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rss  Vol. XVII - Nº 300         Montreal, QC, Canadá - sexta-feira, 03 de Abril de 2020
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«Fascismo higiénico» na TV

Osvaldo Cabral

Por Osvaldo Cabral

Este governo adora intrometer-se onde não é chamado.

Primeiro queria limitar o número de animais domésticos por família.

Depois queria impor rodadas de imperiais só para maiores de 18 anos.

Agora gostaria de cadastrar os pais fumadores.

É claro que recuou em todas perante o ridículo das intenções.

Um tal secretário de estado da Saúde veio a tempo de reconhecer que «para a boa consciência não se legisla, tal como a inteligência não se pode impor».

E João Almeida, deputado do CDS, veio a público classificar de «fascismo higiénico» a intenção do ministério da sua colega Assunção Cristas em limitar o número de animais domésticos nos apartamentos.

É um padrão recorrente este governo meter o bedelho no comportamento das famílias portuguesas.

Acabo de descobrir que quer fazer o mesmo com os açorianos.

O Projeto do Contrato de Concessão do Serviço Público de Rádio e Televisão, que o ministro Poiares Maduro vai apresentar nos próximos dias, tem um capítulo dedicado aos Açores e Madeira, praticamente decalcado do anterior.

Depois de algumas generalidades, no ponto 5 (alínea c), exige que a RTP, nos Açores e na Madeira, tenha «espaços informativos regulares de acompanhamento da atividade das Assembleias Legislativas Regionais, abrangendo a intervenção e a opinião dos diferentes partidos políticos nelas representados».

A imposição já é de si absurda, porquanto é óbvio que a televisão, cobrindo os acontecimentos regionais, não iria ignorar a atividade parlamentar, como é próprio de qualquer Redação do mundo jornalístico.

Mas o Estado quer ir mais longe.

Quer impor aos açorianos uma «lavagem cerebral» parlamentar.

No ponto 6 (alínea b) do referido Contrato, escreve-se uma «fatwa» regional, sobre a quantidade de vezes que os açorianos devem gramar com programas do parlamento: «semanal, para os debates e programas de acompanhamento de atividades das Assembleias Legislativas Regionais».

Assim mesmo.

Todas as semanas os tugas dos Açores e Madeira têm que assistir a um programa com os nossos deputados, coisa que não existe no retângulo português, nem noutra parte do mundo...

Desde quando é que o Estado decide qual a periodicidade com que os cidadãos têm que levar com debates dos partidos no parlamento?

O que é que justifica esta intromissão nas decisões editoriais de uma Redação?

Qual foi o critério para impor um programa semanal?

E, já agora, porque não indicar também o jornalista-moderador?

E o horário do programa... E durante o verão, quando o parlamento está de férias, um debate sobre o tempo...

E como o parlamento açoriano reúne apenas de quinze em quinze dias, na semana de descanso o debate é sobre o quê?... Não é melhor fazerem uma lista dos temas?

Francamente.

Há políticos que não resistem à tentação de serem programadores de televisão, mas mais descarado do que isso, escrito em contrato e tudo, só na Coreia do Norte.

Digam lá se há mais «fascismo higiénico» do que este.

                                                 ****

NOVA RTP – Em vez de se preocupar com os conteúdos televisivos, que não é da sua competência, o Estado deveria preocupar-se com o escandaloso esquecimento a que remeteu a televisão açoriana no que toca à sua renovação.

Desde 2003 que o Estado entregou à RTP mais de 2 mil milhões de euros para renovar o parque tecnológico de todos os canais. Todos tiveram edifícios, equipamentos e estúdios novos, exceto... a RTP-Açores.

Com que moral se vem agora exigir que os Açores façam a mesma «contenção de custos» que os restantes canais? Com que moral se exige restrições a um canal que sobrevive, há anos, à custa do sacrifício dos seus funcionários e da paciência dos telespetadores? Com que moral se exige mais contenção, quando já se fala na criação de mais um canal para a sociedade civil, com a RTP, que custará mais de 8,5 milhões de euros? Com que moral se pede igual contenção a um canal que vendeu, por larga soma, um dos edifícios da sua sede em Ponta Delgada e o dinheiro foi parar a Lisboa? Com que moral se ignora as potencialidades deste canal regional e se anuncia a «construção de raiz» para a RTP-Internacional e RTP-África? Para uns há dinheiro para investir, para outros só há «contenção de custos»?

Haja paciência!

Crónica
Este governo adora intrometer-se onde não é chamado.
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