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Editorial

Nelson Mandela, RIP

Carlos de Jesus

Por Carlos de Jesus

«Death is something inevitable. When a man has done what he considers to be his duty to his people and his country, he can rest in peace. I believe I have made that effort and that is, therefore, why I will sleep for the eternity.» – Nelson Mandela. (*)

Poucos homens de estado poderão fazer suas, com tanta autoridade, aquelas palavras que Nelson Mandela pronunciou em 1994. Duas décadas depois, quando o seu corpo baixou à terra, na aldeia que o viu nascer, as suas palavras adquirem ainda maior significado. A do homem que não renegou os seus princípios, que foi sempre fiel a si mesmo e aos outros, a do homem insultado que soube perdoar, do homem a quem roubaram 27 anos da sua vida mas que nunca deixou que lhe roubassem a sua liberdade de espírito, do homem que teve o poder a seus pés e nunca o utilizou para proveito próprio, do homem que cumpriu a promessa de criar a paz e a união entre todo o seu povo – pretos, brancos e mestiços. O homem que criou o tribunal da reconciliação e não o tribunal da retaliação. O homem que, no fim, face ao descalabro do seu próprio partido e da corrupção da sociedade que ele queria justa, fraterna e suprarracial, chorava pelos desmandos dos seus próprios correligionários que renegaram a sua herança.

Em 2006, num documentário da televisão americana – MSNBC – Mandela falou sobre a morte: «Gostaria que se dissesse, »Aqui jaz um homem que fez o seu dever na Terra', é tudo».

Homens desta têmpera, desta simplicidade, com este cariz, esta força de vontade, indómitos contra a adversidade, justos contra a injustiça, construtores contra a destruição, educadores contra a ignorância, pacientes contra os coléricos, homens desta natureza podem-se contar pelos dedos de uma mão só, em cada século.

Infelizmente o seu exemplo, não obstante todas as notícias ditirâmbicas que acompanharam o anúncio da sua morte, pouco ou nenhum efeito parecem ter tido nas mentalidades de alguns elementos do seu próprio país, como foi o caso do que aconteceu ao Arcebispo Desmond Tutu, Prémio Nobel da Paz e companheiro de Mandela na luta contra o apartheid, cuja casa foi assaltada durante a sua ausência no velório de Nelson Mandela.

Infelizmente também – e muito mais grave ainda – é a total ausência de empatia que os atuais dirigentes do Médio Oriente têm demonstrado face ao exemplo de Nelson Mandela relativamente ao processo de paz e reconciliação que ele levou a cabo no seu país.

Quando Mandela, depois da sua libertação, se propôs para ser eleito primeiro presidente negro da África do Sul, as aves de mau agouro pronunciaram um banho de sangue do qual todos os brancos não sairiam vivos. A História provou-lhe o contrário.

Antes dele, um outro pacifista, o Mahatma Gandhi, o libertador e fundador da nova Índia, que aliás, também tinha vivido na África do Sul, já tinha provado que a via do pacifismo era a via mais eficaz no combate contra a prepotência. Mas nem um, nem outro foram capazes de inspirar, por exemplo, os dirigentes palestinos e israelitas a encontrarem uma solução negociada para resolver aquele eterno conflito. O menos que se pode dizer, quer acreditemos ou não, é que se a África do Sul pode ter beneficiado da cultura cristã, onde o perdão é um dos seus principais alicerces, o mesmo não se pode dizer dos israelitas e dos muçulmanos onde ainda vigora o velho principio do velho testamento – olho por olho, dente por dente. (Como dizia o cínico, se continuarem assim ainda vão acabar todos cegos e desdentados…)

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(*)«A morte é inevitável. Quando um homem fez o que considera seu dever para com o seu povo e o seu país, pode descansar em paz. Acredito ter feito esse esforço, e é por isso, então, que dormirei pela eternidade.»

Editorial
«Death is something inevitable. When a man has done what he considers to be his duty to his people and his country, he can rest in peace. I believe I have made that effort and that is, therefore, why I will sleep for the eternity.» – Nelson Mandela. (*)
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