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rss  Vol. XVII - Nº 300         Montreal, QC, Canadá - sexta-feira, 28 de Fevereiro de 2020
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Poema de Natal

Para isso fomos feitos:

Para lembrar e ser lembrados,

Para chorar e fazer chorar,

Para enterrar os nossos mortos –

Por isso temos braços longos para os adeuses,

Mãos para colher o que foi dado,

Dedos para cavar terra.

Assim será nossa vida:

Uma tarde sempre a esquecer,

Uma estrela a se apagar na treva,

Um caminho entre dois túmulos –

Por isso precisamos velar,

Falar baixo, pisar leve, ver

A noite dormir em silêncio.

Não há muito o que dizer:

Uma canção sobre um berço,

Um verso, talvez de amor

Uma prece por quem se vai –

Mas que essa hora não esqueça

E que por ela os nossos corações

Se deixem, graves e simples.

Pois para isso feitos:

Para a esperança no milagre,

Para a participação da poesia,

Para ver a face da morte –

De repente, nunca mais esperaremos...

Hoje a noite é jovem; da morte apenas

Nascemos, imensamente.

Autor: Vinicius de Moraes

Poesia
Por isso temos braços longos para os adeuses,
Poema de Natal de Vinicius de Moraes.doc
no
O tempo no resto do mundo

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O LusoPresse decidiu adotar o novo acordo ortográfico da língua portuguesa.

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