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rss  Vol. XVII - Nº 300         Montreal, QC, Canadá - domingo, 16 de Fevereiro de 2020
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O «monstro-comilão»

Osvaldo Cabral

Por Osvaldo Cabral

Vai por aí uma euforia tonta por causa de alguns sinais positivos da economia.

Até já se inauguram relógios com a contagem decrescente para a saída da troika.

E há membros do governo com discurso tão irritante como a anúncio da Popota.

Os políticos, especialmente os que vivem à custa do orçamento público, deviam ter vergonha do balanço da austeridade.

É que, chegados aqui, só há uma conclusão: as famílias conseguiram poupar mais do que o Estado.

O «monstro-comilão», que devia dar o exemplo, continua a gastar mais do que devia, enquanto as famílias reduziram os seus orçamentos, fizeram poupanças, sacrificaram-se, cortaram hábitos nas despesas, atiraram-se a outros negócios e, agora, que bateram no fundo, voltam a consumir.

Ao contrário, os políticos do Estado não só não conseguiram gastar menos do que recebem, como compensaram isto com mais impostos, mais horas de trabalho para as famílias, menos ordenados e menos pensões.

A reforma do Estado nunca foi feita e o corte em organismos supérfluos é uma miragem.

O Estado português é a instituição do falhanço.

E não é só o Estado nacional. O Estado regional, a acreditar no Tribunal de Contas, também gastou mais em 2012, aumentando as despesas e reduzindo as receitas.

Não admira que, tantos milhões depois, continuemos a ser umas das regiões mais pobres da Europa.

Como se não bastasse, os rapazolas da troika acham que as famílias deviam agachar-se ainda mais.

O FMI é tão patético, que a sua líder diz uma coisa e os seus funcionários mandam praticar outra.

Como é que o mundo pode andar direito, entregue a gente dessa?

Internamente, os eleitos têm duas caras: uma na campanha eleitoral, em que nos prometem tudo, e outra no aparelho do Estado, em que se vendem aos mercados financeiros.

Os partidos perderam toda a credibilidade com a chegada às lideranças desta geração mercantil.

Na Coreia do Norte executam-se os tios que atraiçoam o regime; em Portugal eliminam-se os sobrinhos que apoiaram as candidaturas independentes contrárias ao partido.

Temos um país sem alegria, sem orientação e condenando gente nova.

E eles a ufanarem-se à volta do relógio.

A esperança é que, no final da derrocada, Passos e Portas nos enviem a todos para Paris, com um ordenado de 12 mil euros...

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CERTIFICADOS – A sessão plenária da Assembleia Regional, na semana finda, foi recheada de anedotas.

A melhor de todas foi aquele anúncio de que o governo regional vai certificar as termas da região, quando é sabido que nenhuma delas funciona!

É tal e qual como anunciar a certificação do Casino da Calheta...

Ele há cada uma.

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ACADEMIA – A Universidade dos Açores não é só um problema financeiro. É, também, um caso político.

A Uaç precisa de alguém que conheça profundamente os meandros políticos da região, do governo central e dos fundos europeus.

Alguém que alie a sua destreza política à competência técnica e científica, com autoridade, competência letiva e com um suplemento de coragem para sacudir uma academia habituada à rotina do seu próprio umbigo, sem nenhuma ligação à sociedade.

Só vejo uma pessoa com este perfil: a Prof.ª Maria do Céu Patrão Neves.

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TARIFAS – Com que então, cerca de 500 euros para um açoriano que reside em Lisboa vir passar o natal e ano novo aos Açores!

Já não há palavras para o descalabro que vai nos transportes aéreos desta região.

E eles a ufanarem-se com o aumento do turismo subsidiado no mês de outubro...

Que tal inaugurarem também um relógio para a contagem decrescente da chegada das low-cost?

Crónica
Vai por aí uma euforia tonta por causa de alguns sinais positivos da economia.
Monstro comilao.doc
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