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rss  Vol. XVII - Nº 300         Montreal, QC, Canadá - sexta-feira, 29 de Maio de 2020
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Sabem a do brasileiro…?

Onésimo Teotónio Almeida

Por Onésimo Teotónio Almeida

Passou aqui na Brown um antigo embaixador brasileiro em missão de uma universidade para onde agora trabalha. Reuniu-se connosco na sala de conferências do Departamento (este «nosco» era um público luso-afro-brasileiro). Coberto de finuras, como a regra geral de gente que o Itamaraty produz, conversador nato, bem-humorado, entrou nonchalant e de chofre no tema da piada do português, começando logo por dizer, com o ar mais convicto deste universo, que não se tratava de piadas inventadas porque elas eram mesmo verdade, conforme lhe garantia gente vária. No seguimento dessa entrada naïve – estávamos a menos de dez minutos de conversa e entre gente desconhecida para ele, professores e alunos – lançou-se a contar uma: Era um português que estava com medo de viajar de avião por causa das bombas…

Nem deixei avançar. Sei que é feio dizer-se que já se conhece uma piada, mas bolas! O senhor é diplomata e devia sê-lo. Interrompi-o: Antes de avançar: conheço essa muito bem e sei de certeza que não é de português. É americana, ouvi-a nos anos setenta e até a contei numa crónica. Claro que os brasileiros também devem tê-la ouvido como eu e adaptaram-na, transformando-a em piada de português.

Depois recuei, armei mesmo em magnânimo e encorajei-o a prosseguir com a estória. O diplomata contou-a então como se nada acontecido tivesse. Fê-lo sem jeito e quase sem grande lógica. Depois quis conhecer a minha versão. Ofereci-lha:

Um indivíduo, aterrado com a ideia de viajar num período em que estava em moda colocar-se bombas nos aviões, foi ter com um especialista em estatística a saber qual o grau de probabilidade de um avião voar com uma bomba:

– Bom, hoje há de facto uma relativamente alta probabilidade de isso acontecer.

– E qual a probabilidade de um avião voar com duas bombas?

Bom, aí a probabilidade tende para zero.

Então, a partir daí o homem passou a viajar sempre com uma bomba na mala.

(Por sinal enviei em tempos essa piada num postal ao Professor Luís Albuquerque e ele contava-a muitas vezes, fazendo questão de referir a fonte).

Depois do riso de etiqueta, estive a centímetros de um contra-ataque e estou deveras arrependido de o não ter feito. Era para contar aquela – essa sim, real! – que o Alçada Baptista narra num dos seus livros de memórias (confesso que não recordo qual. Já revirei as páginas de A Cor dos Dias e de A Pesca à Linha, verificando todos os sublinhados e marginalia e não creio que esteja em nenhuma dessas obras. Outras há aqui em casa, mas perdidas pelas estantes.) Fio-me então exclusivamente na memória: Alçada chegou certa manhã à Embaixada do Brasil na Holanda e perguntou pelo Senhor Embaixador. O rececionista, um português mal-encarado, respondeu lacónico: O Senhor Embaixador não está. Não, que não estava. E o Primeiro Secretário? Também não estava. E o Segundo Secretário?

O Segundo Secretário também não está.

– Já vi que ninguém trabalha de manhã nesta Embaixada!

Então o sisudo funcionário português comentou displicente: – Não trabalham é à tarde. De manhã não vêm.

Humor com humor se cura (nota para o editor: esse se cura são duas palavras. Mas se ficar tudo numa, também não estará mal).

 

 

Crónica
Passou aqui na Brown um antigo embaixador brasileiro em missão de uma universidade para onde agora trabalha.
LER-Dezembro-2013 ONESIMO.doc
no
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