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rss  Vol. XVII - Nº 300         Montreal, QC, Canadá - quinta-feira, 09 de Julho de 2020
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Maria do Carmo Couto condecorada duas vezes:

Medalha de Ouro pelo Governo Português e Prémio Carreira pelo Instituto Camões

Raquel Cunha

Por Raquel Cunha

Maria do Carmo Vieira da Silva Couto dispensa apresentações. Ensina há já muitos anos, 42, para ser mais precisa e perdeu a conta de quantos alunos passaram pela sua sala de aula. Sempre simpática e sorridente, é uma mulher de desafios, inspiradora, que não deixou que a vida lhe desse a volta e arregaçou sempre as mangas. É chegado o momento de lhe fazer a devida homenagem, e essa veio pelas mãos do Governo Português e também pelo Instituto Camões.

No passado dia 18 de outubro, Maria do Carmo foi condecorada com a Medalha de Mérito das Comunidades Portuguesas no Grau de Ouro, entregue pelas mãos do Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, o Sr. José Cesário, numa cerimónia realizada no consulado português de Toronto.

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Maria do Carmo Couto, mérito reconhecido.

Depois, no dia 9 de novembro foi condecorada mais uma vez, com o Prémio Carreira pelo Instituto Camões. Esse prémio condecora os anos do ensino da nossa língua no Canadá, o seu profissionalismo e dedicação. O prémio foi entregue pelas mãos da Presidente do Instituto Camões, a Dr.ª Ana Paula Laborinho, que o considera «muito bem merecido», numa cerimónia realizada no Salão Nobre da Missão de Santa Cruz.

«Nunca na vida pensei em receber uma medalha como esta»

Com uma vida dedicada ao ensino, Maria do Carmo concluiu o curso de professora primária em 1971 em Ponta Delgada, Açores. Quis o destino que não chegasse a lecionar em Portugal, pois uma vez colocada, partiu juntamente com a mãe e irmãos para se juntar ao pai aqui no Canadá. Mas a vida escreve direito por linhas tortas e Maria do Carmo estava onde mais dela precisavam, aqui junto de nós, a acolher os luso-descendentes que não querem perder o laço com as palavras da nossa História.

  • Chegou ao Canadá no mesmo ano em que se tornara professora, casou-se e conseguiu conciliar o seu trabalho num banco, com o ensino na escola First Portuguese em Toronto. Ensinava de segunda à sexta ao fim da tarde e aos sábados de manhã e por lá ficou durante dois anos, tempo que permaneceu na cidade.

Em seguida veio para Montreal para abrir, juntamente com o marido, a ourivesaria que no passado mês de maio comemorou 40 anos. Fez como pôde, contudo, a vida na ourivesaria, a contabilidade, o trabalho a tempo inteiro no banco Provençal e um filho pequeno, não lhe deixaram mais tempo para se dedicar à sua paixão. «A gente faz até poder», sorri.

«São os meus alunos que me dão vida»

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Mas por sentir falta dos alunos, por gostar de dar aulas e por essa ser a sua profissão, dedicou-se logo que pode ao ensino do português, desta vez na Escola Lusitana, onde leciona continuadamente há 34 anos. Ainda passou pelo programa PELO, em duas escolas inglesas, por cerca de 5 anos, mas finalmente decidiu-se pela Escola Lusitana, a ourivesaria e, é claro, o trabalho de mãe e esposa.

Maria do Carmo Couto diz-se muito contente pelo reconhecimento e a medalha recebida, «nunca na vida pensei em receber uma medalha como esta. Fiquei grata e contente, não vou mentir. É bom ver o nosso trabalho reconhecido. Isto deu-me um novo fôlego e ainda mais vontade de ensinar. Eu adoro os meus alunos e aprendo também muito com eles».

Para ela, a lição é que «nunca nos podemos subestimar, eu cheguei aqui humilde, trabalhei muito e enfrentei muitos desafios. Mas a verdade é que todos os minutos valeram a pena, e esta medalha é a confirmação do meu trabalho, do meu empenho e da minha dedicação. Não é a medalha ou os diplomas em si, é o saber-se reconhecida, é saber que o que fizemos, fizemos bem», remata. «Com esta medalha sinto-me outra mulher, pronta para mais. É que faz bem, faz muito bem à alma!» sorri.

