disto tudo foi o Sr. Aleluia Machado. Aleluia Senhor, depois de um jejum forçado comi que nem um lorde. É bom que se diga, a equipa do Sr. Justin Furtado serviu rapidamente o jantar de festa, quaisquer dos jovens foram cordiais e eficazes. Se o prato necessita de sucesso para que seja servido as garrafas têm que ser manipuladas com arte e perícia para serem bebidas. Todavia, sozinhas não matam a sede, para isso estiveram no bar para consolar e inundar de alegria muitos corações, na última noite do fim de ano de 2013, os Srs. José Oliveira, Manuel Sousa e Manuel Gomes.

Vamos à parte musical que fez voltar o nosso querido Joe Puga aos palcos da ribalta e do amor pelo seu público e pela música. Como todos sabem, por motivos de saúde houve um interregno de dois anos na carreira artística do Joe, agora curado e com uma voz ainda mais notória e bela, aplaudi-lo é pouco, queremos e batemos o pé para que regresse com um novo CD muito em breve. O Joe animou com garra, sentimento, encantamento, felicidade e muita alegria a primeira parte da noite do Réveillon de 2013. O Joe começou a cantar ainda com os caracóis de menino a luzir-lhe o rosto, mas apesar de tanta experiência no mundo artístico, foi em Laval, ali naquele lugar, que cantou pela primeira vez há 27 anos. Quis Deus levá-lo ali de novo, depois de um forte aneurisma – curado a cem por cento – para cantar e encantar. Louvado seja Deus. Obrigada, Senhor. Só a Ti agradeço. A segunda parte coube ao Tony Câmara, outro artista de grande gabarito, a viver em Toronto. Pai de dois filhos, o Tony não deseja viver da música apesar de ter mais de meia dúzia de CDs gravados. Exerce a profissão de fiscal médico, numa empresa canadiana, para além se der pai a tempo inteiro. Grande homem, sim senhor!

O Tony subiu ao palco e os presentes fizeram-se à pista de dança, foi bater o pé até à meia-noite. Tanto o Joe como o Tony estão de parabéns, fizeram um espetáculo digno de ser badalado aos quatro ventos. O som estava excelente, parabéns aos técnicos.

O Sr. Alberto Feio também se quis associar à festa, e foi filmando pela noite adiante os últimos passos do velho até que a Conceição, sua mulher, com o Gabriel pela mão deram vivas ao Novo entrevistando algumas pessoas da Comunidade Portuguesa de Montreal e de Laval. Excelente trabalho e arte que ficará na memória de todos, sobretudo na minha.

Ouviam-se assobios e gritos de euforia: Viva o Ano Novo, gritava o público. Enquanto em cima do Palco o Joe Puga e o Tony Câmara interpretavam lindamente a primeira canção do ano, os presentes bem animados, trocando olhares felizes e muitos abraços sem esquecer os votos de felicidades para o ano inteiro: FELIZ ANO NOVO!

Leitor, contamos consigo: trate de ser feliz o ano inteiro.

Os nomes das pessoas que colaboraram nesta festa foram fornecidos por Lina Pereira, uma das organizadoras do Evento. Bem-haja.

Reportagem
Foi num dia 31 que o relógio da torre de uma das igrejas do centro da cidade de Montreal anunciava, partilhando a minha dor, as quatro e meia da tarde. Laval dava então vivas a 2014, e neste dia mais um marco luminoso marcaria as veredas da minha existência.
Laval deu vivas a 2014.doc
yes
O tempo no resto do mundo

Arquivos

Acordo Ortográfico

O que é o novo acordo?

O LusoPresse decidiu adotar o novo acordo ortográfico da língua portuguesa.

Todavia, estamos em fase de transição e durante algum tempo, utilizaremos as duas formas ortográficas, a antiga e a nova.   Contamos com a compreensão dos nossos leitores.

Carlos de Jesus
Diretor

 
LusoPresse - 2020