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Quando o Nobel da «Injustiça»...

Contribui Para a Crítica Positiva da Ciência

Fernando Pires

Por Fernando Pires

Vem isto a propósito de um jovem cientista português, João Magueijo, que escreveu um texto de opinião sobre o Prémio Nobel da Física atribuído este ano a Peter Higgs e François Englert, com a nova entrada da tecnologia numérica aos comandos do algoritmo (palavra de origem árabe, «al kharizm», algarismo), como ferro de lança da epistemologia como paradigma numérico de análise da filosofia das ciências.

Este conceito ganhou forma em 1936 com a máquina de Turing.

Mas, antes de mais, devo dizer que sou leigo nesta matéria, apenas um curioso de saber, remetendo-me aqui à crítica de Magueijo sobre o assunto do progresso científico, que penso ser matéria para peritos. No entanto, debruçar-me-ei sobre as leituras que tenho feito nestes últimos trinta anos, avançando com alguns tópicos ao longo deste período até aos nossos dias.

Depois de nomes históricos, dos mais célebres heróis do progresso científico, mencionaremos aqui alguns nomes, tais como Copérnico, Kepler, Newton, Galileu, Einstein, Heisenberg, Brogile, Niels Bohr, Max Plank, Ernest Rutherford, Thompson… Comecemos então pela crítica que Magueijo faz à atribuição do último Prémio Nobel da Física e aos novos vencedores deste Prémio. Segundo João Magueijo: «O Prémio Nobel há muito tempo que perdeu contacto com a realidade. Contudo, a comunidade científica, como qualquer outra comunidade ou coletividade, não deveria desviar-se do interesse individual-coletivo, tendo sempre em conta conteúdos imbuídos da comunidade científica mundial».

O que nos parece na crítica de opinião de Magueijo, é que as regras de seleção exigidas pelo Prémio Nobel sobrepõem-se a certos poderes de «injustiça». Por isso, Magueijo acrescenta ironicamente que a partícula de Higgs (também impropriamente chamada partícula de Deus), podia também ser «Nossa Senhora da Agrela», referindo-se aqui ao seu colega Tom Kibble, por este não ter sido contemplado com tal distinção.

Sabe-se que Higgs «sumiu-se» quando os nomes do Prémio Nobel foram anunciados. Talvez para escapar à comunicação social, ou então porque não estaria totalmente à vontade com tal mérito? Ou seria por simples modéstia para melhor atrair o peixe mediático cada vez mais esfomeado de sensações, quando os meios de comunicação cada vez mais medíocres quanto ao vazio de conteúdos em papel? Jornais da nossa praça que mais não servem que para embrulho de postas de bacalhau, não aprofundando um jornalismo despido de qualidade e de informação, digna desse nome.

Deve dizer-se também que, segundo Magueijo, Tom Kibble participou na co-descoberta do mecanismo do Bóson de Higgs. Mesmo assim, João Magueijo mostra-se otimista quando afirma que «a ciência é cada vez mais um esforço coletivo de colaboração». Magueijo refere-se no seu texto a «três artigos» publicados dos concorrentes ao Prémio Nobel, onde um dos três articulistas, dos textos apresentados para a seleção do Prémio teria falecido em 2011»; sendo assim, segundo ele, «o terceiro concorrente foi o mais premiado». Ainda, segundo Magueijo, o Prémio Nobel atribuído a Higgs não tem talvez a importância que a imprensa lhe deu.

Um célebre escritor da física, Lee Smolim, menciona num seu livro João Magueijo, como seu amigo, afirmando que alguns «estão-se a juntar só porque sabe bem estar do lado do vencedor». Como veem o problema da ciência não é diferente do poder político ou qualquer outro poder. Existem também lutas pelo poder, pelo prestígio, não esquecendo, bem entendido, o dinheiro!

Para Thomas Khun, historiador da ciência, não há algoritmo neutro para a escolha de uma teoria. Também para Lee Smolin «desde que há física sempre houve investigadores a imaginar fazerem parte da última geração a enfrentarem o desconhecido.» Daqui se pode compreender as divergências dos dois grupos da ciência, «pioneiros» e «colonos», como lhes chama João Magueijo, que lhes atribui a disputa pelo poder do Prémio Nobel.

Não posso terminar aqui sem uma outra citação de Smolin que diz o seguinte: «Se pretendermos obter uma caracterização sólida da ciência, temos de acrescentar alguns critérios que distingam um departamento de física de um mosteiro».

De toda a maneira, Christophe Grogean e Laurent Vacavant escreveram o seguinte: «Uma coisa é certa: o Bóson de Higgs abre a porta a novos campos de investigação e a aventura não faz que começar».

PS – O físico João Magueijo faz parte integrante do Grupo de Física Técnica do Imperial College, em Londres. Deu pela primeira vez no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa, uma palestra no Natal sobre «Majorana, Partícula e Homem».

Ref: Jornal «O Público», João Magueijo (O Nobel da Injustiça) 15/21 de novembro 2013.

Lee Smolin (O Romper das Cordas) Ascensão e Queda de Uma Teoria e o Futuro da Física. Gradiva Editor: Guilherme Valente, edição Abril 2013.

Christophe Grogean e Laurent Vacavant (À procura do Bóson de Higgs) Librio, inédito, Paris, Março, 2013.

Thomas S. Khun (La Structure des Révolutions Scientifiques) Flammarion, France, 1983.

Nota da redação : O LusoPresse não é um jornal científico, naturalmente, e João Magueijo tem direito à sua opinião de estar contra a atribuição do Prémio Nobel da Física de 2013, achando que esta descoberta não tem a importância que a imprensa lhe deu. O dito prémio foi atribuído este ano aos cientistas que, em 1964, fizeram a «descoberta teórica do mecanismo contribuindo para a compreensão da origem da massa das partículas subatómicas». A descoberta foi então batizada com o nome de «Mecanismo Brout-Englert-Higgs», do nome dos físicos que nela participaram. A partícula em questão, foi nomeada «Bosão de Higgs» por ter sido ele o primeiro a identificá-la e a divulgar. Cinquenta anos mais tarde, foi possível confirmar a existência da partícula fundamental predita por esta teoria graças ao Grande Colisor de Hádrons do CERN. O Prémio Nobel nomeava François Englert e Peter Higgs, visto Robert Brout ter falecido em maio de 2011. Peter Higgs afirmou que Thomas Kibble deveria ter partilhado o prémio consigo, mesmo se ele não tinha trabalho com a equipa, mas sim separadamente dos físicos agora galardoados.

Crónica
Vem isto a propósito de um jovem cientista português, João Magueijo, que escreveu um texto de opinião sobre o Prémio Nobel da Física atribuído este ano a Peter Higgs e François Englert, com a nova entrada da tecnologia numérica aos comandos do algoritmo (palavra de origem árabe, «al kharizm», algarismo), como ferro de lança da epistemologia como paradigma numérico de análise da filosofia das ciências.
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