Quanto aos alunos, muitos passaram pela sua sala de aula e muito ela aprendeu com eles. «Eles ensinaram-me muitas lições de moral. A mais marcante foi no sábado a seguir ao funeral do meu marido, quando entrei na sala e os alunos se tinham colocado todos em círculo, puseram-me no meio e abraçaram-me em conjunto. Disseram-me: «a Sr.ª perdeu o seu marido, mas não nos perdeu a nós». Deram-me um postal com dedicatórias individuais, que ainda hoje leio quando me sinto mais triste, e fico logo melhor. São os meus alunos que me dão vida e força para continuar», conclui.

«Nesta vida temos de ser persistentes, ultrapassar os obstáculos e buscar forças para continuar, porque vale a pena!»

Por isso, quando recebeu a medalha, foi de carteira em carteira, mostrá-la aos seus 27 alunos para que lhes servisse de lição que «querer é poder! E que se pode chegar a lugares nunca imaginados se nos empenharmos e trabalharmos». Confessa, porém, ter pena de que o marido «não esteja presente fisicamente para partilhar esta minha alegria».

Toronto foi uma aventura. Partiu juntamente com a amiga Liliana Marcelino (também ela professora na Escola Lusitana) no próprio dia 18, sexta-feira de manhã. Assistiram à cerimónia às 17h, no consulado de Toronto, com a presença do Cônsul, do Secretário das Comunidades, da Coordenadora do Instituto Camões e ainda outras duas professoras de Toronto também homenageadas. Maria do Carmo Couto foi a primeira professora de Montreal a ser condecorada.

A cerimónia teve também como objetivo a entrega dos diplomas aos alunos que fizeram o exame de equiparação da língua portuguesa pelo Instituto Camões, e portanto o Consulado encontrava-se cheio, entre pais, professores, alunos e entidades respetivas.

De seguida, as duas professoras, juntamente com a Coordenadora do Instituto Camões, aproveitaram para assistir ao lançamento do mais recente livro do jornalista José Rodrigues dos Santos, que teve lugar na Casa do Alentejo de Toronto, onde também jantaram.

Como a dedicação ao ensino é viva, na manhã seguinte, estas duas professoras apanharam o primeiro voo e diretas do aeroporto, ainda lecionaram nesse mesmo sábado na Escola Lusitana em Montreal.

Quanto à celebração do dia 9 de novembro, cuja reportagem foi publicada no nosso jornal, Maria do Carmo Couto recebeu das mãos da Presidente do Instituto Camões, Dr.ª Ana Paula Laborinho, o Prémio Carreira, pela sua dedicação e profissionalismo, ao ensino da língua portuguesa e por, apesar de aposentada, ainda estar no ativo. A celebração teve lugar no Salão Nobre da Missão de Santa Cruz, juntamente com a entrega dos diplomas aos alunos que fizeram o já referido exame.

Maria do Carmo é categórica: «nesta vida temos de ser persistentes, ultrapassar os obstáculos e buscar forças para continuar, porque vale à pena! Este reconhecimento é um incentivo e eu ainda tenho muito para ensinar e para aprender. Então não fui para a universidade estudar História de Arte depois de viúva?»

Fica aqui o exemplo, e da equipa do LusoPresse os nossos mais sinceros parabéns pela pessoa e profissional que é.

Entrevista
Maria do Carmo Vieira da Silva Couto dispensa apresentações. Ensina há já muitos anos, 42, para ser mais precisa e perdeu a conta de quantos alunos passaram pela sua sala de aula. Sempre simpática e sorridente, é uma mulher de desafios, inspiradora, que não deixou que a vida lhe desse a volta e arregaçou sempre as mangas. É chegado o momento de lhe fazer a devida homenagem, e essa veio pelas mãos do Governo Português e também pelo Instituto Camões.
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